Jardine critica postura de Mancini e lamenta lesão que atrapalhou Hernanes no São Paulo

André Jardine era tido como grande nome para comandar o São Paulo em 2019, mas acabou demitido do profissional após eliminação na pré-Libertadores

Péterson Neves
Jornalista com passagens pelo Portal R7, Jornal do Trem, Impacto Comunicação, Dialoog Comunicação e Comunicale. Contato: petersongneves@gmail.com

Crédito: Érico Leonan / saopaulofc.net

Responsável por comandar a Seleção Brasileira sub-23 rumo às Olimpíadas de 2020, André Jardine teve uma experiência como técnico do São Paulo no início de 2019 e pode-se dizer que foi frustrante. Após inúmeros títulos na base Tricolor e a revelação de bons nomes, o comandante ganhou chance no time profissional e acabou demitido após pressão pela queda do clube na fase preliminar da Copa Libertadores.

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Em entrevista o programa Bola da Vez, da ESPN, Jardine revelou ter ficado magoado com as declarações de Vagner Macini por algumas críticas indiretas a sua forma de trabalho após assumir interinamente o comando do time devido a sua queda e ironizou a sua saída do Tricolor por não ter ficado com o posto de treinador após a saída de Cuca.

“Sou obrigado a dizer que não gostei de algumas declarações pós-jogos. Ele fez algumas críticas indiretas, se referindo a evoluções, sendo que ele fazia parte também do trabalho anterior. Você não pode falar em evolução se também é parte do problema, mas entendo, porque o Mancini é um treinador e agora tem certeza disso. Naquela época talvez ele vivesse um dilema, se queria ser treinador ou ficar na coordenação, e acho que ele resolveu isso dentro dele, deixou claro para todo mundo e inclusive saiu por não ser efetivado no cargo”, disse Jardine.

Vagner Mancini curiosamente chegou ao São Paulo no começo de 2019 com a função de coordenador-técnico com ajuda de André Jardine para ajudar na comunicação do futebol com a diretoria. No começo, disse que não assumiria o comando do time em nenhuma hipótese, mas aceitou o cargo de forma interina até Cuca terminasse tratamento de um problema cardíaco. Já em setembro, após a saída de Cuca, ele pediu demissão alegando que os dirigentes teriam prometido o cargo de treinador e depois mudado de ideia para trazer Fernando Diniz a pedido dos jogadores, como Daniel Alves.

“Como coordenador, ele seria um cara com experiência de campo, um cara para trocar ideia de jogo, mas fundamentalmente um cara para fazer essa aproximação entre treinador e diretoria. Eu queria ter, ao lado da direção, uma pessoa que tivesse 100% de consciência daquilo que a gente estava fazendo, das ideias, porque eu sabia que em algum momento iria fazer coisas não triviais e o pessoal poderia dizer: “ih, será?”. Eu queria que alguém defendesse o trabalho e o Mancini surgiu como essa alternativa. Ele não queria vir, eu acabei ligando pessoalmente explicando a importância. Eu dei o aval. Não sei (se ele defendeu o trabalho), quero acreditar que sim. É uma pessoa que eu gosto, um amigo que eu tenho. Não temos tanta relação, mas eu respeito bastante. Ele estava ali, sabe tudo o que aconteceu, sabe o por quê de cada escalação e de cada estratégia, então tinha condição de defender”, completou Jardine.

Maior contratação do São Paulo no ano passado, Hernanes não conseguiu repetir o futebol brilhante da passagem por empréstimo de 2017. Com Jardine, o meio-campista sofreu com uma fisgada na coxa ainda na pré-temporada e deu início a uma série de lesões ao longo de 2019.

“Ele chegou em uma pré-temporada que praticamente não existiu (na Florida Cup), e não porque a gente quis, mas porque o calendário espremeu. Quando se aceitou o convite, não se imaginou a situação de pré-Libertadores. No momento que eu assumo, não tem mais a escolha de ir ou não ir, a gente tinha que ir por efeito de contrato. Sabíamos que ia atrapalhar um pouco, mas resolvemos lutar com a adversidade e fazer daquilo ali uma coisa positiva. O Hernanes teve pouco tempo, a gente entendia que ele tinha que jogar porque precisava de ritmo. Julgamos ideal que ele jogasse 45 minutos (por jogo), para não esticar demais e nem de menos. O prazo da pré-Libertadores era o meu prazo, mas era o dele também. Naqueles jogos ele tinha que estar bem para fazer a diferença. A gente conduziu tudo na ponta dos dedos, mas no último dia de pré-temporada ele sentiu um desconforto na posterior. Foi uma pena. Nem foi um treino forte, era leve, mas ele diz que em uma das últimas finalizações ele chutou e a musculatura deu um “oi”. Ali atrasou um pouquinho, a gente teve que segurar no início do Paulista, ele perdeu ritmo, não treinou com a mesma força que os outros. Ele continuou lutando o ano todo para chegar no seu ideal e ainda não conseguiu, mas eu não tenho dúvida de que vai produzir ainda e dar muita alegria para a torcida do São Paulo”, finalizou.

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