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Mudanças de André Jardine não dão certo e Seleção Olímpica apresenta velhos problemas no empate contra a Colômbia

Treinador brasileiro fez três mudanças no sistema defensivo, mas setor volta a falhar; Seleção Olímpica segue dependendo de criatividade dos volantes e brilho individual para chegar no ataque

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

As quatro partidas da Seleção Brasileira Sub-23 na fase de grupos do Pré-Olímpico da Colômbia mostraram uma equipe que gosta de ficar com a bola, tem predileção pelo ataque e que possui sérios problemas defensivos. A virada contra o Paraguai havia mostrado opções interessantes para o técnico André Jardine, sobretudo na defesa, onde Dodô havia mostrado mais consistência defensiva do que o até então titular Guga. O treinador brasileiro mexeu em três posições da sua primeira linha, mas viu a Seleção Olímpica apresentar os velhos problemas no empate em 1 a 1 com os donos da casa nesta segunda-feira (3). Menos mal que Matheus Cunha salvou a equipe com um chute de fora da área. Mas o alerta segue mais do que ligado diante do que pode ter sido a pior atuação coletiva da equipe de André Jardine até o momento. Com Matheus Henrique, Bruno Guimarães e Pedrinho bem marcados, o Brasil encontrou muitas dificuldades contra os colombianos.

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O técnico André Jardine promoveu as entradas de Dodô, Bruno Fuchs e Yago nas vagas de Guga, Robson Bambu e Caio Henrique respectivamente. O que se viu, no entanto, foi um sistema defensivo completamente desorganizado e que abriu espaços generosos para a Colõmbia chegar no ataque com bem quis. Tanto que o goleiro Ivan teve que trabalhar e salvou a Seleção Olímpica com pelo menos duas grandes defesas. Bruno Fuchs esteve numa noite péssima e errou praticamente tudo que tentou durante os noventa minutos, Iago comprometeu muito na marcação (além de ter falhado no gol colombiano marcado por Cetré) e Dodô não repetiu a atuação que teve contra o Paraguai. Some isso à boa marcação na saída de bola brasileira por parte dos donos da casa e você vai entender porque a Seleção Olímpica encontrou tantas dificuldades. Mais à frente, Matheus Henrique e Bruno Guimarães demoraram para se entender na marcação e também não estiveram numa noite lá muito inspirada. Não foram poucas as vezes em que os colombianos estiveram em condições de balançar as redes.

Dodô, Bruno Fuchs e Iago entraram na defesa brasileira, mas o setor seguiu com problemas graves. Além das tomadas de decisão erradas em vários momentos da partida, os jogadores brasileiros deixaram espaços generosos para os colombianos na frente da área. Foto: Reprodução / SporTV

André Jardine manteve seu 4-2-3-1 e a saída com bola no chão nessa partida contra a Colômbia. Mas também viu sua equipe dominar as ações no meio-campo e apresentar mais dois problemas: a falta de criatividade (Bruno Guimarães, Matheus Henrique e Pedrinho estavam muito bem marcados) e as muitas falhas nas conclusões a gol. E isso quando já se sabia que o goleiro Esteban Ruiz não inspirava lá muita confiança na meta colombiana e costumava dar rebote em chutes “fáceis”. Faltou tentar mais chutes de média e longa distância e calibrar a pontaria. Pedrinho perdeu uma chance incrível dentro da pequena área, Antony poderia ter chutado mais a gol e Paulinho também errou o alvo. Parte dessa dificuldade da Seleção Olímpica também vinha da boa marcação da Colômbia (armada num 4-5-1 que manteve Carrascal como “falso nove” no comando de ataque). Sem conseguir encontrar espaços no meio da defesa adversária, o Brasil começou a apelar para os cruzamentos e só conseguiu o empate em chute de fora da área de Matheus Cunha que Esteban Ruiz aceitou. Dos males, o menor.

Com a defesa colombiana bem fechada, o 4-2-3-1 costumeiro de André Jardine na Seleção Olímpica encontrou muitas dificuldades para chegar no ataque. Acabou que o gol brasileiro saiu de um chute de fora da área de Matheus Cunha e que Esteban Ruiz aceitou. Foto: Reprodução / SporTV

Apesar do resultado ruim, há coisas boas para se tirar desse empate. A primeira é a força mental da Seleção Olímpica para buscar a igualdade no placar numa situação inédita na competição e diante da forte pressão da torcida adversária. Além disso, o gol de Matheus Cunha saiu num momento em que toda a equipe brasileira já começava a dar sinais de nervosismo e ansiedade. Vale destacar as boas atuações do já citado Matheus Cunha, de Paulinho (que foi jogar mais próximo do camisa 9 após as mexidas de André Jardine), de Bruno Guimarães e de Pepê. O atacante gremista pode não ter balançado as redes como fez em outras três oportunidades, mas foi importante para fechar o lado esquerdo da defesa brasileira e explorar os espaços que tinha à sua frente. Antony, quando foi mais objetivo, também levou perigo ao gol colombiano. Diante do que se viu nesta segunda-feira (3), André Jardine precisa acertar o sistema defensivo o quanto antes para a sequência do quadrangular final. Não é só a atuação dos zagueiros. Falta cobertura e compactação na frente da primeira linha.

É bem verdade que eu e você esperávamos uma vitória sobre a Colômbia. Mas a Seleção Olímpica segue dependendo apenas de suas forças para se garantir nos Jogos de Tóquio. A próxima partida acontece na quinta-feira (6) contra o Uruguai.

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