Home Futebol Investidores da FFU aceitam negociar liga única com CBF, mas impasse bilionário trava acordo

Investidores da FFU aceitam negociar liga única com CBF, mas impasse bilionário trava acordo

Grupo que aportou R$ 2,5 bilhões admite discutir novo modelo para o futebol brasileiro, mas tem poder de veto

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
Investidores da FFU aceitam negociar liga única com CBF, mas impasse bilionário trava acordo

Brasileirão também é patrocinado por uma casa de apostas (Crédito: Marlon Costa/AGIF)

Os investidores da Futebol Forte União (FFU) estão dispostos a negociar com a CBF para viabilizar a criação de uma liga única no futebol brasileiro. A possibilidade de adaptar a estrutura atual e até unir os blocos já fazia parte dos cenários considerados pelas empresas que investiram no projeto.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Entretanto, existe um obstáculo importante para um eventual acordo. Os investidores mantêm poder de veto sobre decisões relacionadas aos direitos de transmissão, enquanto a CBF considera esse modelo incompatível com a estrutura que pretende criar para uma liga nacional.

Por que os investidores da FFU têm poder de veto?

Os investidores da FFU aportaram R$ 2,5 bilhões no projeto. Entre eles estão Sports Media Entertainment (SME), General Atlantic e XP Investimentos, que participam da estrutura empresarial montada para administrar o bloco.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O Condomínio Forte União (CFU) possui um comitê que funciona de maneira semelhante ao conselho de administração de uma empresa. Antes de uma proposta envolvendo direitos de transmissão chegar à assembleia dos clubes, ela precisa passar pelo crivo desse comitê.

“Coloquei R$ 2,5 bilhões nesse negócio, quero ter veto em mudanças absurdas, drásticas”, explicou ao Lance! um executivo ligado a um dos investidores, que teve sua identidade preservada.

Segundo ele, o objetivo não é controlar decisões esportivas ou administrativas dos clubes. O argumento é que os direitos de transmissão representam a fonte de receita do investimento e, portanto, mudanças nesse modelo precisam da concordância de quem colocou dinheiro no negócio.

PUBLICIDADE

CBF vê modelo como obstáculo para liga única

É justamente essa estrutura que provoca resistência dentro da CBF. A entidade pretende assumir um papel central na negociação comercial de uma eventual liga única e não quer que uma proposta aprovada pelos clubes possa ser bloqueada posteriormente por investidores externos.

PUBLICIDADE

Hoje existe uma espécie de poder compartilhado. Os investidores não conseguem impor um contrato aos clubes, pois a negociação precisa passar pela assembleia. Ao mesmo tempo, os clubes também não conseguem aprovar determinados acordos de transmissão sem o aval dos investidores.

Assim, o problema surgiria caso CBF e clubes considerassem uma proposta comercial interessante, mas os investidores entendessem que ela prejudica economicamente o negócio no qual aportaram bilhões.

Investidores dizem que tudo pode ser negociado

Apesar do impasse, os investidores indicam que o modelo pode ser discutido. O entendimento é que uma liga única pode aumentar o valor comercial do Campeonato Brasileiro e, consequentemente, beneficiar também quem investiu na FFU.

“Se tiver e mostrar uma estrutura comercial que me faça enxergar esse sucesso na venda, como a gente teve comprovadamente no primeiro ciclo, tudo é negociável”, afirmou o executivo ouvido pelo Lance!.

PUBLICIDADE

Ele também descartou, neste momento, tratar a solução simplesmente como uma recompra dos direitos pelos clubes. A discussão envolve a avaliação econômica do negócio e as garantias necessárias para proteger o investimento realizado.

FFU tem contratos de 50 anos com clubes

Os integrantes da FFU assinaram contratos que preveem a cessão de percentuais entre 10% e 20% das receitas de direitos de transmissão para a SME durante 50 anos. Corinthians, Cruzeiro, Fluminense e Internacional estão entre os clubes que fazem parte do bloco.

A longa duração dos acordos é explicada pelos investidores pelo tamanho do aporte inicial. Segundo o executivo, os R$ 2,5 bilhões investidos já representam mais de R$ 3 bilhões quando considerados os juros envolvidos na operação.

“Um clube da Série B me dá R$ 1,5 milhão, da Série A, R$ 10 milhões, R$ 15 milhões. Por isso o longo prazo. A gente coloca um dinheiro muito alto em um curto prazo”, explicou.

PUBLICIDADE

Além disso, o CFU possui uma emissão de R$ 950 milhões em debêntures negociadas pela XP Investimentos. Segundo o executivo ouvido pela reportagem, aproximadamente sete mil pessoas ou empresas adquiriram esses títulos.

Investidores e CBF ainda não negociam diretamente

Apesar da disposição manifestada pelos investidores, atualmente não existe um canal direto de negociação entre a administração do CFU e a CBF. As discussões acontecem em meio a disputas comerciais, jurídicas e políticas nos bastidores do futebol brasileiro.

Mesmo assim, existem pontos de convergência. Tanto a CBF quanto os investidores enxergam potencial para aumentar as receitas caso os clubes passem a negociar conjuntamente diferentes propriedades comerciais.

Os direitos de transmissão seriam apenas uma delas. Uma liga também poderia explorar conjuntamente outros ativos, incluindo acordos envolvendo material esportivo e novos produtos comerciais.

PUBLICIDADE

CBF prepara nova reunião com clubes

A CBF realizará na próxima segunda-feira uma nova reunião com representantes das Séries A e B. O encontro acontecerá na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e terá como principal tema a organização das competições.

Atualmente, a FFU possui seus direitos da Série A distribuídos entre Globo, Record, CazéTV e Amazon Prime até 2029. Já a Libra, bloco liderado pelo Flamengo, possui contrato exclusivo de transmissão com a Globo pelo mesmo período.

Better Collective