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Cruzeiro pode comprar o Mineirão? Entenda o que falta para negócio avançar

Governo de Minas admite discutir venda do estádio em caso de proposta

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Cruzeiro pode comprar o Mineirão? Entenda o que falta para negócio avançar

Mineirão. Foto Alamy.

A possibilidade de o Cruzeiro comprar o Mineirão voltou ao debate depois de o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, revelar que o próprio clube perguntou ao Estado sobre uma eventual aquisição do estádio. Segundo ele, o governo aceita discutir o assunto caso exista interesse concreto da SAF.

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No entanto, uma compra está longe de ser simples. O Mineirão pertence ao Estado, possui uma concessão em vigor com a Minas Arena até 2037 e uma eventual alienação dependeria de autorização legal, avaliação do patrimônio e processo público de venda.

Cruzeiro perguntou ao governo sobre compra do Mineirão

Mateus Simões confirmou que representantes do Cruzeiro levantaram diretamente a possibilidade de adquirir o estádio. O governador respondeu que o patrimônio poderia ser negociado, embora tenha ressaltado que a venda não integra atualmente as prioridades de sua gestão.

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“É o que eles perguntaram: ‘vende o Mineirão para a gente?’ Eu falei: ‘é claro’. O Mineirão não é um bem que não possa ser vendido”, afirmou Simões.

Além disso, o governador citou a situação dos outros grandes clubes de Belo Horizonte. Enquanto o Atlético é proprietário da Arena MRV, o América utiliza o Independência. Dessa forma, Simões afirmou que não vê problema em discutir um cenário no qual o Cruzeiro também tenha seu estádio.

Por que a discussão sobre o Mineirão voltou agora?

O assunto ganhou força em meio ao impasse envolvendo a publicidade de casas de apostas em bens públicos de Minas Gerais. Um decreto estadual passou a proibir esse tipo de publicidade em propriedades do Estado, inclusive aquelas concedidas à iniciativa privada.

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A medida atingiu diretamente o Mineirão e propriedades comerciais de competições disputadas no estádio. Diante disso, a CBF notificou o Cruzeiro, aumentando as discussões sobre a relação do clube com sua principal casa.

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Simões, entretanto, afirmou que procurou Pedro Lourenço para tratar do tema e garantiu um período de adaptação. Segundo o governador, a restrição recai sobre o estádio e não diretamente sobre o Cruzeiro.

Cruzeiro já tentou assumir a exploração do Mineirão

A ideia de aumentar o controle do Cruzeiro sobre o Mineirão não começou agora. Desde que assumiu a SAF, Pedro Lourenço já declarou publicamente que gostaria de ver o estádio ligado definitivamente ao clube.

No entanto, existe uma diferença importante entre comprar o Mineirão e assumir sua concessão. Em 2025, Pedrinho revelou que a Minas Arena teria pedido cerca de R$ 300 milhões para transferir os direitos de exploração comercial do estádio.

Nesse cenário, o Cruzeiro ocuparia o lugar da concessionária, mas o Mineirão continuaria pertencendo ao Governo de Minas. Portanto, os R$ 300 milhões mencionados anteriormente não representam uma avaliação do preço de venda do estádio.

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Projeto na Assembleia pode abrir caminho para venda

Atualmente, existe um obstáculo jurídico importante. Como o Mineirão integra o patrimônio público estadual, o governo não pode simplesmente negociar diretamente o estádio com a SAF do Cruzeiro.

Entretanto, o Projeto de Lei 5.968/2026, apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 12 de agosto, pretende autorizar o Executivo a alienar o Complexo do Mineirão, incluindo o estádio, sua estrutura interna e a Esplanada.

O projeto ainda precisa avançar na Assembleia. Caso seja aprovado, o patrimônio também precisaria passar por avaliação antes de qualquer venda.

Cruzeiro teria que disputar leilão pelo Mineirão

Mesmo com uma eventual autorização legislativa, o Cruzeiro não ganharia automaticamente o direito de comprar o estádio. A proposta prevê a realização de leilão público e estabelece um preço mínimo baseado no valor de mercado do complexo.

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Assim, a SAF comandada por Pedro Lourenço precisaria participar do processo e poderia enfrentar outros interessados. O fato de o Cruzeiro utilizar regularmente o Mineirão não garantiria preferência na aquisição.

Além disso, outro obstáculo envolve a Minas Arena. A empresa possui contrato de concessão firmado em 2010 e válido até 2037. Caso o Estado encerre antecipadamente essa relação, poderá precisar indenizar a concessionária. O eventual valor ainda teria que ser calculado.

Cruzeiro tem contrato para jogar no Mineirão até 2030

Enquanto uma compra permanece apenas como possibilidade, o Cruzeiro já garantiu sua utilização do Mineirão nos próximos anos. Clube e Minas Arena renovaram o acordo no início de 2026, com validade até o fim de 2030.

Pedro Lourenço também já descartou a construção de um novo estádio. O empresário considera o Mineirão a casa natural do Cruzeiro e defende um modelo que permita ao clube aproveitar melhor comercialmente suas partidas.

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Por enquanto, portanto, não existe uma proposta formal para a compra. Há interesse manifestado pelo Cruzeiro, abertura do Governo de Minas para conversar e um projeto legislativo que pode criar o caminho jurídico necessário. Porém, uma eventual aquisição ainda dependeria de várias etapas antes de se transformar em realidade.

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