Situação financeira do Vasco segue complicada (Crédito: Fabio Giannelli/AGIF/Alamy Live News)
A 777 Carioca LLC chegou a um acordo com o Vasco para encerrar as divergências que ainda estavam em discussão na arbitragem entre as partes. Além de solucionar esse conflito, a antiga controladora da SAF informou que não pretende criar obstáculos para a venda de 90% das ações da nova SAF que o clube pretende constituir.
A manifestação representa um passo importante para a reorganização societária planejada pelo Vasco. Com a concordância da 777, o clube elimina um dos possíveis entraves para avançar com a criação da nova empresa e, posteriormente, buscar um investidor disposto a assumir seu controle.
Vasco e 777 encerram disputa na arbitragem
Club de Regatas Vasco da Gama, Vasco da Gama SAF e 777 Carioca LLC apresentaram conjuntamente a manifestação no processo de recuperação judicial. No documento, as partes comunicaram que chegaram a um acordo relacionado ao Procedimento Arbitral nº 10/2024, conduzido pela Câmara FGV de Mediação e Arbitragem.
A arbitragem concentrava divergências surgidas após o rompimento entre o Vasco e a 777. Agora, com a solução consensual, a empresa retirou eventuais obstáculos relacionados à reorganização do futebol prevista pelo clube.
Além disso, a 777 declarou concordar com as medidas estabelecidas no Plano de Recuperação Judicial. Entre elas está justamente a criação de uma nova Sociedade Anônima do Futebol.
Dessa forma, a resolução não se limita ao encerramento da disputa arbitral. O entendimento também permite que o Vasco avance nas próximas etapas do modelo criado para buscar um novo controlador para o futebol.
777 não vai impedir venda de 90% da nova SAF
Um dos pontos mais importantes do acordo envolve diretamente a futura venda da SAF. A 777 informou que não fará oposição ao processo competitivo que definirá o comprador de 90% das ações da nova empresa.
A companhia também declarou não ter objeções à conclusão desse procedimento e à posterior transferência da participação majoritária para o vencedor. Portanto, o antigo investidor não pretende utilizar a disputa anterior para bloquear judicialmente a operação prevista pelo Vasco.
O acordo, porém, não significa que o Vasco já tenha vendido a SAF ou definido seu próximo controlador. O documento apenas retira um possível obstáculo para que o processo previsto na recuperação judicial possa avançar.
A escolha do investidor ainda dependerá das etapas seguintes. Nesse processo, interessados poderão disputar a aquisição da participação de 90% que dará ao vencedor o controle da nova SAF.
Como funcionará a criação da nova SAF do Vasco?
O planejamento prevê uma mudança importante na estrutura atualmente utilizada pelo futebol vascaíno. Primeiro, os ativos desportivos vinculados à atual Vasco da Gama SAF serão transferidos para uma nova empresa.
Essa operação é conhecida como dropdown. Na prática, ela permitirá concentrar os ativos ligados ao futebol na nova sociedade que será utilizada na reorganização.
Posteriormente, o plano prevê a criação de uma Unidade Produtiva Isolada, chamada de UPI Equity. Será por meio dessa estrutura que 90% das ações da nova SAF poderão ser colocadas à venda judicialmente.
O processo competitivo servirá para selecionar o comprador dessa participação. Dessa forma, o Vasco busca construir uma nova estrutura societária para substituir o modelo iniciado com a entrada da 777.
Acordo elimina um dos obstáculos para buscar novo investidor
A posição da 777 tinha importância porque a empresa esteve diretamente envolvida na estrutura societária da SAF original. Uma disputa ainda aberta poderia acrescentar incerteza jurídica ao processo de reorganização e dificultar a entrada de um novo investidor.
Com o acordo na arbitragem, esse risco diminui. A 777 não apenas aceitou encerrar as divergências como também declarou expressamente que não pretende se opor às etapas previstas para a criação e venda da nova SAF.
Isso não significa que todo o processo esteja concluído. O Vasco ainda precisa cumprir as etapas previstas na recuperação judicial e realizar o procedimento competitivo para definir quem poderá adquirir os 90% colocados à venda.
Ainda assim, o entendimento representa um avanço na tentativa de reorganizar o futebol do clube. Ao retirar a disputa com a 777 desse caminho, o Vasco ganha espaço para concentrar seus esforços na busca por um novo controlador.
Vasco avança no processo para definir futuro da SAF
O acordo ocorre em um momento no qual o Vasco tenta definir uma nova estrutura para seu futebol depois do rompimento com a 777. A solução passa pela recuperação judicial e pela criação de uma nova empresa capaz de receber investimentos.
A venda de 90% das ações permitirá que um novo grupo assuma a participação majoritária. Entretanto, antes disso, o clube precisará concluir a reorganização dos ativos e estruturar a UPI que será utilizada na operação.
Por enquanto, portanto, não existe um novo dono definido para a SAF. A principal novidade é que a 777 deixou de representar um possível obstáculo para essa mudança e concordou com a realização do processo competitivo.
Com a disputa arbitral solucionada, o Vasco consegue avançar em uma das etapas mais importantes para reformular sua estrutura societária. O próximo desafio será transformar esse caminho jurídico em uma operação capaz de atrair um novo investidor para assumir o controle do futebol.

