Dudu em campo pelo Atlético-MG. Foto: Fernando Moreno/AGIF/Alamy
A Justiça de São Paulo condenou Dudu, atacante do Atlético-MG, a pagar R$ 50 mil por danos morais à presidente do Palmeiras, Leila Pereira. O processo analisou o episódio conhecido como “caso VTNC”, que ganhou repercussão em janeiro de 2025 durante a saída do jogador do clube paulista. Apesar da decisão, Dudu ainda pode recorrer.
O juiz Sérgio Serrano Nunes Filho, da 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, avaliou a conduta do atacante e concluiu que Dudu direcionou uma ofensa pessoal à dirigente. Além disso, o magistrado considerou que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade de expressão.
Juiz rejeita explicação de Dudu sobre a sigla
Durante o processo, Dudu tentou justificar o episódio e apresentou uma interpretação diferente para a sigla usada durante a polêmica. O atacante afirmou que “VTNC” significava “Vim trabalhar no Cruzeiro” e negou qualquer intenção ofensiva contra Leila Pereira.
No entanto, o juiz não aceitou a versão apresentada pela defesa. Sérgio Serrano Nunes Filho entendeu que o contexto da declaração deixava clara a intenção da mensagem e afastou a interpretação apresentada pelo jogador.
Além disso, o magistrado concluiu que Dudu não fez apenas uma crítica ou manifestação pública comum. Na avaliação da Justiça, o atacante direcionou a fala especificamente contra Leila Pereira e ultrapassou os limites de um debate esportivo.
Leila pediu R$ 500 mil, mas Justiça reduziu valor
No início do processo, Leila Pereira pediu uma indenização de R$ 500 mil. Porém, durante a análise do caso, o juiz decidiu reduzir o valor após avaliar outras declarações feitas pelo atacante ao longo da polêmica.
Segundo a decisão, algumas falas de Dudu permaneceram dentro do campo das críticas profissionais. Além disso, o magistrado não identificou elementos que caracterizassem misoginia ou discriminação baseada em gênero.
O juiz entendeu que Dudu realizou um ataque verbal direcionado à dirigente, mas não associou a ofensa ao fato de Leila Pereira ser mulher. Por isso, a condenação considerou apenas os danos morais ligados à ofensa pessoal.
Justiça também rejeita pedido feito por Dudu
Além de responder ao processo movido por Leila Pereira, Dudu também tentou reverter a situação na Justiça. O atacante entrou com pedido de indenização contra a dirigente após declarações públicas feitas por ela durante o período de desgaste entre as partes.
Entretanto, o juiz rejeitou completamente a solicitação do jogador. Na avaliação do magistrado, Leila fez comentários relacionados ao desempenho profissional de Dudu e não realizou ataques pessoais diretos.
Por isso, a Justiça considerou que a presidente do Palmeiras permaneceu dentro dos limites da liberdade de expressão. O juiz também rejeitou outro pedido de Leila, que desejava obrigar Dudu a divulgar o resultado do processo em suas redes sociais.
Segundo apuração da ESPN, Leila Pereira pretende doar os R$ 50 mil recebidos a uma instituição que atua na defesa de mulheres vítimas de violência.

