John Textor reapareceu na política do Glorioso (Crédito: Andre Paes/Alamy Live News)
John Textor recorreu à Justiça do Rio de Janeiro para tentar impedir a realização da Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo Botafogo para a próxima quinta-feira (24). A reunião prevê uma operação de aumento de capital de R$ 2 milhões, com a emissão de 200 milhões de novas ações, cada uma ao valor de R$ 0,01.
A ação foi apresentada pelo empresário na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Textor busca uma liminar para suspender a assembleia e outras medidas que, segundo sua defesa, poderiam reduzir sua participação na SAF enquanto a disputa pelo controle acionário ainda tramita em diferentes tribunais.
O empresário norte-americano sustenta que a operação teria como consequência a diluição de sua participação e poderia facilitar uma eventual negociação da SAF pelo Clube Social sem sua autorização. Ele relaciona a medida às disputas societárias e arbitrais que envolvem o controle do futebol do Botafogo.
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Textor questiona mudança no controle da SAF
Na petição protocolada na última segunda-feira (21), Textor pede que a Justiça suspenda os efeitos do exercício do bônus de subscrição utilizado pelo Botafogo Associativo.
A operação alterou a composição acionária da SAF. Com ela, o Clube Social passou a deter 51% do controle, enquanto a participação do grupo Eagle caiu de 90% para 49%.
Além de tentar interromper os efeitos dessa movimentação, o empresário quer suspender a assembleia de quinta-feira. O pedido também inclui qualquer eventual aumento de capital que possa provocar nova diluição de sua participação.
Textor ainda solicita que seus direitos acionários permaneçam protegidos até que a arbitragem responsável pela disputa analise definitivamente a questão.
Em declaração à ESPN, o empresário afirmou que pretende impedir uma reunião que, segundo ele, permitiria ao Botafogo Social “roubar 99% da SAF Botafogo por apenas R$ 2 milhões”.
Textor também argumenta que a estrutura acionária da SAF não deveria sofrer alterações enquanto a Justiça analisa quem possui os direitos sobre as ações envolvidas na disputa.
Empresário cita decisão nos Estados Unidos
Outro ponto apresentado por Textor na ação é uma decisão obtida recentemente nos Estados Unidos. Na quinta (17), a Corte de Palm Beach, na Flórida, declarou que ele é proprietário de 90% das ações ordinárias de classe B da SAF.
Segundo a decisão mencionada por Textor, essas ações correspondem a 90% do capital social total e possuem direito de voto.
– Eu sou o proprietário das ações. Isso já foi reconhecido por uma decisão judicial nos Estados Unidos, e continuarei defendendo meus direitos no Brasil também. Espero que os tribunais do Rio sejam justos, examinem os fatos e vejam este caso como ele realmente é – disse Textor.
O empresário também afirmou estar confiante de que os tribunais analisarão a situação considerando todos os elementos apresentados pelas partes.
Textor diz ter tentado investir no Botafogo
No posicionamento divulgado sobre a ação, Textor afirmou ainda que tentou realizar novos aportes financeiros no clube nos últimos 10 meses.
Segundo ele, uma proposta de US$ 95 milhões, com recursos que classificou como totalmente garantidos, foi ignorada. O empresário também citou a aprovação, no fim de junho, de um aporte de US$ 100 milhões, que teria recebido apoio do proprietário de um grande clube europeu.
De acordo com Textor, essa segunda operação acabou contribuindo para sua exclusão do Conselho. O empresário afirma que as propostas poderiam ter levado recursos ao Botafogo e ajudado, inclusive, no enfrentamento das restrições relacionadas a registros e transferências de jogadores.
Textor questiona, portanto, por que o Clube Social bloqueou suas tentativas de investimento e cobra explicações diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Botafogo.
Na avaliação apresentada pelo empresário, o clube precisa de novos investimentos e de estabilidade para voltar a competir em alto nível. Ele também afirma que continuará recorrendo à Justiça brasileira para defender sua posição na disputa pelo controle da SAF.

