Souza lateral do Santos. Foto: Jota Erre/AGIF/Alamy
O Santos abriu um novo capítulo fora das quatro linhas ao receber uma proposta de grande porte para a venda do controle de sua Sociedade Anônima do Futebol. O interesse partiu de um grupo estrangeiro com forte poder financeiro, o que imediatamente levou o tema ao centro das discussões internas. Nesse contexto, a possibilidade de mudança estrutural passou a ser tratada como um dos assuntos mais relevantes do clube neste início de 2026.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, a oferta foi apresentada pela família Santo Domingo, da Colômbia. O grupo é um dos principais acionistas da AB InBev, considerada a maior cervejaria do mundo. Os valores colocados à mesa variam entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, patamar que, por si só, indica o peso estratégico da negociação.
O clube também pode vender uma joia da base por R$ 100 milhões. Duas situações que ampliaram a capacidade de investimento do Peixe.
Intermediação financeira e análise interna
A condução do processo ocorre com a intermediação do banco Rothschild, instituição tradicional em operações desse porte. A proposta já foi formalizada e, por isso, está em avaliação pela diretoria e por setores jurídicos do clube. Ao mesmo tempo, o assunto depende de discussões mais amplas, uma vez que a transformação definitiva em SAF ainda precisa de aprovação em instâncias estatutárias.
Paralelamente, o Santos avança em outras frentes de reorganização financeira. As conversas por um novo patrocinador máster, por exemplo, podem render até R$ 80 milhões anuais. Dessa forma, o cenário atual combina negociações comerciais relevantes com a possibilidade de entrada de um investidor controlador, o que amplia o impacto das decisões que serão tomadas nos próximos meses.
Caminho jurídico até a criação da SAF
Desde o ano passado, a diretoria trabalha em alterações no estatuto para viabilizar oficialmente a constituição da SAF. O objetivo é adequar a estrutura administrativa e permitir, de forma segura, a entrada de capital privado. Ainda assim, o processo depende de aval do Conselho Deliberativo e de assembleias, o que mantém o tema em estágio de transição.
A expectativa interna é que a aprovação ocorra no primeiro semestre de 2026. Enquanto isso, o clube segue recebendo sondagens e manifestações de interesse. Contudo, a proposta da família Santo Domingo é a primeira a alcançar cifras tão elevadas e a chegar formalmente à mesa de negociações.
Avaliação de mercado e números do clube
De acordo com levantamento publicado pelo UOL em 2025, o valor de uma SAF costuma ser calculado a partir da receita anual, multiplicada por um fator médio, com posterior abatimento das dívidas. Em 2024, o Santos registrou arrecadação em torno de R$ 450 milhões. Já em 2025, a projeção aponta para algo próximo de R$ 600 milhões.
A dívida onerosa, por outro lado, gira em torno de R$ 945 milhões. Assim, em uma conta de mercado, a multiplicação da receita por três levaria a um valor bruto de até R$ 1,8 bilhão, que, após os descontos, poderia resultar em algo próximo de R$ 1,2 bilhão. Se a base for a receita menor, o montante cairia para a faixa de R$ 750 milhões. Dentro desse intervalo, a oferta entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão se encaixa nos parâmetros praticados.
Quem é a família Santo Domingo
A família interessada está entre as mais ricas da Colômbia e tem sua fortuna ligada, sobretudo, ao setor de bebidas. A origem do patrimônio vem da cervejaria Bavaria, posteriormente incorporada à AB InBev. Hoje, além da participação na gigante do setor, o grupo mantém investimentos em empresas como Kraft Heinz, Keurig Dr Pepper e redes de varejo.
À frente dos negócios está Alejandro Santo Domingo, presidente do Grupo Valorem, com patrimônio pessoal estimado em cerca de US$ 1,7 bilhão. A fortuna total da família ultrapassa US$ 10 bilhões, o que explica a capacidade de apresentar uma proposta dessa magnitude para o controle do futebol santista.
Com a oferta em análise e o processo de criação da SAF ainda em curso, o Santos vive um período de definições que podem redesenhar sua estrutura administrativa e financeira, em um movimento que avança de forma gradual e cercado de cautela.

