Atacante chegou ao clube no ínicio da temporada (Crédito: Celso Pupo/FotoArena/Alamy Live News)
A GDA Luma, grupo que assinou um acordo para assumir o controle da SAF do Botafogo, enfrenta uma ação na Justiça dos Estados Unidos. O processo envolve acusações de transferências fraudulentas de dinheiro e patrimônio ligadas à recuperação judicial da financeira colombiana Credivalores/Crediservicios S.A.
A ação tramita na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York. O administrador judicial Salvatore LaMonica busca recuperar cerca de US$ 43 milhões, aproximadamente R$ 220 milhões. Desse total, US$ 3 milhões seriam em dinheiro e outros US$ 40 milhões envolveriam propriedades e carteiras de crédito.
GDA Luma aparece entre os réus da ação
Segundo os documentos do processo, a Credivalores iniciou uma reorganização financeira em maio de 2024. Na ocasião, a empresa buscava reestruturar uma dívida de US$ 210 milhões e substituir os títulos antigos por US$ 165 milhões em novos papéis.
No entanto, o administrador judicial afirma que acionistas controladores teriam movimentado ativos da companhia durante esse processo. Entre os citados estão GDA Luma, Gramercy, Acon e Crediholding.
De acordo com a acusação, algumas dessas operações teriam beneficiado os próprios acionistas pouco antes do pedido de recuperação. Por isso, o processo busca reverter transferências consideradas irregulares pela administração judicial.
Processo cita pagamento de US$ 3 milhões
Um dos pontos da ação envolve um acordo relacionado a empréstimos feitos pelos próprios acionistas à Credivalores. Segundo o documento, esse acordo previa pagamentos de US$ 8,5 milhões aos investidores.
A acusação afirma que, mesmo após orientações contrárias de advogados, os acionistas receberam US$ 3 milhões na semana anterior ao pedido de recuperação. O administrador judicial tenta agora recuperar esse valor.
Além disso, o processo afirma que essas operações aconteceram em um momento no qual a empresa já enfrentava dificuldades financeiras. Por isso, a Justiça americana vai analisar se houve favorecimento indevido aos acionistas.
Transferências questionadas
Outro ponto importante envolve carteiras de empréstimos consignados da Credivalores. Segundo o processo, mais de US$ 40 milhões nesses ativos foram transferidos para o banco Ban100 entre junho e julho de 2024.
O administrador judicial afirma que algumas operações ocorreram sem pagamento em dinheiro. Além disso, sustenta que esses ativos faziam parte das garantias prometidas aos credores durante a reestruturação da dívida.
Segundo a ação, a Justiça responsável pelo processo de recuperação também não teria autorizado essas transferências. Dessa forma, o administrador busca devolver os ativos à massa falida.
Gabriel de Alba aparece citado no processo
A ação detalha a participação de diferentes integrantes e empresas ligados à GDA Luma. O grupo é descrito como uma consultoria de investimentos registrada na SEC, órgão que regula o mercado financeiro dos Estados Unidos.
Segundo o documento, a GDA Luma administra cerca de US$ 592 milhões, aproximadamente R$ 3 bilhões. Além disso, o grupo possuía participação de 20% na Credivalores e em empresas ligadas ao Ban100.
Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da GDA Luma, aparece nominalmente em um trecho sobre a governança da companhia. Segundo o administrador judicial, ele era consultado sobre decisões comerciais importantes da Credivalores.
Ação começou enquanto grupo avançava pela SAF do Botafogo
O processo ganhou relevância no Brasil porque ocorre no mesmo período em que a GDA Luma avançou para assumir a SAF do Botafogo. Em junho, o clube associativo assinou um acordo vinculante com o grupo.
Pelo documento, a GDA Luma pagaria US$ 105 milhões, cerca de R$ 538 milhões, para adquirir 90% das ações da SAF. Dessa forma, o grupo assumiria o controle majoritário da companhia.
Até o momento, o Botafogo não anunciou qualquer mudança no acordo por causa da ação nos Estados Unidos. Procurada, a assessoria da SAF informou que não pretende se manifestar publicamente sobre o processo neste momento.
Justiça ainda analisa processo
As acusações fazem parte de uma ação judicial e ainda precisam ser analisadas pelo tribunal americano. Portanto, os documentos representam os argumentos apresentados pelo administrador da massa falida da Credivalores.
A GDA Luma já constituiu defesa no processo. O último movimento citado foi o registro oficial de sua representação no tribunal, realizado em 23 de julho.
Enquanto o caso avança nos Estados Unidos, a negociação pela SAF do Botafogo segue sob atenção. Isso acontece porque a GDA Luma aparece como potencial controladora do clube e, ao mesmo tempo, precisa responder às acusações apresentadas no processo.

