Gianni Infantino, Presidente da FIFA (Crédito: Alamy Live News)
A crise da Fifa com Presidente Gianni Infantino atravessa o momento mais delicado de sua gestão à frente do futebol mundial. Em meio a uma forte pressão, o dirigente suíço convocou uma reunião de emergência em Rabat, no Marrocos. Isso acontece após perder sustentação entre aliados e sofrer forte oposição global por conta de um projeto bilionário de venda de ações.
Resistência interna e ameaça de boicote
A turbulência começou com a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa criada para administrar os principais torneios do planeta, como a Copa do Mundo e o Novo Mundial de Clubes. Isso porque a ideia previa vender participações minoritárias a investidores privados com a promessa de arrecadar até US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões), sem que a Fifa perdesse o controle da operação. O plano, porém, foi visto como uma decisão tomada sem debate e gerou reação imediata das confederações.
A Uefa liderou o levante ao avisar que suas 55 federações poderiam boicotar futuras competições da Fifa. Movimento que ganhou a adesão da Concacaf e da Confederação Asiática (AFC). No entanto, sem pauta oficial divulgada para o encontro desta quarta-feira, jornais como Sky Sports e The Times apontam que Infantino tenta agora estancar a sangria política e contornar a rejeição de nomes de peso da própria entidade.
Marrocos segue como aliado do presidente
Mesmo pressionado, Infantino mantém aliados importantes dentro do futebol mundial. Um dos principais é o Marrocos, país que receberá parte da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Espanha e Portugal.
Na última semana, o presidente da Fifa participou das comemorações do Dia do Trono, cerimônia que marca a ascensão do rei Mohammed VI ao poder. A presença reforçou a proximidade entre Infantino e o governo marroquino em meio ao momento de instabilidade política.
Além disso, a Conmebol ainda não fez críticas públicas ao dirigente, o que pode representar um apoio relevante caso a crise avance.
Presidente ainda enfrenta risco político
Apesar da desistência do projeto, a pressão sobre Gianni Infantino continua elevada. A Uefa já defendeu abertamente uma mudança na presidência da Fifa, enquanto dirigentes da entidade discutem os próximos passos diante do desgaste provocado pela proposta.
Caso a insatisfação aumente, o Conselho da Fifa poderá convocar uma reunião extraordinária para discutir o futuro do presidente. Para isso, são necessários os pedidos de pelo menos 19 dos 37 integrantes do órgão.
Infantino tenta preservar apoio suficiente para permanecer no cargo até a eleição marcada para março, quando pretende disputar o quarto e último mandato à frente da Fifa. A reunião desta quarta-feira pode ser decisiva para medir o tamanho do respaldo político que ainda possui dentro da entidade.

