Neymar jogando no meio-campo pode ser sinal de renascimento do camisa 10 na Seleção Brasileira; entenda

Camisa 10 do Paris Saint-Germain foi o grande nome da vitória por 2 a 0 sobre o Lille; Neymar chegou a 13 gols marcados em 13 partidas no Campeonato Francês e dá mostras de amadurecimento e foco dentro de campo

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Paris Saint-Germain

Os mais céticos (e mais críticos) podem até torcer o nariz para o título desta análise tática (como fizeram, fazem e farão muitas outras vezes). Mas fato é que Neymar está com outra postura nesse início de 2020. Não quero aqui tratar do que aconteceu (e acontece) fora dos gramados. Parte da sua evolução e consequente amadurecimento vem do seu novo posicionamento no Paris Saint-Germain. Na falta de um criador de jogadas na sua equipe, o técnico Thomas Tuchel escolheu o brasileiro para ser seu camisa 10 de fato e de direito. Com visão de jogo apurada, bons passes (geralmente de primeira), liberdade para circular por todo o campo e muitos gols (13 marcados em 13 rodadas do “Francesão”), Neymar vai atingindo um outro patamar atuando numa função diferente daquela que eu e você nos acostumamos a ver. E isso pode ser uma ótima notícia para Tite e a Seleção Brasileira. O principal jogador brasileiro na atualidade pode ter renascido.

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A atuação destacada de Neymar na vitória por 2 a 0 sobre o Lille é um bom exemplo de como essa nova função tem feito bem a ele e ao Patis Saint-Germain. Diante da necessidade de formar uma equipe coesa e equilibrada, mas sem perder intensidade e movimentação no ataque, Thomas Tuchel acabou fazendo aquilo que Zagallo fez em 1970 (guardadas todas as devidas proporções, evidentemente). O treinador alemão escolheu escalar todas as suas estrelas . Ele apostou num 4-2-3-1 que trazia Icardi no comando de ataque, Mbappé e Di María jogando pelos lados (e abrindo o corredor para a chegada dos laterais) e Neymar atuando mais por dentro, como autêntico armador de jogadas. Ao invés de partir da esquerda para o meio (como fez no Santos e com Tite na Seleção Brasileira), o camisa 10 “carimba” todas as jogadas com bom passe e ótima visão de jogo, seja no toque de primeira ou aparecendo entre as linhas do adversário, como fez no primeiro (e belo) gol sobre o Lille neste domingo (26). Destaque para a presença de Verratti na intermediária ofensiva.

Neymar joga como autêntico camisa 10 aparecendo por trás dos atacantes, armando o jogo e aproveitando os espaços vazios no setor ofensivo. O brasileiro cresceu muito de produção e mostra que pode render muito mais atuando por ali. Foto: Reprodução / DAZN

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É interessante notar como Neymar se comporta na dinâmica ofensiva do Paris Saint-Germain. É ele quem “carimba” todas as bolas e quem pensa o jogo na equipe francesa. Mas não foram poucas as vezes em que o camisa 10 trocou de posição com Icardi e apareceu até mais avançado que o atacante argentino. E isso sempre se lançando no espaço vazio e entre as linhas do time do Lille (que geralmente se fechava num 4-4-2 à frente de sua área, mas sem a compactação necessária). O time de Thomas Tuchel se organizava numa espécie de 4-2-4 bem ofensivo, mas sem perder a intensidade e procurando manter seus jogadores próximos uns dos outros. Nessa situação, sempre que Neymar recebe a bola, um dos pontas (Mbappé ou Di María) se lançava para receber o passe (que geralmente saía de primeira) no ataque e abria o corredor para a subida dos laterais. Defesa adversária desarrumada a partir de uma movimentação simples no meio-campo. Prova de que o novo posicionamento do camisa 10 tem surtido efeito dentro de campo.

Neymar aparecia alinhado e às vezes até mais à frente do que Icardi em determinados momentos da construção ofensiva do Paris Saint-Germain. O já citado 4-2-3-1 de Thomas Tuchel se transformava num 4-2-4 com movimentos simples. E o camisa 10 destruía as linhas adversárias com passes curtos e rápidos. Foto: Reprodução / DAZN

As boas atuações de Neymar jogando como “camisa 10” podem fazer com que ele renasça na Seleção Brasileira jogando em posicionamento semelhante. É possível pensar no mesmo 4-2-3-1 com o agora meia do PSG flutuando e ocupando os espaços entre as linhas adversárias com Firmino se revezando com ele no comando de ataque e jogadores rápidos como Richarlison e Éverton Cebolinha partindo do lado para dentro e abrindo o corredor para a subida dos laterais. Mais atrás, volantes de bom passe e que também pisem na área são fundamentais para que o esquema tático funcione dentro de campo. Não é a primeira vez que Neymar joga atrás dos atacantes no Paris Saint-Germain (relembre clicando aqui). Por outro lado, é a primeira vez que o vemos atuando nesse posicionamento com mais frequência. E a impressão que fica é que o camisa 10 parece ter se reencontrado. Não só pelas demonstrações de maturidade, mas como jogador de futebol. O futuro que se desenha é cada vez mais promissor.

Neymar ainda precisa fazer muito mais dentro de campo para calar os críticos e alcançar o patamar que ele tanto deseja para sua carreira. Mas parece que os primeiros passos já foram dados. E Tite pode muito bem aproveitar essa “nova fase” de seu principal jogador para devolver um pouco de bom futebol à Seleção Brasileira num ano recheado de competições importantes. Ainda mais com a sequência de resultados ruins em 2019.

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