Liverpool vende 30% das ações para grupo com brasileiro e Jeff Bezos por R$ 11,6 bilhões
Clube inglês mantém Fenway Sports Group como acionista majoritário
Eduardo Saverin. Foto Alamy.
O Liverpool oficializou a venda de 30% de suas ações para a 1892 Holdings, consórcio liderado pelo empresário britânico Amit Bhatia. O grupo conta ainda com investimentos ligados a Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Eduardo Saverin, brasileiro cofundador do Facebook.
O acordo movimenta 1,65 bilhão de libras, aproximadamente R$ 11,6 bilhões na cotação atual. Além disso, a operação atribui ao Liverpool uma avaliação de 5,5 bilhões de libras, cerca de R$ 38,9 bilhões.
Quem comprou 30% do Liverpool?
A 1892 Holdings reúne alguns dos investidores mais ricos do mundo. Amit Bhatia lidera e administra o consórcio, cujo nome faz referência justamente ao ano de fundação do Liverpool.
Também fazem parte do grupo a Mittal Family Trusts, a K5 Sports e a EE Capital. A K5 Sports pertence à gestora K5 Global e tem Jeff Bezos como principal investidor. Já a EE Capital funciona como escritório familiar de Eduardo Saverin e sua esposa, Elaine.
Bhatia, por sua vez, já possui experiência no futebol inglês. O empresário britânico de origem indiana tornou-se acionista do Queens Park Rangers em 2007 e deixou sua participação no clube apenas no mês passado.
Fenway Sports Group continua no controle do Liverpool
Apesar do tamanho da operação, a Fenway Sports Group não vendeu o controle do Liverpool. A empresa norte-americana permanece como acionista majoritária e, portanto, segue comandando o clube.
O FSG adquiriu o Liverpool em 2010 por 300 milhões de libras, valor equivalente a aproximadamente R$ 800 milhões na época. Agora, 16 anos depois, a operação com a 1892 Holdings avalia o clube inteiro em 5,5 bilhões de libras.
Nesse período, o Liverpool também voltou ao topo do futebol inglês e europeu. O clube conquistou as Premier Leagues de 2019/20 e 2024/25, além da Champions League de 2018/19.
Além do Liverpool, o FSG possui outros investimentos importantes no esporte. Entre eles está o Boston Red Sox, uma das principais franquias da Major League Baseball (MLB).
Venda de ações do Liverpool ainda depende de aprovação
Embora o Liverpool tenha oficializado o acordo, a conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento das condições previstas na negociação.
Entre as etapas está o teste de proprietários e diretores realizado pela Premier League. O procedimento avalia os novos investidores antes da conclusão definitiva da entrada no quadro societário e pode levar até 90 dias.
Portanto, a 1892 Holdings já possui um acordo para adquirir os 30%, mas o fechamento formal da transação ainda precisa superar essas etapas.
Amit Bhatia pode ampliar participação no futuro
A entrada da 1892 Holdings também abre espaço para possíveis mudanças futuras na composição acionária do Liverpool. Segundo o jornal The Times, Amit Bhatia estaria bem posicionado para adquirir novas ações caso o FSG decida reduzir novamente sua participação.
Por enquanto, porém, não há indicação de uma venda do controle. Bhatia destacou que o objetivo do grupo é trabalhar ao lado do atual proprietário e apoiar o crescimento do Liverpool.
“Estamos fazendo esse investimento porque acreditamos profundamente no Liverpool e em sua liderança, e esperamos apoiar o sucesso contínuo do clube nos próximos anos”, afirmou Bhatia.
Dessa forma, o negócio representa a chegada de novos investidores bilionários, mas preserva a atual estrutura de comando dos Reds.
Liverpool não vendeu ações por causa de crise financeira
A negociação também não aconteceu em meio a dificuldades financeiras do Liverpool. Pelo contrário, os números recentes mostram um clube com receitas elevadas e capacidade significativa de investimento.
No último período contábil, o Liverpool registrou receita recorde de 703 milhões de libras, aproximadamente R$ 4,97 bilhões. Além disso, o clube desembolsou cerca de 550 milhões de libras, ou R$ 3,89 bilhões, em transferências nos últimos 14 meses.
O presidente da FSG, Mike Gordon, relacionou a operação ao planejamento de longo prazo do clube. Segundo o dirigente, o Liverpool busca tomar decisões pensando além dos resultados de apenas uma temporada.
A venda de 30% das ações, portanto, funciona como uma abertura para novos parceiros estratégicos. Ao mesmo tempo, mantém o FSG no controle de um clube que aumentou significativamente seu valor desde a aquisição realizada em 2010.

