Brasil vence Austrália. Foto: SPP Sport Press Photo. /Alamy Live News
A Seleção Brasileira finalmente conseguiu sua primeira vitória depois da Copa do Mundo de 2026. Nesta terça-feira (29), o Brasil levou um susto, sofreu uma virada, mas reagiu para vencer a Austrália por 4 a 2 no Suncorp Stadium, em Brisbane.
Mais do que o resultado, a atuação apresentou uma evolução em relação ao empate por 1 a 1 entre as seleções na última sexta-feira. O Brasil finalizou 18 vezes, contra apenas sete dos australianos, e criou quatro grandes chances. Por outro lado, as falhas defensivas e a insegurança em alguns momentos mostraram que Carlo Ancelotti ainda tem bastante trabalho pela frente.
Brasil muda esquema e começa pressionando a Austrália
Ancelotti mudou sete jogadores e também alterou a estrutura da equipe. Depois de utilizar o 4-2-4 em partidas anteriores, o italiano apostou no 4-3-3, com Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo formando o meio-campo.
A mudança ajudou principalmente na construção das jogadas. Com um jogador a mais no setor, o Brasil conseguiu circular melhor a bola e aproximar seus homens de ataque. Bontempo, inclusive, precisou de apenas dois minutos para participar diretamente de um gol em sua estreia como titular.
O jogador do Santos recebeu pela direita e encontrou Vanderson. O lateral finalizou com força e abriu o placar. A Seleção continuou pressionando. Raphinha obrigou o goleiro Beach a trabalhar em duas oportunidades, enquanto Danilo também apareceu na entrada da área. A vantagem brasileira naquele momento parecia natural.
Falhas permitem virada da Austrália em cinco minutos
Depois dos 25 minutos, o Brasil perdeu intensidade e passou a oferecer espaços. A Austrália aproveitou. Aos 28, Otávio saiu mal em uma cobrança de escanteio, Rayan também não conseguiu afastar e Circati aproveitou a sobra para empatar. A estreia do goleiro da Seleção, portanto, ficou marcada por momentos de insegurança, inclusive na saída de bola.
Apenas cinco minutos depois, Metcalfe recebeu livre na entrada da área e acertou uma bela finalização. Em um intervalo muito curto, o Brasil transformou o controle da partida em uma desvantagem de 2 a 1.
Ainda assim, diferentemente do primeiro amistoso, a equipe conseguiu reagir antes do intervalo. Danilo entrou na área e sofreu pênalti após revisão do VAR. Raphinha cobrou forte e deixou tudo igual.
O primeiro tempo terminou em 2 a 2, mas também evidenciou o contraste da atuação brasileira: mais capacidade para criar e atacar, porém ainda vulnerável quando perdia o controle do jogo.
Endrick entra e muda a dinâmica do ataque
Raphinha sentiu um desconforto na coxa direita e não voltou para o segundo tempo. Com isso, Endrick ganhou uma oportunidade e mudou algumas características do ataque.
O centroavante passou a oferecer uma referência mais clara pelo meio. Além disso, atacou espaços, participou da construção e abriu possibilidades para Vini Jr jogar mais próximo da área.
Em uma de suas primeiras participações, Endrick arrancou em jogada individual, passou por adversários e encontrou Vini Jr. A sequência terminou com Danilo bloqueado pela defesa. Pouco depois, Gabriel Magalhães também obrigou Beach a fazer uma grande defesa em cabeçada.
A Austrália ainda conseguiu ameaçar em alguns momentos. Circati, por exemplo, desperdiçou uma ótima oportunidade após cobrança de escanteio. No entanto, ao contrário do que aconteceu durante parte da etapa inicial, o Brasil não perdeu novamente o controle por um período prolongado.
Bruno Guimarães vira e Vini Jr cresce no segundo tempo
Ancelotti voltou a mexer e colocou Matheuzinho, Andrey Santos e Estêvão. As alterações deram novo fôlego à equipe, enquanto Danilo e Bruno Guimarães passaram a encontrar mais liberdade para avançar. Foi justamente Bruno quem recolocou o Brasil na frente.
