Flamengo contrata Samuel Lino e Arnaldo Ribeiro critica alto investimento. (Foto: Reprodução/YouTube)
O último lance da vitória do São Paulo sobre o Flamengo voltou a colocar o VAR no centro das discussões. O toque do zagueiro Alan Franco em Giorgian de Arrascaeta, já nos acréscimos, gerou reclamações do time rubro-negro e dividiu opiniões durante a transmissão da partida.
Enquanto o árbitro de campo mandou o jogo seguir, a análise televisiva levantou a possibilidade de pênalti. A partir daí, o debate ganhou força e ultrapassou o campo, chegando aos programas esportivos nos dias seguintes.
Nesse contexto, o jornalista Arnaldo Ribeiro trouxe à tona uma crítica antiga. Segundo ele, a forma como lances são discutidos ao vivo pode influenciar diretamente o trabalho do VAR.
Arnaldo aponta influência da TV na arbitragem
Durante participação no programa Uol News Esporte, Arnaldo afirmou que transmissões em rede nacional exercem pressão sobre a equipe de arbitragem. Para ele, o risco está no tempo de checagem do VAR, que pode coincidir com o julgamento feito pelos comentaristas.
“Qual é o perigo nisso? O VAR, se demorar demais, estará influenciado pela sentença da transmissão”, afirmou. De acordo com o jornalista, esse tipo de situação já aconteceu outras vezes no futebol brasileiro.
Ainda segundo Arnaldo, quando nomes de grande alcance afirmam que houve pênalti, essa leitura pode chegar rapidamente à cabine do VAR. Para ele, a ideia de isolamento total da arbitragem não corresponde à prática.
“Já perdi emprego por isso”, relembra comentarista
Ao aprofundar o tema, Arnaldo revelou que já sofreu consequências profissionais ao defender essa tese. O jornalista afirmou que perdeu um emprego após dizer publicamente que opiniões da transmissão influenciam decisões do VAR.
Segundo ele, existe um discurso de blindagem absoluta, mas que não se sustenta na realidade. Arnaldo ironizou a ideia de que a cabine funciona como um ambiente totalmente isolado, sem acesso a qualquer tipo de informação externa.
“Essa sentença em rede nacional pode influenciar na decisão do VAR”, reforçou. A declaração resgata uma discussão antiga sobre transparência, pressão midiática e autonomia da arbitragem no futebol brasileiro.
Debate reaparece após São Paulo x Flamengo
A fala do comentarista ganhou força justamente pelo contexto do jogo no Morumbi. Após o apito final, o lance envolvendo Arrascaeta seguiu como principal assunto da partida, tanto nas redes sociais quanto nos programas esportivos.
Durante a transmissão da Globo, diversas imagens foram analisadas. O comentarista de arbitragem Paulo Cesar de Oliveira disse ter visto pênalti na jogada, opinião que contrastou com a decisão tomada em campo.
A divergência alimentou ainda mais a discussão sobre critérios, intensidade de contato e interferência externa nas decisões da arbitragem.
O que diz o áudio do VAR
Posteriormente, a divulgação do áudio do VAR mostrou que o árbitro Wilton Pereira Sampaio reconheceu o toque do defensor são-paulino. No entanto, ele entendeu que não houve intensidade suficiente para caracterizar a infração.
Na conversa com a equipe de vídeo, Wilton afirmou que o contato não impactou a finalização de Arrascaeta. Assim, manteve a decisão original de não marcar o pênalti, mesmo após a checagem.
Esse ponto, inclusive, foi destacado por Arnaldo como exemplo de como interpretações técnicas convivem com a pressão externa gerada pelo debate público.

