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Artrite reumatoide: conheça a doença que aposentou Caroline Wozniacki

O especialista em medicina do esporte, Dr. Leandro Gregorut explica a doença genética que afeta as articulações, responsável por antecipar a aposentadoria da tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki

Eduardo Statuti
Estudante de jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei. No Torcedores desde 2019.

Crédito: Divulgação WTP

Na última sexta-feira (23), a ex-número 1 do mundo anunciou sua aposentadoria após uma derrota para Ons Jabeur. Wozniacki perdeu por 2 sets a 1 (7-5; 3-6; 7-5) para a tunisiana pela terceira rodada do Aberto da Austrália. Com 30 títulos na carreira, a tenista anunciou que deixaria as quadras devido a uma artrite reumatoide que revelou sofrer no final de 2018. A melhor do mundo em 2010 e 2011 declarou que agora viajará pelo mundo com um projeto de conscientização sobre a doença que a tirou das competições.

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O que é artrite reumatoide?

Em entrevista ao Torcedores, o especialista em Medicina Esportiva pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e ex-médico da seleção brasileira de handebol, Dr. Leandro Gregorut explicou a doença da tenista. Segundo o médico, a artrite reumatoide “É uma doença autoimune na qual o sistema imunológico do seu corpo passa a reconhecer algumas células como inimigas começa a atacá-las, principalmente as células de cartilagem, as células dos tendões e as células dos músculos. A artrite reumatoide também afeta os rins, o pulmão, fígado e a parte óssea.”

O doutor especialista em joelho, ombro e cotovelo no Hospital Sírio Libanês explicou como os atletas podem sentir a doença.”A partir do momento em que as células de cartilagem passam a ser atacadas pelo sistema imunológico essa cartilagem começa a se desgastar e a ter pequenas lesões nas articulações do corpo. Tanto nos dedos quanto nos punhos, no joelho, no quadril e no tornozelo. Qualquer lugar no corpo que você tenha uma articulação, poderá ser atacada pela artrite reumatoide, que é uma doença sistêmica, ou seja, pega o corpo inteiro. Quando você tem esse ataque, há um processo inflamatório, então naquela articulação a inflamação aumenta e o paciente começa a sentir dor, esse é seu primeiro sintoma”, disse o Dr. Gregorut.

“O esporte profissional não é saudável”

Os atletas profissionais seguem uma rotina pesada e intensa de treinos e competições. Os jogadores de tênis chegam a treinar de seis a oito horas todos os dias. Tamanha rotina de exercícios desgasta o corpo dos tenistas e causa uma sobrecarga em seus organismos. “Com essa sobrecarga das articulações você já tem uma lesão natural das cartilagens do joelho, pé, tornozelo e quadril. É normal, tanto que a maioria dos atletas profissionais treinam e jogam até em torno de 30, 35 anos de idade, dificilmente se vê um atleta que joga no nível profissional bom, ou seja, que está se destacando, acima dos 35 anos de idade”, explica o especialista em medicina do esporte.

Para conseguir se prevenir de lesões sérias, os atletas tem de se cuidar para não deixar que a intensidade das exigências sobre seu corpo não se torne nociva. “Todo atleta profissional acaba tendo dor, eles convivem com a dor, é uma coisa importante ressaltar. O esporte profissional não é saudável, todo atleta tem algum tipo de lesão, algum tipo de dor relacionada ao sistema músculo-esquelético. O que é na parte óssea, nos ligamentos, nos tendões e nas cartilagens. Eles acabam convivendo com a dor para poder exercer a profissão deles que é o esporte. No entanto eles têm hábitos saudáveis, eles tem que comer direito, não podem fumar, não podem beber, têm que dormir cedo. Esses hábitos saudáveis fazem com que ele tenha um corpo saudável e possa exercer o esporte.” disse o Dr. Leandro Gregorut.

Como é feito o tratamento da artrite reumatoide

Segundo Leandro Gregorut, “o tratamento normalmente consiste em medicação, então há uma medicação que é a base de corticoide, existem outras drogas anti-inflamatórias que são derivadas dos quimioterápicos. Tudo isso com a intenção de diminuir a resposta do seu sistema imune. É necessário que fazer com que o seu sistema imunológico fique menos agressivo contra as partes do seu corpo no qual está afetando. Que agrida menos as células da cartilagem, as células dos tendões, da musculação e assim por diante”. Porém, os corticoides são proibidos pelo COI e outras organizações durante o período de competições, sendo permitido apenas para infiltrações articulares.

Contudo, quem sofre com a doença deve diminuir a carga de exercícios, e seu impacto sobre o corpo. Entretanto, isso não é viável para atletas de alto rendimento como Caroline Wozniacki. “O tratamento consiste em diminuir um pouco a intensidade dos exercícios que você está fazendo, até melhorar o quadro. Posteriormente o atleta pode retomar a sua atividade física. Não recomendamos aos pacientes que sofrem de artrite reumatoide que parem de fazer nenhuma atividade, mas aconselhamos que evitem os exercícios de impacto”, ressalta.

“A artrite reumatoide é uma doença genética”

A doença que encurtou a carreira profissional de Wosniacki pode aparecer com mais facilidade nas mulheres do que nos homens. De acordo com Gregorut, ela é uma doença genética que se manifesta a partir de uma certa idade e que apesar de poder aparecer em qualquer fase da vida, surge normalmente acima de 40 anos de idade. “Para cada cinco mulheres que têm artrite reumatoide, você tem um homem”; exemplifica Leandro.

A artrite reumatoide, além de ser genética, ainda não tem cura. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, estima-se que uma a cada 100 pessoas têm algum tipo de artrite. Sendo assim, o doutor Gregorut explica que “Fazendo o diagnóstico e o tipo de tratamento correto você estabiliza a doença e faz com que a dor acabe por algum tempo, meses, anos e sem manifestar sintomas da doença. Mas não há tratamento para que você fique sem doença, você vai precisar tratar para o resto da sua vida”.

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