Responsável por dirigir o Flamengo entre 2013 e 2018, Bandeira de Mello “arrumou a casa” e influenciou no sucesso do clube nos anos seguintes. Sendo assim, em entrevista ao Charla Podcast, o ex-presidente do Rubro-Negro recordou que a missão não foi fácil, já que dificuldades financeiras e extracampo tornaram o trabalho árduo nos bastidores.
Se aprofundando sobre a postura como mandatário máximo, Bandeira de Mello revelou quais jogadores “protegeu” no Flamengo, grupo que contou com a maior parte de atletas negros. Porém, a postura não se relacionou a escalação, mas ocorreu para que os nomes em questão não sofressem com as críticas pesadas da imprensa e torcida. Um deles, inclusive, ainda se encontra no elenco.
“Se tem uma coisa que me tira do sério é covardia, perseguição. Seja com jogador, colega do banco, parente, amigo. Crítica é algo completamente normal, é do jogo. Mas quando parte para a humilhação, é claro que precisa fazer um esforço para respalda esses jogadores. Então, aconteceu lá no Flamengo com Márcio Araújo, Rafael Vaz, Gabriel, (Alex) Muralha, Rodinei até hoje (sofre). A maioria são jogadores negros que sofrem esse tipo de covardia e efetivamente eu não consigo ficar calado”, disse.
O presidente Eduardo Bandeira de Mello passa o bastão presidencial para o presidente eleito Rodolfo Landim. #CRF pic.twitter.com/NFCH1qCJSK
— Flamengo (@Flamengo) December 19, 2018
DISCURSO PARA O PLANTEL DO FLAMENGO
Além disso, Bandeira de Mello relatou o discurso que fez para o elenco depois da situação ficar praticamente insustentável. Sendo assim, todo o plantel do Flamengo concordou que os jogadores mais criticados deveriam ser blindados pelo clube.
“Certa vez, após um jogo, quando essa hostilidade estava recrudescendo, eu falei com os jogadores reunidos: ‘Vocês não se deixem abater por esse tipo de situação, porque vocês não merecem isso e são profissionais íntegros. Então deixem isso comigo. Eu defendo vocês. Vocês serão meus protegidos’. Ao proteger os jogadores humilhados, eu estava protegendo todos, e eles concordaram. O que acontece hoje com um jogador, amanhã pode acontecer com outro”, contou.

