Leila Pereira em jogo do Palmeiras (Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News)
O conflito entre dirigentes e jogadores voltou ao centro do debate jurídico no futebol brasileiro. Desta vez, o Ministério Público de São Paulo se posicionou a favor de Leila Pereira em uma disputa judicial contra o atacante Dudu. O parecer afirma que as declarações da presidente do Palmeiras foram “fortes e ácidas”, mas permaneceram dentro dos limites legais da crítica. A decisão reacende discussões sobre liberdade de expressão no ambiente esportivo e sobre até onde vai o direito de opinião em conflitos públicos.
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Parecer do Ministério Público mantém decisão anterior
O Ministério Público analisou o recurso apresentado por Dudu, que buscava reverter a rejeição de uma queixa-crime contra a dirigente. No entanto, a procuradora responsável pelo caso concluiu que não houve elementos suficientes para caracterizar injúria ou difamação. Assim, o órgão manteve o entendimento já adotado pela Justiça paulista.
Segundo o parecer, as falas de Leila ocorreram em um cenário de disputa aberta entre as partes. Por isso, o contexto foi considerado essencial para a análise jurídica. Além disso, o documento destaca que críticas públicas, mesmo quando contundentes, não se tornam crime automaticamente.
A promotoria avaliou que a dirigente comparou comportamentos de atletas e apresentou opiniões pessoais. Dessa forma, não houve intenção clara de atacar a honra do jogador. O texto ressalta que manifestações duras podem existir em debates públicos, especialmente quando envolvem interesses esportivos e administrativos.
“Como se vê, em nenhuma das manifestações da querelada (Leila) se infere a presença de elementos que justificassem o reconhecimento de abuso ou transgressão dos limites legais da crítica, ainda que contundentes e incisivas, todas elas feitas em um contexto de disputa jurídica acirrada entre as partes”, disse o Ministério Público.
Declarações analisadas e contexto do conflito
Entre os pontos analisados estavam entrevistas concedidas por Leila Pereira em janeiro de 2025. Na ocasião, ela afirmou que o atacante teria causado prejuízo financeiro ao clube após recuar em uma negociação envolvendo transferência. Também declarou que o jogador deixou o Palmeiras pela “porta dos fundos”.
Embora as frases tenham gerado forte repercussão, o Ministério Público entendeu que elas foram feitas em meio a um conflito já conhecido pelo público. Portanto, as declarações foram interpretadas como críticas ligadas à gestão esportiva e não como ataques pessoais.
Outro ponto levantado pela defesa do atleta envolvia a fala em que a dirigente sugeriu ter sido tratada de determinada maneira por ser mulher. Ainda assim, o parecer afirma que a declaração não atribuiu ao jogador qualquer rótulo criminal ou ofensivo específico.
Justiça já havia rejeitado ação criminal
Antes da manifestação do Ministério Público, a Justiça de São Paulo já havia decidido contra a abertura da ação penal. A juíza responsável avaliou que a presidente do clube exerceu seu direito de expressão, sem ultrapassar limites legais.
Na decisão, o tribunal destacou que entrevistas coletivas costumam ocorrer em ambientes de tensão e exposição pública. Assim, críticas feitas nesse contexto precisam ser analisadas com cautela. O entendimento foi de que não houve intenção deliberada de difamar o atleta.
Dudu havia protocolado a ação alegando danos à própria reputação. Ele solicitou punição com base nos artigos do Código Penal relacionados à honra. Contudo, a Justiça concluiu que as declarações não configuraram crime.
Disputa continua na esfera cível
Apesar do avanço favorável à dirigente na esfera criminal, o embate judicial entre as partes ainda está longe do fim. Atualmente, Leila Pereira e Dudu seguem envolvidos em outro processo, desta vez na Justiça cível.
Nesse novo caso, a presidente do Palmeiras pede indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. Em resposta, o jogador também apresentou pedido semelhante contra a dirigente. As ações tramitam paralelamente e ainda aguardam novos desdobramentos.
Enquanto o processo segue em andamento, o episódio evidencia como divergências esportivas podem ultrapassar os gramados. Além disso, decisões judiciais recentes reforçam a linha tênue entre crítica pública e ofensa pessoal no futebol profissional brasileiro.

