CEO do Maracanã admite problema no gramado após críticas e anuncia mudança para 2027
Fred Nantes reconhece que campo está abaixo da qualidade esperada, mas nega negligência
Jogos no Maracanã seguem gerando polêmica entre Flamengo e Vasco (Crédito: Alamy Live News)
O Maracanã reconheceu que seu gramado não apresenta atualmente a qualidade desejada. Fred Nantes, CEO do consórcio que administra o estádio, admitiu o problema nesta sexta-feira (11), durante entrevista coletiva para apresentar o planejamento de manutenção até o fim de 2026.
A administração, entretanto, negou que exista negligência. Além de apontar o elevado número de partidas, o Maracanã apresentou dados sobre chuvas, temperatura, intervalo entre jogos e condições fisiológicas da grama. Para 2027, o estádio já decidiu substituir a espécie utilizada atualmente.
Maracanã reconhece gramado abaixo do esperado
Fred Nantes admitiu a insatisfação com o estado atual do campo. O dirigente afirmou que a administração também está frustrada, mas defendeu que a avaliação considere as condições enfrentadas pelo estádio durante a temporada.
“Reconhecemos que não tá na qualidade que a gente gostaria. Não dá pra dizer diferente. A frustração nossa é grande, mas a gente precisa fazer uma análise bastante criteriosa quando a gente critica. Sempre baseada em dados técnicos. Não há negligência com o gramado”, afirmou.
As críticas aumentaram nas últimas semanas. Guga, do Fluminense, disse não se lembrar de um “gramado tão ruim” no futebol brasileiro, enquanto Léo Pereira e Samuel Lino, do Flamengo, também reclamaram das condições do campo.
Maracanã compara calendário com Castelão e San Siro
Um dos principais argumentos apresentados pela administração envolve a utilização intensa do estádio. Até o fim de setembro, o Maracanã terá recebido 58 partidas, enquanto o Castelão, segundo colocado entre os estádios brasileiros citados no levantamento, chegará a 51.
Fred também comparou os números com o San Siro, utilizado por Milan e Inter de Milão. De acordo com os dados apresentados, o estádio italiano soma 31 partidas no mesmo período, contra 58 do Maracanã.
“Até o fim do ano, o Maracanã terá o dobro de jogos que o segundo colocado do Brasil, o Castelão. Hoje está 58 x 51. Comparado ao resto do mundo, a comparação com o San Siro, que também tem dois clubes, é de 58 x 31 no momento”, explicou.
Chuva e inverno mais quente prejudicaram o gramado
O Maracanã apresentou cinco fatores considerados essenciais para avaliar as condições do campo. Quatro deles pioraram de 2025 para 2026, entre eles a quantidade de partidas realizadas sob chuva ou até 24 horas depois de precipitações, indicador que cresceu 26%.
Além disso, houve queda na densidade vegetal e na atividade fisiológica da grama. O menor intervalo para recuperação entre partidas também aparece entre os fatores utilizados para explicar a deterioração.
“Nos últimos dois dias, choveu 40 mm, isso é um absurdo. Com o campo assim, fica macio e não podemos entrar em campo com máquinas pesadas porque marca o campo. O dano de entrar pra fazer algo é pior do que não fazer nada”, explicou Fred.
Número de jogos caiu, mas condições pioraram
Curiosamente, o tempo de utilização do gramado diminuiu na comparação com o ano passado. Em 2025, o campo acumulou aproximadamente 1.800 minutos entre aquecimentos e partidas oficiais no período analisado.
Em 2026, esse número caiu para cerca de 1.560 minutos. Entretanto, segundo o estudo apresentado, a redução não foi suficiente para compensar os outros fatores que prejudicaram a recuperação do gramado.
A combinação entre um inverno mais quente e chuvas fortes deixou o piso mais úmido e com menor densidade. Como os intervalos entre os jogos também foram reduzidos, a equipe responsável pelo campo encontrou menos oportunidades para realizar intervenções profundas.
Maracanã terá nova manutenção antes da NFL
O gramado já passou por uma manutenção em 25 de agosto, aproveitando uma semana sem partidas de Flamengo e Fluminense. Na ocasião, o trabalho também foi utilizado pelos clubes como argumento para não liberar o estádio ao Vasco na Copa do Brasil.
Agora, uma nova intervenção deve acontecer em setembro. O planejamento considera também a partida da NFL marcada para o dia 27 no Maracanã.
O cronograma continuará até o encerramento da temporada. Entretanto, a solução considerada mais importante pela administração acontecerá somente depois do Brasileirão, quando todo o gramado começará a ser substituído.
Maracanã trocará espécie de grama para 2027
A partir da próxima temporada, o estádio utilizará a chamada “Celebration Hybrid”. Atualmente, o Maracanã conta com a “Bermuda Celebration”.
Segundo o consórcio, a nova espécie apresenta maior resistência e também permite mais flexibilidade para reformas e tratamentos. A escolha busca adaptar o campo a um calendário com grande quantidade de partidas e poucos períodos de recuperação.
A retirada completa do gramado atual começará depois da 38ª rodada do Campeonato Brasileiro. Posteriormente, ainda em dezembro, terá início o plantio da nova espécie.
Mudança afeta tradicional Jogo das Estrelas
A reforma terá impacto direto no Jogo das Estrelas, evento tradicionalmente organizado por Zico no fim do ano. Em 2026, a partida não poderá acontecer na semana do Natal devido ao processo de substituição do campo.
A organização procura uma alternativa. Uma possibilidade é antecipar o evento para antes da última rodada do Brasileirão, enquanto outra seria transferi-lo para 2027, depois da conclusão do trabalho.
Dessa forma, o consórcio pretende utilizar o período imediatamente posterior ao encerramento da temporada para realizar uma mudança mais profunda, em vez de apenas novos reparos no gramado atual.
Troca não foi motivada pela Copa do Mundo Feminina
O Maracanã também receberá nove partidas da Copa do Mundo Feminina de 2027. Fred Nantes, porém, negou que a mudança da grama tenha sido determinada pela realização da competição.
“Eu não posso pensar em nove jogos de Copa quando tenho mais de 70 dos clubes que mantêm o estádio durante 20 anos. Vamos colocar a espécie mais resistente até para aguentar os nove jogos adicionais no próximo ano”, afirmou.
Segundo o CEO, o objetivo principal é aumentar a capacidade do gramado de suportar o calendário regular de Flamengo e Fluminense. A Copa do Mundo, portanto, representa uma demanda adicional, mas não seria a razão principal para a substituição.

