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Seleção Brasileira Feminina Sub-20 apresenta bom jogo coletivo e boas ideias de Jonas Urias

Escrete canarinho goleou o Peru por 7 a 0 na última segunda-feira (27) em partida realizada na Granja Comary

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Adriano Fontes / CBF

A Seleção Brasileira Feminina Sub-20 teve atuação praticamente irretocável na goleada sobre o Peru por 7 a 0 nesta segunda-feira (27), em partida na Granja Comary. E mais do que o resultado em si, a equipe de Jonas Urias mostrou um bom jogo coletivo, com boas trocas de passe, movimentação inteligente de jogadoras como Camila, Yayá, Jacqueline e Duda e um estilo bem definido pelo seu treinador. É bem verdade que o Peru não ofereceu (quase) nenhuma resistência ao escrete canarinho durante os noventa e poucos minutos de partida em Teresópolis. Mesmo assim, o teste foi importante para colocar em prática as (ótimas) ideias de Jonas Urias e entrosar a equipe. Excelente resultado da Seleção Feminina Sub-20 e perspectivas mais do que animadoras para o futuro da equipe e das atletas nos seus clubes. Ainda mais com o início das Séries A1 e A2 cada vez mais próximo.

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Antes de mais nada, é preciso dizer que o retorno das atividades das seleções de base era algo pedido há muito tempo por quem acompanha o futebol feminino. Por mais que Marta, Formiga e Cristiane sejam importantíssimas para a modalidade e ainda imprescindíveis a curto prazo, a necessidade de se formar novas atletas era urgente. E nesse cesário, o trabalho de Jonas Urias vem sendo fundamental para dar minutos e rodagem para jogadoras promissoras como Yayá, Duda, Isadora e Mylena. E tudo passa por um 4-4-2 bastante semelhante ao utilizado por Pia Sundhage na equipe principal. Jogadoras próximas umas das outras, saída de bola sustentada e passes curtos e certeiros. E o início do jogo brasileiro começava com as zagueiras Isadora e Camila, as duas com bom posicionamento e ótima visão de jogo para qualificar a saída de bola da equipe. Ao mesmo tempo, a lateral que está no lado oposto onde a jogada acontece fecha mais pelo meio para dar opção. E isso sem falar na aproximação das volantes Angelina e Yayá.

A saída de bola da Seleção Feminina Sub-20 chamou a atenção pela organização e pela boa dinâmica que o técnico Jonas Urias implantou na equipe. Jogadoras próximas, zagueiras com bom passe e boa visão de jogo e boa ocupação de espaços por parte das volantes e “pontas”. Foto: Reprodução / YouTube / CBF

Se a defesa funcionava bem, o ataque cumpria bem seu papel. Muito por conta da presença constante de Angelina e Yayá no campo de ataque. Da mesma maneira que acontece na Seleção Principal com Pia Sundhage, o 4-4-2 de Jonas Urias depende muito da aproximação das volantes junto das laterais e das “pontas”. Com Jacqueline, Mylena e Marta explorando bem os espaços na defesa peruana, as laterais Bruna (substituta de Vitória) e Gisseli também tinham condições de aparecer pelo meio para participar da construção das jogadas de ataque. E vale lembrar que boa parte das chances de gol criadas pela Seleção Feminina Sub-20 saíram dessa troca de passes e dessas ultrapassagens de laterais, volantes e meias junto à dupla de ataque. Ao mesmo tempo, um outro ponto merece a atenção de todos. A equipe de Jonas Urias não se limita às jogadas de linha de fundo e às tabelas na frente da área. Sempre que é necessário, as atletas tentam o chute de longa e média distância. E algumas delas (notadamente Jacqueline e Camila) batem na bola com rara qualidade.

Marta recebeu a bola de costas e tinha opções variadas para dar sequência ao contra-ataque. Vale destacar as subidas das volantes ao ataque (Yayá pisando na área e Angelina um pouco mais atrás), as laterais vindo jogar mais por dentro e a amplitude que as “pontas” proporcionavam ao explorarem bem os lados do campo. Foto: Reprodução / YouTube / CBF

Se as trocas de passe e ultrapassagens foram responsáveis por boa parte das chances criadas pela Seleção Brasileira Feminina Sub-20, vale destacar também a maneira como a equipe de Jonas Urias se comporta quando o adversário tem a posse de bola. Sempre com as linhas avançadas de modo a quebrar as linhas de passe e pressionar o erro de quem tem a posse da redondinha. Tudo feito com muita intensidade e organização. Bola recuperada, todo o time já se posiciona de modo a receber o passe curto ou a bola em profundidade. E é interessante notar que o desenho tático e a disposição das atletas em campo possui muitas semelhanças com a maneira como Pia Sundhage pensa o jogo na equipe principal. É evidente que cada treinador tem sua maneira de trabalhar. Mesmo assim, é reconfortante ver que as duas equipes possuem muitas semelhanças entre si no modo de jogar o futebol. Esse processo já facilita uma possível chegada das atletas mais jovens no time de cima sem que haja tanta necessidade de adaptação a uma “nova forma” de jogar.

A Seleção Feminina Sub-20 abusa da intensidade na marcação e avança as suas linhas para pressionar o adversário. E isso tudo sem perder a compactação. O trabalho de Jonas Urias e Pia Sundhage trazem muitas semelhanças na maneira de se pensar o jogo. Foto: Reprodução / YouTube / CBF

É bem verdade que a Seleção Peruana não ofereceu quase nenhuma resistência para a nossa equipe feminina e também colaborou bastante para a construção da goleada na Granja Comary. Mesmo assim, foi bom ver algumas das nossas mais promissoras atletas em campo e se mostrando muito à vontade dentro daquilo que Jonas Urias propunha para o time. É evidente, no entanto, que ajustes ainda são necessários e que a Seleção Sub-20 ainda precisa passar por testes mais complicados para encarar as competições que terá pela frente nos próximos dias. Por outro lado, essas mesmas jogadoras terão pela frente o início das competições nacionais. Será uma ótima oportunidade de ver Angelina, Yayá, Camila, Mylena, Jacqueline, Marta, Isadora e várias outras dos nossos jovens valores disputando as Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro Feminino. Mas não antes da disputa do triangular final da Liga Sul-Americana Sub-19, na Venezuela, já no início de fevereiro. E no mês seguinte, na Argentina, elas terão a disputa do Campeonato Sul-Americano Sub-20. A tendência é vermos o nível de exigência aumentar consideravelmente a partir dos próximos dias.

Nesta quarta-feira (29) será a vez da Seleção Feminina Sub-17 entrar em campo na Granja Comary para enfrentar o Peru em partida amistosa. É mais uma ótima oportunidade para descobrir novos valores, trabalhar a base e preparar o terreno para o futuro do futebol feminino por estas bandas.

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