Galvão Bueno e Cléber Machado por muitos anos dividiram as transmissões esportivas na Globo. O primeiro era o “narrador titular” da casa, voz escolhida para as principais coberturas. Em alguns destes eventos, a escala inicial foi alterada pela emissora e respeitada prontamente.
“Em 1991, eu fui escalado para fazer o Grande Prêmio da Inglaterra. Aí, eu cheguei em Silverstone e recebi um telefonema do diretor executivo do esporte, Gilberto Conde, e aí me disse: ‘Olha, aconteceu isso, isso e você não vai narrar a corrida. O Galvão vai voltar do Chile, onde estava fazendo a Copa América, vai narrar do Brasil e o Reginaldo Leme vai comentar a corrida aí do autódromo’. Eu perguntei: ‘Volto para o Brasil?’. Me falaram pra ficar lá, vi a corrida da cabine de transmissão sem narrar”, conta Cléber.
“Em 1996, o Brasil foi finalista do torneio de basquete feminino dos Jogos de Atlanta. Eu fiz a semifinal que foi Brasil e Ucrânia. O Brasil ganhou e foi pra final do torneio. Aí, no dia da final estava escalada a dupla Cléber e Marcel, ex-craque de basquete. Eu estou sentado no ginásio, com meus papéis todos preparados, na posição de comentário. Aí chegou um diretor e falou: ‘Mudou e o Galvão vai narrar este jogo. Ele vai chegar daqui a pouco, passa algumas coisas pra ele. O Galvão chegou, eu passei as informações que eu tinha e ele narrou a final’. Não é que eu estava em casa me preparando para ir ao ginásio. Eu estava no ginásio esperando começar a transmissão. Houve uma mudança. É legal? Claro que não é legal”, completou, em entrevista ao canal “De Pai pra Filho”.
Cléber Machado lidou com situação parecida na Record
Apesar do momento embaraçoso, Cléber se mostou compreensível em ambos os casos. Recentemente, ele vivenciou isso de forma inversa. Escolhido para narrar a final do Paulista, na Record, o locutor assumiu o lugar de Lucas Pereira, que até então era o responsável pelas transmissões do estadual na TV Aberta.
“Quando vieram falar comigo. A primeira vez que eu conversei com alguém sobre isso, a minha primeira pergunta foi: ‘E o Lucas?’. Juro por Deus. Disse para colocar ele na transmissão, ele abre e me chama etc. Aí fui informado que ele vai pro campo. Então tá legal. Depois, eu encontrei lá a Milena Ceribelli e perguntei se ela tinha o telefone do Lucas. Ela me deu o número e liguei par ele”, relata Cléber.
Segundo ele, Lucas absorveu de forma tranquila a situação. “Comigo ali na conversa ele foi super na boa. Espero que tenha entendido, pois, de fato, eu não iria pegar o telefone e perguntar se eles querem que eu narre e final do Paulista.”, completou.

