Por fumaça de queimadas, tenista tem crise de tosse e abandona partida na Austrália

Eslovena Dalila Jakupovic teve um ataque de tosse durante partida classificatória para o Open da Austrália. Atleta criticou duramente os organizadores do evento

Aécio de Paula
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução: YouTube

A Austrália segue sofrendo com o caos ambiental que já matou mais de 20 pessoas e milhões de animais. Com o fogo, há a fumaça. Este é um novo problema que alarma as principais cidades do país. O ar de importantes centros metropolitanos está atingindo níveis alarmantes nos últimos dias. O mundo do esporte não está alheio dentro desta situação. É que começaram as partidas classificatórias do Open da Austrália, a primeira forte competição do ano na modalidade.

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Nesta terça-feira (14) esta situação ficou ainda mais clara. Em Melborne, a qualidade do ar preocupou os atletas que se preparam para o torneio. A ex-número 1 do mundo, Maria Sharapova, teve que abandonar uma partida de aquecimento na cidade. Mas o caso mais representativo foi o da atleta eslovena Dalila Jakupovic. Ela estava disputando uma partida qualificatória para o torneio contra a suíça Stefanie Voegel. Até que o pior aconteceu.

A atleta teve uma grande crise de tosse e precisou ir ao chão de tanto tossir. A partida precisou ser cancelada. Aliás, toda a competição precisou ser paralisada por cerca de uma hora antes de ter o retorno aprovado.

“Eu estava com muito medo de entrar em colapso. Foi por isso que caí no chão. Caí porque não conseguia mais andar”, disse ela. “Eu não tenho asma e nunca tive problemas respiratórios. Na verdade, eu gosto de calor. O fisioterapeuta me atendeu e aí pensei que as coisas melhorariam. Mas os pontos se tornaram um pouco mais longos e eu não conseguia mais respirar e caí no chão “, explicou a atleta, que acabou se retirando da competição.

Muitas críticas

O dia cinza na cidade de Melborne provocou críticas duras de diversos atletas. A própria Jakupovic fez duras críticas aos organizadores. De acordo com ela, os diretores não poderiam ter deixado os atletas competirem naquelas condições. “Não era justo. Não era saudável para os atletas”, disse ela. “Fiquei surpresa pois pensei que não jogaríamos hoje. Mas o fato é que não temos muita escolha”, completou.

Quem também criticou foi a canadense Eugenie Bouchard. Em sua partida de classificação, ela chegou a pedir parada para atendimento médico em algumas oportunidades. “Eu senti que era difícil respirar e fiquei um pouco enjoada”, disse ela. “Senti também que as condições pioraram com a partida. Mas fiquei lá por um longo tempo. Como atleta, queremos ter muito cuidado. Isso porque nossa saúde física é uma das coisas mais importantes. Não é ideal jogar nessas condições. Assim como a regra do calor, deve haver uma regra da qualidade do ar. ”

Na última semana, atletas como Novak Djokovic chegaram a ventilar a possibilidade de adiamento do Open da Austrália. Mas mesmo depois de outros pedidos semelhantes, os organizadores do evento disseram que isso não iria acontecer. Dessa forma, o evento seguiria mantido. Não se sabe, porém, se o dia cinza de Melborne e as recentes críticas podem fazer os diretores mudarem de opinião. Só o que sabe é que o processo está tão nebuloso quanto o ar australiano.

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