Cristiano Ronaldo recebe suspensão e multa após crise com Jorge Jesus em Portugal
Federação Portuguesa aplica multa após atacante abandonar da seleção
Cristiano Ronaldo recebe suspensão da Federação Portuguesa. Foto: Maciej Rogowski/Ball Raw Images/Alamy Live News
Cristiano Ronaldo recebeu uma suspensão de 30 dias e multa de €255, cerca de R$ 1.446, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nesta segunda-feira (19). O atacante, de 41 anos, foi punido por abandonar a concentração da seleção em 30 de setembro, após um desentendimento com o técnico Jorge Jesus durante a Liga das Nações.
Apesar da decisão disciplinar, o camisa 7 poderá defender Portugal na próxima Data FIFA, em novembro. Isto é, a punição começou a contar a partir da saída da delegação, e 19 dias já haviam sido cumpridos até o anúncio oficial. Dessa forma, o retorno dependerá de uma nova convocação do treinador.
O Conselho de Disciplina da FPF considerou que Cristiano Ronaldo cometeu uma infração intencional prevista no artigo 160 do regulamento da entidade. O jogador estava suspenso preventivamente desde o episódio, enquanto aguardava a conclusão do processo.
Cristiano Ronaldo receber suspensão
A punição definitiva ficou abaixo do limite previsto inicialmente no regulamento português. O abandono injustificado das atividades da seleção poderia resultar em um afastamento de até seis meses. O jornal português A Bola teve acesso a decisão disciplinar e revelou a unanimidade.
A entidade considerou diferentes circunstâncias atenuantes apresentadas pela defesa do atacante. Entre os argumentos estão os serviços prestados ao futebol português, as conquistas individuais e coletivas e a colaboração do jogador para esclarecer os acontecimentos.
O Conselho de Disciplina também considerou a confissão integral e sem reservas apresentada por Cristiano Ronaldo. Esse reconhecimento permitiu reduzir pela metade os limites mínimo e máximo das sanções aplicáveis. Com isso, o intervalo possível passou a ser de oito a 45 dias de suspensão.
Além disso, a multa teve seus limites reduzidos para valores entre 1,25 e 2,5 unidades, medida utilizada pela Justiça portuguesa. Portanto, a decisão final estabeleceu o afastamento por 30 dias e a multa de 2,5 unidades, equivalentes a €255.
O órgão disciplinar também destacou sua responsabilidade como capitão e figura pública de projeção internacional. A repercussão do abandono foi considerada um elemento relevante na avaliação da conduta.
Sem autorização de Jorge Jesus
A decisão também revelou novos detalhes sobre o episódio ocorrido em Copenhague, na Dinamarca. Cristiano Ronaldo deixou o Estádio Parken em 30 de setembro, antes do treinamento oficial previsto para às 18h. O atacante também não participou do jantar da delegação naquela noite.
Aliás, a saída aconteceu por iniciativa do próprio jogador, que solicitou um veículo ao diretor de serviços das seleções portuguesas, Daniel Ribeiro. A documentação aponta que o camisa 7 não comunicou previamente sua intenção de deixar aos responsáveis pela equipe.
Após deixar o estádio, Cristiano Ronaldo entrou em contato telefônico com Pedro Proença, presidente da FPF. Durante a conversa, explicou que não se encontrava em condições emocionais de permanecer integrado ao grupo e confirmou sua intenção de abandonar as atividades.
Por isso, o jogador deixou de participar dos compromissos seguintes da seleção, incluindo treinamentos, reuniões técnicas e partidas. Lembrando que a decisão aconteceu na véspera do confronto contra a Dinamarca, pela terceira rodada da Liga das Nações, e impediu a participação do atacante no restante daquela Data FIFA.
