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Flamengo libera mais uma joia de graça para a Europa; já são seis na gestão José Boto

Alan Santos acerta com o Benfica sem compensação financeira imediata

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Flamengo libera mais uma joia de graça para a Europa; já são seis na gestão José Boto

Alan Santos. Foto Divulgação Benfica.

O Benfica anunciou nesta segunda-feira (24) a contratação de Alan Santos, de 19 anos, que pertencia ao Flamengo. O atacante chega em definitivo ao clube português e, inicialmente, integrará a equipe sub-23. Apesar da transferência, o Rubro-Negro não receberá dinheiro pela saída e continuará com 50% dos direitos econômicos.

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Além disso, a negociação amplia uma prática que se repetiu desde a chegada de José Boto ao comando do futebol. Ao menos seis jogadores formados na base deixaram o Flamengo definitivamente rumo à Europa sem gerar receita imediata. Em contrapartida, o clube preservou uma participação econômica em todos os casos identificados.

Flamengo libera Alan Santos de graça para o Benfica

Alan Santos estava no Flamengo desde 2022 e ganhou espaço principalmente nas categorias de base. Em 2026, por exemplo, disputou 17 partidas e marcou cinco gols pelo sub-20. Além disso, recebeu oportunidades no profissional e participou de três jogos do Campeonato Carioca.

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Posteriormente, o atacante também integrou a intertemporada realizada em Portugal durante a pausa para a Copa do Mundo. Alan participou dos amistosos comandados por Leonardo Jardim e entrou em campo na vitória por 2 a 0 sobre o Lausanne.

Depois disso, o Benfica avançou pelo jogador e acertou sua contratação. Para ficar com o atacante, porém, o clube português não precisou pagar por uma parcela dos direitos econômicos. O Flamengo autorizou a transferência definitiva e manteve 50%, apostando em uma possível valorização futura.

Alan, portanto, tornou-se o caso mais recente de um modelo de negociação que já havia sido utilizado com outros jovens do Ninho do Urubu.

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Seis jogadores da base foram liberados sem custos para clubes europeus

Desde o início da gestão de José Boto, ao menos seis jogadores formados nas categorias de base foram transferidos definitivamente para equipes europeias sem que o Flamengo recebesse compensação financeira imediata.

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A lista inclui Caio Barone (Celta), Lucas Furtado (Vitória de Guimarães), Carbone (FC Lugano), Kaio Nóbrega (Estoril), Rayan Lucas (Alverca) e agora Alan Santos (Benfica).

O levantamento considera apenas atletas formados no Flamengo que seguiram definitivamente para clubes europeus sem pagamento imediato pela transferência. Dessa forma, empréstimos e jogadores efetivamente vendidos pelo Rubro-Negro ficam fora da relação.

Caio Barone foi para o Celta de Vigo sem custos

O goleiro Caio Barone aparece entre os primeiros casos da gestão. Em 2025, o Flamengo autorizou sua transferência para o Celta de Vigo sem receber dinheiro pela operação. O clube espanhol ficou com 70% dos direitos econômicos, enquanto o Rubro-Negro preservou 30%.

Barone havia conquistado títulos importantes nas categorias de base e também acumulava convocações para as seleções brasileiras de formação. Além disso, possuía contrato profissional com o Flamengo e multa rescisória estipulada em 50 milhões de euros.

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Ainda assim, o clube optou por facilitar sua transferência para a Espanha. Dessa maneira, abriu mão de uma receita imediata em troca da possibilidade de receber dinheiro caso o goleiro se valorize e seja negociado no futuro.

Lucas Furtado saiu de graça para o Vitória de Guimarães

Poucos meses depois, Lucas Furtado, o Lucão, seguiu caminho semelhante. O Flamengo liberou o goleiro para o Vitória de Guimarães, de Portugal, sem compensação financeira e permaneceu com 50% dos direitos econômicos.

Nesse caso, entretanto, a situação contratual ajuda a explicar a decisão. Lucão tinha vínculo somente até dezembro de 2025 e não chegou a um acordo para renová-lo. Portanto, o Flamengo corria o risco de perder completamente os direitos sobre o atleta.

Antes da saída, o goleiro havia se destacado em uma geração vitoriosa no Ninho. Lucão participou dos títulos da Libertadores Sub-20 de 2024 e 2025. Na segunda conquista, inclusive, defendeu dois pênaltis na decisão contra o Palmeiras.

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Assim, diante da proximidade do término do contrato, o Flamengo antecipou a transferência e conseguiu preservar metade dos direitos econômicos para uma eventual negociação futura.

Carbone rescindiu com o Flamengo e acertou com o Lugano

Já em fevereiro de 2026, o zagueiro Carbone rescindiu o contrato com o Flamengo e acertou com o FC Lugano, da Suíça, até junho de 2029. Novamente, o Rubro-Negro não recebeu compensação financeira imediata pela saída.

Por outro lado, o Flamengo preservou uma participação nos direitos econômicos do defensor. Dessa forma, poderá receber uma parcela caso o clube suíço negocie Carbone posteriormente.

