Vini Jr comemora gol contra o Benfica. Foto: HMB Media/Alamy Live News
A denúncia de racismo feita por Vinícius Júnior durante a vitória do Real Madrid sobre o Benfica provocou forte repercussão no futebol internacional. Após acusar o argentino Gianluca Prestianni de ofensa racista, o atacante brasileiro recebeu manifestações públicas de apoio de jogadores, ex-atletas e comentaristas. As reações ampliaram o debate sobre a resposta das autoridades diante de episódios recorrentes de discriminação dentro de campo.
Ex-atletas relatam experiências e condenam o episódio
Entre os primeiros a se posicionar esteve o ex-atacante Thierry Henry, campeão mundial com a França em 1998. Durante participação em programa esportivo, ele afirmou que situações semelhantes marcaram sua própria trajetória no futebol europeu.
“O que acontece com Vinícius aconteceu comigo tantas vezes no campo e depois dos jogos. Às vezes você se sente sozinho, é a sua palavra contra a palavra deles”, declarou o francês.
Além disso, o ex-lateral inglês Micah Richards também demonstrou solidariedade ao brasileiro. Segundo ele, mesmo quando não há provas conclusivas, o impacto emocional das acusações precisa ser levado a sério. O ex-jogador afirmou sentir que o atacante do Real Madrid ficou desamparado diante da situação.
Jogadores do Real Madrid reforçam acusação dentro de campo
O apoio também veio do elenco merengue. O atacante Kylian Mbappé afirmou ter presenciado a discussão durante a comemoração do gol marcado por Vinícius Jr. Segundo o francês, o jogador do Benfica teria repetido a ofensa diversas vezes.
“Ele colocou a camisa aqui para dizer que o Vinícius Jr. era um macaco cinco vezes. Eu ouvi, e houve jogadores do Benfica que ouviram também”, afirmou Mbappé.
Posteriormente, o atacante publicou mensagem nas redes sociais incentivando o brasileiro a seguir celebrando seus gols e ignorar provocações, reforçando o apoio público ao companheiro de equipe.
Lendas do futebol criticam postura e cobram punições
Outros nomes históricos do futebol também se manifestaram. O ex-atacante inglês Wayne Rooney relembrou episódio vivido nos Estados Unidos, quando um atleta sob seu comando sofreu abuso racial. De acordo com o jogador, o combate ao racismo exige punições esportivas mais severas.
“É preciso atingir os clubes, retirando pontos e dinheiro deles, senão isso vai continuar acontecendo”, afirmou Rooney.
Já o ex-zagueiro brasileiro Luisão, ídolo histórico do Benfica, criticou o posicionamento institucional do clube português ao defender Prestianni. Isso porque o ex-capitão afirmou sentir vergonha do episódio e classificou o caso como um ato racista.
Debate sobre racismo volta ao centro do futebol europeu
O episódio reacendeu discussões antigas sobre a eficácia dos protocolos antirracismo aplicados nas competições europeias. Embora o jogo tenha sido paralisado temporariamente, analistas e ex-jogadores apontaram que medidas práticas ainda são consideradas insuficientes.
Nesse cenário, manifestações públicas de atletas ganharam peso político e simbólico. A pressão por mudanças estruturais cresce à medida que casos semelhantes continuam surgindo em grandes competições.
Assim, a repercussão internacional mostra que o debate ultrapassa o resultado esportivo. Entre denúncias, solidariedade e cobranças por ações concretas, o caso envolvendo Vinícius Jr. voltou a expor um problema persistente que segue desafiando o futebol mundial.

