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Virada sobre o Paraguai mantém os 100% de aproveitamento do Brasil no Pré-Olímpico e dá ótimas opções para André Jardine

Pepê, Dodô e Paulinho foram os destaques da vitória por 2 a 1 sobre os paraguaios; Seleção Olímpica estreia no quadrangular final nesta segunda-feira (3), às 20 horas, contra a Colômbia

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Quatro jogos, quatro vitórias, onze gols marcados e cinco sofridos. Os números da Seleção Brasileira Sub-23 na disputa do Pré-Olímpico mostram uma equipe com clara predileção pelo ataque apesar dos problemas defensivos que ainda teimam em existir. E a vitória de virada sobre o Paraguai nesta sexta-feira (31) deixou clara a superioridade da equipe comandada por André Jardine com relação aos adversários da fase de grupos da competição. O treinador brasileiro utilizou apenas três titulares durante os 90 minutos (Matheus Henrique começou jogando com Bruno Guimarães e Paulinho entrando no decorrer da partida) e teve ainda mais certeza de que conta com excelentes opções para a sequência do Pré-Olímpico. Destaque para o lateral-direito Dodô (que apareceu bem no ataque e, tirando uma saída de bola errada, não comprometeu na defesa) e para o atacante Pepê, artilheiro da competição com três gols.

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Com a Seleção Brasileira classificada para o quadrangular final do Pré-Olímpico, o técnico André Jardine optou por mandar a campo uma equipe quase que totalmente formada por reservas. O único titular era o volante Matheus Henrique, que formou dupla de volantes com Maycon e ajudou a organizar a saída de bola do 4-2-3-1 que eu e você já conhecemos. O estilo de ataque posicional com passes curtos e construção das jogadas a partir da área defensiva também estava ali. E foi dessa maneira que o Brasil conseguiu criar as suas melhores chances diante de um Paraguai afobado e que precisava vencer a partida para se classificar. Mas a superioridade do escrete canarinho começou a ficar clara desde o início. Primeiro com Bruno Tabata e Pepê abrindo o jogo pelas pontas e aproveitando os espaços na defesa adversária. E depois com Igor Gomes se movimentando bem na frente e as boas jogadas de pivô de Yuri Alberto. As inúmeras chances desperdiçadas ainda preocupam, mas é bom ver que todo o time comprou as ideias propostas por André Jardine.

Pepê e Bruno Tabata abertos pelas pontas, Igor Gomes se movimentando no meio e Yuri Alberto fazendo as jogadas de pivô. A movimentação e a intensidade do quarteto ofensivo brasileiro foram algumas das armas mais eficientes da equipe nesse Pré-Olímpico. Foto: Reprodução / SporTV

Dentro desse cenário que se desenhou na vitória sobre o Paraguai, vale destacar a atuação de alguns reservas. A começar pelo lateral-direito Dodô. O jogador do Shakhtar Donetsk foi bem no apoio ao ataque, seja abrindo o campo ou vindo mais por dentro, sempre se lançando no espaço vazio e se apresentando na intermediária ofensiva. Na defesa, tirando apenas uma saída de bola errada que resultou em contra-ataque do Paraguai, o camisa 20 não comprometeu e mostrou mais consistência do que o titular Guga. E dentro da dinâmica que o 4-2-3-1 de André Jardine pedia, a característica dos jogadores que estavam em campo permitiram que o esquema sofresse variações, como a chegada de Matheus Henrique junto a Igor Gomes num 4-3-3 que tinha Bruno Tabata e Pepê bem abertos e Dodô chegando por dentro como elemento surpresa. E nesse ponto, vale destacar bem o trabalho de Yuri Alberto, fazendo bem o pivô e distribuindo bem os passes na frente da área adversária. Só faltou o time colocar o “pé na forma” nessa primeira etapa.

Dodô aparece pelo meio como “lateral armador” e aproveita os espaços abertos pela movimentação do quarteto ofensivo. Com as subidas de Matheus Henrique para o ataque, a Seleção Olímpica se organizou num 4-3-3 mais definido em determinados momentos do jogo. Foto: Reprodução / SporTV

O segundo tempo começou com o Paraguai se lançando mais ao ataque e com a Seleção Brasileira apresentando os velhos problemas defensivos já citados mais de uma vez aqui neste espaço. Principalmente na cobertura e nas bolas paradas. O gol de Hugo Fernández fez com que André Jardine sacasse Yuri Alberto e mandasse Paulinho para o jogo. A partir daí, tivemos uma alteração no 4-2-3-1 da Seleção Olímpica. O camisa 7 passou a atuar centralizado e Bruno Tabata e Pepê mudaram de lados. A ideia era dar profundidade e mais movimentação ao time brasileiro. A ideia deu certo quando Bruno Guimarães (que havia entrado dois minutos antes) recebeu no meio e achou Paulinho dentro da área. O atacante do Bayer Leverkusen atacou o espaço vazio, ajeitou o corpo e mandou para as redes. Pouco depois, foi a vez de Pepê jogar centralizado. Bruno Tabata voltou para a direita e Paulinho foi para a esquerda. Com o time mais leve e mais envolvente (apesar dos espaços na defesa), a Seleção Olímpica chegou à vitória com Pepê completando passe de Igor Gomes com uma bela cavadinha.

As inversões de posição do quarteto ofensivo da Seleção Brasileira no segundo tempo ajudaram o time a criar espaços e balançar as redes duas vezes. Destaque para as grandes atuações de Pepê e Paulinho e para a participação de Igor Gomes e Bruno Guimarães nas jogadas dos dois gols. Foto: Reprodução / SporTV

Apesar da boa produção ofensiva da Seleção Brasileira no Pré-Olímpico (média de quase três gols por jogo e média de 65,7% de posse de bola nas quatro partidas da primeira fase), a defesa ainda é uma dor de cabeça constante para André Jardine que, por sua vez, avisou que não pretende abrir mão do seu estilo de jogo. Entretanto, o treinador da equipe Sub-23 pode realizar mudanças no time titular a partir da estreia da sua equipe no quadrangular decisivo diante da Colômbia, na segunda-feira (3). Vale lembrar que o nível de exigência vai aumentar consideravelmente a partir dessa fase do Pré-Olímpico. Equipes como a Argentina possuem muito mais solidez na marcação (a Albiceleste só levou dois gols na competição) e muito mais força no ataque. Serão três partidas em seis dias, ponto que deixa o banco de reservas da Seleção Brasileira com uma importância ainda maior. Pepê, Reinier (mesmo sem ter jogado aquilo que pode), Dodô, Maycon e Igor Gomes são nomes que podem ganhar mais chances.

Para superar as fraquezas defensivas e manter o nível das atuações no ataque, a Seleção Olímpica vai precisar de muita força mental e muita concentração. A partir de segunda-feira (3) qualquer deslize e qualquer soberba podem ser fatais na briga por uma das duas vagas nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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