Entenda a crise da Seleção de Portugal
O desentendimento começou depois da vitória de Portugal sobre a Noruega por 2 a 1, em 27 de setembro. Cristiano Ronaldo ficou no banco de reservas durante toda a partida, apesar de ter realizado aquecimento por aproximadamente 30 minutos no segundo tempo. Gonçalo Ramos, escolhido para o ataque, marcou um dos gols da equipe.
A situação provocou insatisfação no capitão português, que deixou o gramado após o apito final sem cumprimentar os torcedores. O episódio ganhou força durante os dias seguintes, quando Jorge Jesus foi questionado sobre a utilização do camisa 7.
Treinador descumpriu acordo
No dia 6 de outubro, após o encerramento da Data FIFA, Cristiano Ronaldo divulgou um comunicado explicando sua versão dos acontecimentos. O atacante afirmou que havia combinado com Jorge Jesus um planejamento específico para sua participação nas partidas. O acordo previa atuar no primeiro e no último compromisso daquela convocação.
A situação mudou quando o treinador perguntou se o atacante estaria disponível para jogar 30 minutos diante da Noruega. Cristiano Ronaldo aceitou, mas permaneceu no banco. “O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra”, escreveu o atleta.
O capitão também alegou que os dois haviam combinado uma explicação pública para encerrar a controvérsia. Um documento com oito pontos teria sido preparado, mas o conteúdo não foi apresentado na entrevista coletiva como o jogador esperava.
Jorge Jesus, por sua vez, negou a existência de um acordo que limitasse suas decisões técnicas e reafirmou que a escolha dos jogadores cabe exclusivamente ao treinador. Apesar das críticas, o atacante reconheceu que sua decisão de deixar a concentração foi equivocada.
No comunicado, pediu desculpas aos companheiros e torcedores portugueses e afirmou que aceitaria as consequências disciplinares. “Entendo que a punição não deve ter atenuantes”, declarou o camisa 7. O atacante deixou claro que pretende continuar defendendo Portugal, desde que esteja em boas condições físicas e atuando regularmente.
Punição menor que Ricardo Carvalho em 2011
A decisão da FPF também permite uma comparação com outro episódio de indisciplina envolvendo a seleção portuguesa. Em agosto de 2011, o zagueiro Ricardo Carvalho abandonou a concentração antes de uma partida contra o Chipre, pelas eliminatórias da Eurocopa de 2012. O defensor deixou o grupo após perceber que não seria titular.
Na ocasião, recebeu suspensão de um ano e perdeu o direito a premiações relacionadas à eventual classificação portuguesa. O regulamento vigente naquele período permitia punições de até dois anos. Ricardo Carvalho retornou à seleção três anos depois, sob o comando de Fernando Santos.
Desta forma, a diferença entre os casos está relacionada tanto às regras aplicáveis em cada época quanto às circunstâncias avaliadas pelas autoridades disciplinares.
Retornar contra Dinamarca e País de Gales
O próximo compromisso de Portugal será contra a Dinamarca, em 14 de novembro, pela quinta rodada da fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, a equipe enfrentará o País de Gales, em Cardiff. Como a suspensão de Cristiano Ronaldo terminará antes desses jogos, não existe impedimento disciplinar para sua convocação.
Porém, a decisão dependerá de Jorge Jesus. O treinador já afirmou que mantém as portas abertas para o retorno do atacante. Pedro Proença também manifestou interesse em contar novamente com o capitão da seleção. Portugal venceu seus quatro primeiros compromissos na Liga das Nações, sendo três deles sem a presença de Ronaldo.
Contudo, a suspensão aplicada está relacionada às atividades da seleção e não impede que Cristiano Ronaldo continue defendendo o Al-Nassr. Na Arábia Saudita, o atacante chegou ao gol de número 981 da carreira em outubro, mantendo a busca pela marca de mil gols.
Por fim, a recuperação do relacionamento entre treinador e capitão será outro fator importante para definir o futuro do jogador na equipe. A próxima lista de convocados indicará se o episódio ficará para trás ou continuará interferindo em sua trajetória pela seleção portuguesa.