Danilo iniciou a construção no meio e encontrou Vini Jr pelo lado esquerdo. O atacante avançou e acionou Endrick, que cruzou para Bruno Guimarães aparecer livre na área e completar para o gol.
A jogada resumiu uma das principais diferenças da Seleção no segundo tempo. O Brasil conseguiu envolver a Austrália com mais jogadores participando do ataque, em vez de depender exclusivamente de ações individuais pelos lados.
Vini Jr também cresceu bastante. Depois de um primeiro tempo discreto, o camisa 7 passou a atacar os defensores e participar com maior frequência das jogadas decisivas.
Primeiro, encontrou Estêvão para uma finalização que exigiu grande defesa de Beach. Depois, entrou na área em velocidade e sofreu pênalti de Irankunda. O próprio Vini cobrou rasteiro e marcou o quarto.
Brasil cria 18 finalizações e apresenta evolução ofensiva
Os números ajudam a mostrar a diferença para a atuação anterior. Apesar de terminar com 51% de posse de bola, praticamente equilibrada com os 49% da Austrália, o Brasil produziu muito mais no ataque.
Foram 18 finalizações brasileiras contra sete dos donos da casa. A Seleção também criou quatro grandes chances, enquanto a Austrália teve duas. Nos escanteios, nova vantagem brasileira: seis a quatro.
O goleiro Beach precisou realizar quatro defesas. Do outro lado, o Brasil não registrou defesa de seu goleiro, embora tenha sofrido dois gols.
Além disso, a equipe de Ancelotti completou 475 passes, contra 449 dos australianos. Os números reforçam que a superioridade não apareceu necessariamente pelo domínio da posse, mas principalmente pela capacidade de transformar as jogadas em chegadas ao gol.
Ainda houve problemas. A defesa permitiu que a Austrália virasse o jogo em apenas cinco minutos e também concedeu oportunidades no segundo tempo. Otávio mostrou insegurança em sua estreia, enquanto a equipe voltou a sofrer em bolas paradas. Mesmo assim, ofensivamente o Brasil deu uma resposta bem diferente daquela apresentada quatro dias antes.
Bontempo aproveita oportunidade e meio-campo ganha força
Entre os testes de Ancelotti, Gabriel Bontempo deixou uma impressão positiva. O jovem participou do primeiro gol logo no começo e ajudou a dar ao Brasil uma estrutura diferente no meio.
A presença de três jogadores no setor também beneficiou Danilo e Bruno Guimarães. Danilo sofreu o pênalti do segundo gol e iniciou a jogada que terminou na virada, enquanto Bruno apareceu dentro da área para marcar o terceiro.
Dessa forma, o 4-3-3 surge como uma alternativa importante para Ancelotti depois das dificuldades encontradas quando o treinador colocou quatro atacantes simultaneamente.
Endrick também aproveitou os minutos que recebeu. O atacante entrou no intervalo, aumentou a presença brasileira dentro da área e participou diretamente da construção do terceiro gol.
Já Vini Jr conseguiu terminar a partida como um dos protagonistas depois de uma etapa inicial apagada. Participou da jogada do gol de Bruno Guimarães, criou oportunidade para Estêvão, sofreu o pênalti e marcou o quarto.
Vitória não apaga problemas, mas Brasil dá resposta após empate
O 4 a 2 não significa que os problemas desapareceram. A Austrália conseguiu novamente incomodar a Seleção e expôs dificuldades defensivas que podem custar caro diante de adversários mais fortes.
Ainda assim, a atuação apresentou sinais melhores. O Brasil criou mais, teve um meio-campo mais presente e conseguiu reagir depois de sofrer a virada. Além disso, as substituições de Ancelotti melhoraram a equipe durante o segundo tempo.
Depois do empate por 1 a 1 no primeiro amistoso, era justamente uma resposta que a Seleção precisava apresentar. Agora, Ancelotti terá mais uma oportunidade para fazer testes nesta Data Fifa. O Brasil enfrenta a Índia no sábado (3), às 11h de Brasília, no Estádio Salt Lake, em Calcutá. Será o primeiro confronto entre as duas seleções na história.

