Home Futebol Ex-jogador da Copa de 90 faz previsão pessimista sobre a Seleção Brasileira: “Não vai ser campeã nunca mais”

Ex-jogador da Copa de 90 faz previsão pessimista sobre a Seleção Brasileira: “Não vai ser campeã nunca mais”

Silas aponta problemas na formação de atletas, critica número de estrangeiros nos clubes e afirma que crise brasileira vai além do trabalho de Carlo Ancelotti

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Ex-jogador da Copa de 90 faz previsão pessimista sobre a Seleção Brasileira: “Não vai ser campeã nunca mais”

Silas, comentarista esportivo (Reprodução/ESPN)

Ex-jogador da Seleção Brasileira e treinador com passagens por Grêmio e Flamengo, Paulo Silas fez uma análise bastante pessimista sobre o futuro do futebol nacional. Durante participação em um programa da ESPN Argentina, ele afirmou que não acredita em um novo título mundial do Brasil.

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Silas relacionou o momento da Seleção a diferentes problemas estruturais, desde a formação de jogadores até a perda de influência do futebol brasileiro. Entretanto, alguns dos argumentos apresentados pelo ex-meia encontram contrapontos nos próprios números de outras grandes ligas.

Silas diz que Brasil não voltará a ganhar a Copa

Silas não demonstrou confiança em uma recuperação da Seleção Brasileira nos próximos ciclos. Ao discutir o momento da equipe nacional, o treinador apresentou uma previsão categórica.

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“O Brasil não vai ser campeão nunca mais”, decretou.

Na avaliação do ex-jogador, a crise não passa principalmente pelo comando de Carlo Ancelotti. Silas evitou responsabilizar o treinador e direcionou suas críticas para a qualidade e a formação dos jogadores brasileiros.

Ele também colocou Argentina e Portugal à frente do Brasil no cenário atual. Ao falar sobre a última Copa do Mundo, Silas lembrou ainda confrontos históricos contra os argentinos para reforçar sua avaliação sobre a diferença entre as seleções.

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“A Argentina está à nossa frente. Portugal está à nossa frente, sem ter ganho nada. É melhor que tenhamos pegado a Noruega. Senão, teríamos pegado a Argentina. Teria sido ainda pior”, afirmou.

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Ex-jogador culpa estrangeiros por perda de espaço de jovens

Um dos principais argumentos apresentados por Silas envolve o crescimento da presença de estrangeiros no Campeonato Brasileiro. Segundo ele, os clubes ocupam espaços que poderiam servir para desenvolver jogadores formados nas categorias de base.

O treinador usou o Grêmio como exemplo e afirmou que o clube possui 13 estrangeiros. O número citado por Silas, porém, estava incorreto: a equipe conta com 11 jogadores estrangeiros.

“Grêmio, um exemplo só. Tem 13 estrangeiros, nenhum joga na seleção de seu país como titular, e estão bloqueando o desenvolvimento dos meninos que estão para surgir. Porque está cheio de estrangeiros. Podem jogar nove”, declarou.

Os números de outras ligas, entretanto, colocam a relação feita por Silas em discussão. O Brasileirão tem 24,8% de estrangeiros, enquanto a La Liga registra 42,4%.

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O Barcelona também oferece um contraponto. Mesmo com 48,1% de estrangeiros em seu elenco, o clube conseguiu desenvolver recentemente jogadores como Lamine Yamal e Pau Cubarsí. Portanto, a presença de atletas de outros países, isoladamente, não impede necessariamente a revelação de jovens.

Silas critica formação de camisas 9, 10 e laterais

Silas também apontou uma mudança no perfil dos jogadores revelados pelo futebol brasileiro. Para ele, o país perdeu referências em posições historicamente associadas à Seleção.

“Os jogadores de hoje nem sabem quem são seus ídolos. Jogam em qualquer lugar. Não temos mais nem 10 e nem 9 há quanto tempo?”, questionou.

O ex-meia foi ainda mais crítico quando Oscar Ruggeri perguntou sobre a formação de laterais. Silas relacionou a falta de jogadores da posição a uma mudança de interesse entre os jovens.

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“Ninguém mais quer ser lateral. Não dá like”, disparou.

Apesar das críticas gerais, Silas evitou apontar jogadores específicos como responsáveis pelo momento brasileiro. Ao contrário, destacou positivamente Vini Jr. e afirmou que o atacante compreendeu as exigências de atuar em um clube como o Real Madrid.

Silas vê perda de influência do Brasil no futebol

Outro ponto levantado pelo treinador envolve a influência política do futebol brasileiro. Silas comparou o cenário atual com o período em que João Havelange comandava a Fifa e afirmou que o país perdeu poder dentro e fora de campo.

“Estamos atrasados. Antes, quando Havelange era presidente da FIFA, tínhamos poder externo, tínhamos poder interno. Hoje não temos poder externo, não temos poder interno”, declarou.

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Havelange presidiu a Fifa entre 1974 e 1998. Posteriormente, seu período à frente da entidade ficou marcado também por acusações e investigações relacionadas a corrupção, suborno e recebimento indevido de dinheiro.

Silas, portanto, reuniu problemas técnicos, estruturais e políticos para justificar sua previsão sobre a Seleção. Sua conclusão foi pessimista, embora parte dos argumentos apresentados encontre exemplos contrários em outros países que mantêm forte presença de estrangeiros e continuam revelando jogadores.

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