Corinthians durante treinamento como novo técnico. Foto: AP Photo/Ettore Chiereguini/Alamy Live News
O Corinthians chegou a três meses de atraso nos direitos de imagem do elenco após deixar de pagar a parcela que venceu na última terça-feira (20). A inadimplência permite aos jogadores buscar a rescisão indireta do contrato na Justiça do Trabalho ou na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF.
Segundo o UOL, cada parcela custa aproximadamente R$ 10 milhões, conforme estimativa da diretoria. Assim, a dívida apenas com direitos de imagem chega a cerca de R$ 30 milhões.
Por que os jogadores do Corinthians podem pedir rescisão?
O artigo 90, parágrafo 1º, da Lei Geral do Esporte estabelece que atrasos de dois meses ou mais na remuneração ou no contrato de imagem podem fundamentar a rescisão indireta. Reconhecido o rompimento, o atleta pode buscar outro clube e cobrar os valores devidos e a cláusula compensatória esportiva.
Além disso, o advogado Domingos Sávio Zainaghi explicou que o jogador pode pedir uma liminar para obter a liberação antes do julgamento, segundo o GE. A CNRD também tem competência para atuar. O especialista em Direito de Imagem Marcelo Robalinho ressaltou que a inadimplência em apenas uma das verbas pode embasar a medida.
Vale lembrar que Quirino conseguiu romper com o Santa Cruz em julho de 2026, enquanto Éverton Brito foi liberado da Ponte Preta. Inclusive, esses exemplos envolveram atrasos de salários, imagem e FGTS.
Rescisão permite transferência fora da janela?
O Regulamento Geral de Registros da CBF de 2026 admite uma exceção aos períodos de transferência quando o vínculo anterior é rescindido devido as dívidas. Aliás, a legislação também autoriza a mudança de clube independentemente do número de partidas já disputadas.
Entretanto, exige respeito à data-limite de inscrição prevista nos regulamentos aplicáveis. Por isso, a possibilidade de transferência fora da janela precisa ser distinguida do prazo para disputar uma competição.
Estrangeiros também podem recorrer à FIFA
Os jogadores estrangeiros também podem levar uma disputa desse tipo à FIFA. No âmbito internacional, o artigo 14bis do regulamento da entidade trata da rescisão por salários não pagos. Isto é, prevê pelo menos duas remunerações mensais em aberto e uma notificação por escrito.
Já o prazo mínimo é de 15 dias para o clube quitar as obrigações. Ainda de acordo com os advogados, multa, bloqueio de registros e perda de pontos estão entre as possíveis sanções, como apontado pelo GE.
Corinthians mantém salários em dia
Contudo, os salários registrados em carteira estão pagos, conforme o UOL. O Corinthians também deve premiações da Libertadores e do Campeonato Brasileiro. A parcela vencida em 20 de outubro corresponde a setembro, segundo o GE. Para os jogadores mais bem pagos, os direitos de imagem podem representar até 50% da remuneração total.
Parte dos recursos ligados à Neo Química Arena foi destravada, mas o dinheiro não chegou a tempo de quitar o compromisso, como destacou o UOL. Por fim, a diretoria trabalha para regularizar as pendências, sem prazo definido para o acerto.

