John Textor solta o verbo e admite saída do Botafogo (Credit: Celso Pupo/FotoArena/Alamy Live News)
O dono da SAF do Botafogo, o empresário John Textor, admitiu, pela primeira vez, deixar o clube caso haja um novo investidor com aporte financeiro para salvar o clube. Em entrevista à TV Globo antes da partida contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil, o norte-americano abriu o coração.
Textor falou com todas as letras que prefere ser “chutado” para fora do clube a deixá-lo. Contudo, ele não está conseguindo colocar dinheiro de forma legal na empresa. Portanto, caso o associativo aprove um aporte de outro investidor, ele deixa a SAF.
“Eu prefiro ser arrastado para fora do prédio chutando, gritando e meio morto antes de deixar esse clube. Mas estou tentando colocar o meu dinheiro aqui por muito tempo. Se eu não consigo fazer isso legalmente e outra pessoa quiser pagar…”, disse.
“Criamos um projeto, vivemos um sonho, mas queremos ganhar mais e o clube precisa de dinheiro. Se eles não me deixarem investir e outra pessoa puder, é o melhor para a torcida. Não é sobre mim, é sobre Botafogo”, completou.
Textor lamenta adiamento de assembleia
O empresário havia marcado uma reunião para o clube aprovar a entrada de um aporte financeiro na casa dos 25 milhões de dólares (cerca de R$ 127 milhões). Contudo, segundo o norte-americano informou que cancelou a reunião. Textor lamentou a situação e deixou claro o motivo do cancelamento.
“A Eagle Bidco não apareceu. Eles disseram que sim porque mandaram advogados, mas não é o que queremos. Queremos voz, uma pessoa que sente à mesa e diga: ‘Não vamos deixar você cuidar do clube, John. Nós vamos cuidar do clube’. Não tivemos quórum na primeira reunião, terá outra no dia 27”, revelou.
“Eu não me importo qual resultado será. Se eu estou dentro ou fora, desde que alguém esteja pagando as contas deste lindo clube. Os torcedores merecem. Não é a Eagle Bid Co., eu sou o sócio majoritário da Eagle. É a Ares, fazendo o melhor que podem para proteger o time da França (Lyon) e sacrificar o do Brasil (Botafogo)”, disparou.
Empresário justifica carta-proposta
Textor convocou a assembleia com o objetivo de que “os acionistas decidam, com urgência, como lidar com as necessidades de capitalização do clube.” Há cerca de duas semanas, o empresário enviou uma carta-proposta de um aporte de 25 milhões de dólares, algo em torno de R$ 127 milhões.
Entretanto, o investimento teria como contrapartida a emissão de novas ações da SAF. Ou seja, seria preciso emitir novas ações da empresa. A proposta ainda garante os 10% da empresa ao clube associativo.
Assim, pela primeira vez, Textor justificou a proposta e alegou que não há outro jeito de investir dinheiro na SAF. Neste momento, ele enxerga apenas essa saída. Por isso, abriu a possibilidade de atrair novos investidores.
“Eu fiz uma oferta de investimento de 25 milhões de dólares. Só posso colocar isso em forma de dívida, o que não é saudável. Eu pedi autorização para meu investimento de 25 milhões de dólares ser aprovado e queria votar isso. Se não for por mim, também pedi uma autorização para criar ações para atrair investidores externos”, explicou.
O Botafogo vive uma grande crise financeira e vem sofrendo seguidas punições por conta de não pagamentos de dívidas relacionadas à contratações. A última ocorreu nesta segunda-feira. A Fifa sancionou o clube com o transfer Ban por conta de uma pendência financeira envolvendo o atacante Rwan Cruz.