O zagueiro havia ultrapassado a idade permitida para continuar no sub-20 e precisaria ser incorporado definitivamente ao profissional. No entanto, não estava nos planos da comissão técnica.

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Pela base, Carbone participou das conquistas da Libertadores e do Intercontinental Sub-20. Na decisão mundial de 2025 contra o Barcelona, inclusive, converteu o pênalti que garantiu o título rubro-negro.

Kaio Nóbrega foi liberado para o Estoril

Em agosto de 2026, o volante Kaio Nóbrega também deixou o Flamengo rumo a Portugal. Aos 19 anos, acertou com o Estoril e passou inicialmente a integrar a equipe sub-23 do clube português.

Mais uma vez, a transferência não colocou dinheiro imediatamente nos cofres rubro-negros. Em contrapartida, o Flamengo permaneceu com 30% dos direitos econômicos do jogador.

Kaio vinha atuando pelo sub-20 e possuía uma longa trajetória no clube. Afinal, chegou ao Flamengo ainda no futsal, quando defendia a categoria sub-9, antes de realizar a transição para o futebol de campo.

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Rayan Lucas foi para o Alverca sem render dinheiro ao Flamengo

Rayan Lucas representa outro caso relevante dentro dessa sequência. Em agosto, o volante de 21 anos acertou sua transferência definitiva para o Alverca, de Portugal, com contrato válido por quatro temporadas.

O Flamengo novamente não recebeu uma contrapartida financeira imediata. Contudo, preservou 50% dos direitos econômicos. A própria comunicação oficial do clube confirmou tanto a transferência quanto a manutenção dessa participação.

Rayan estava no Flamengo desde 2016 e percorreu praticamente toda a formação rubro-negra. Passou pelas equipes sub-11, sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20 antes de chegar ao profissional. Além disso, conquistou as Libertadores Sub-20 de 2024 e 2025 e o Intercontinental de 2024.

O volante também é um dos sobreviventes do incêndio ocorrido no Ninho do Urubu em 2019. Antes de acertar com o Alverca, passou pelo Sporting, onde disputou 23 partidas e chegou a receber oportunidades na equipe principal.

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Mesmo com contrato até 2028, o Flamengo decidiu facilitar sua saída. Portanto, assim como aconteceu em outras negociações, o clube abriu mão do pagamento imediato e apostou na valorização dos 50% que continuou possuindo.

Victor Hugo quase foi o sétimo jogador liberado de graça

A lista poderia ser ainda maior. Em julho de 2025, José Boto encaminhou a transferência de Victor Hugo para o Famalicão, de Portugal, em um formato semelhante ao utilizado posteriormente com outros jogadores da base.

O acordo previa a saída sem compensação financeira imediata para o Flamengo. Naquele momento, Victor Hugo tinha 21 anos e ainda possuía dois anos de contrato. Por isso, a possibilidade de liberá-lo nessas condições provocou forte reação interna.

Dirigentes, conselheiros e torcedores criticaram a negociação. Diante da pressão, o Flamengo recuou e não concluiu a transferência para o Famalicão.

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Meses depois, o desfecho reforçou a discussão sobre aquela decisão. Após passar pelo Santos, Victor Hugo foi negociado em definitivo com o Atlético-MG em janeiro de 2026.

O acordo alcançou US$ 2,5 milhões, aproximadamente R$ 13,4 milhões na cotação da época, por 50% dos direitos econômicos. Além disso, o Santos ficou com direito a 10% da operação por ter servido como vitrine para o jogador.

Portanto, um atleta que esteve próximo de deixar o Flamengo sem gerar receita acabou participando de uma venda milionária depois que o clube desistiu da operação inicialmente encaminhada.

Flamengo aposta em valorização futura dos jovens

Os seis casos não significam que o Flamengo tenha simplesmente renunciado a qualquer possibilidade de ganhar dinheiro com esses atletas. Pelo contrário, existe uma lógica econômica por trás das operações: facilitar a transferência para o futebol europeu e manter direitos suficientes para lucrar caso o jogador se valorize.

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Nesse sentido, o clube troca uma receita garantida no presente por uma possibilidade de retorno maior no futuro. Caio Barone, Lucas Furtado, Kaio Nóbrega, Rayan Lucas e Alan Santos deixaram o Flamengo nesse formato. No caso de Carbone, o Rubro-Negro também preservou participação econômica, embora o percentual não tenha sido divulgado.

Por outro lado, o modelo envolve risco. Caso esses jogadores não sejam vendidos posteriormente ou não apresentem valorização significativa, o Flamengo pode terminar sem receber uma quantia relevante por atletas que desenvolveu durante anos no Ninho do Urubu.

O caso de Victor Hugo mostra justamente o outro lado dessa discussão. Depois de desistir de uma saída sem compensação imediata, o Flamengo conseguiu transformar parte dos direitos do jogador em uma negociação milionária meses depois.

Assim, a chegada de Alan Santos ao Benfica amplia o debate sobre a política adotada para jogadores que não encontram espaço imediato no elenco profissional. Desde que José Boto assumiu o futebol, seis atletas da base já seguiram definitivamente para clubes europeus sem gerar receita na transferência, enquanto o Flamengo apostou seus ganhos em uma eventual valorização futura.

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