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Não é só o resultado: vitória do Corinthians sobre o Palmeiras mostra que futebol feminino brasileiro pode ter temporada mágica em 2020

Equipe comandada por Arthur Elias aumentou a sequência invicta para 46 partidas com o triunfo sobre o Palmeiras em Vinhedo; jogo abriu com pompas e circunstâncias o calendário do futebol feminino em 2020

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Assim como acontece em toda partida do velho e rude esporte bretão, no final das contas, o que vale de verdade é o resultado final. No entanto, em tempos de afirmação cada vez maior do futebol feminino jogado por estas bandas, é dever de quem acompanha a modalidade exaltar o que vem acontecendo no Brasil. Ainda mais com o belo jogo que Corinthians e Palmeiras fizeram neste domingo (9), em Vinhedo, na rodada de abertura da Série A1 do Brasileirão Feminino. Não somente por mais uma atuação sólida das comandadas de Arthur Elias, mas pela maneira como o escrete alviverde se comportou durante os 90 minutos. Por mais que o Corinthians seja o time a ser batido nessa temporada, o Palmeiras mostrou que pode ir longe com o investimento feito no início de temporada e o desejo de colocar o nome do clube entre as grandes equipes do fuetbol feminino. Enfim, quem acompanha a modalidade teve as esperanças renovadas.

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O Corinthians entrou em campo armado no mesmo 4-4-2/4-2-2-2 preferido de Arthur Elias. Tamires e Cacau jogavam pelos lados com Crivelari um pouco mais fixa no comando de ataque e Vic Albuquerque se movimentando bastante no setor ofensivo. No mais, a espinha dorsal do Timão era praticamente a mesma da equipe que conquistou o Paulistão e a Libertadores na temporada passada. Com a bola no pé, as jogadoras do Corinthians buscavam os espaços vazios e tentavam bagunçar o sistema defensivo do Palmeiras. Falando na equipe alviverde, as comandadas de Ricardo Belli se organizavam num 3-4-1-2 que tinha em Nicoly a responsável por qualificar a saída de bola e nas alas Isabella e Vitória as válvulas de escape para furar o sólido sistema defensivo das adversárias. O Corinthians abriu o placar com Crivelari aproveitando cruzamento de Tamires e Carla Nunes empatou em belo chute de fora da área. E isso com as duas equipes mostrando boas ideias dentro de campo.

O Corinthians encarou o Palmeiras armado no mesmo 4-4-2/4-2-2-2 preferido de Arthur Elias. Tamires e Cacau faziam bom jogo pelos lados, mas o Palmeiras também apresentava boas ideias a partir do 3-4-1-2 de Ricardo Belli e da movimentação das suas atacantes. Foto: Reprodução / BAND

O Palmeiras começou a subir de produção no final da primeira etapa e manteve o nível do seu futebol até o momento em que Grazi marcou o segundo gol do Corinthians em bela troca de passes aos 21 minutos do segundo tempo. Até ali, a equipe alviverde criava bastante com Ottilia (substituta da veterana Rosana), Vitória, Bianca e Carla Nunes. Mas a experiência e o entrosamento das comandadas de Arthur Elias fizeram a diferença num jogo cheio de boas tramas e ótimas estratégias. Se falamos que o Palmeiras se organizava num 3-4-1-2 na maioria do tempo, o time também variava sua formação apenas com o avanço de Nicoly para a frente da última linha defensiva. Mais à frente, Karla Alves e Ary Borges se alinhavam à Bianca reorganizando o time alviverde numa espécie de 4-1-3-2 bem ofensivo. No entanto, ao mesmo tempo em que o Verdão pressionava, a equipe abria espaços que eram bem aproveitados pelas corintianas. Exatamente como aconteceu no belo gol marcado por Grazi.

O Palmeiras melhorou seu desempenho a partir do final do primeiro tempo e mostrou variações interessantes no seu desenho tático ao longo da partida. Já o Corinthians saiu de campo vitorioso muito por conta do entrosamento e da ótima consistência da equipe. Foto: Reprodução / BAND

Vale destacar aqui também a maneira como o Corinthians suportou a pressão do Palmeiras, sempre mantendo seu estilo e sem perder a concentração. Mesmo nos momentos em que as comandadas de Ricardo Belli mais pressionavam e mais levavam perigo ao gol defendido por Lelê (esta sempre segura debaixo das traves e com muita atenção na saída de bola). E isso não diminui em nada a boa atuação do Palmeiras que, por sua vez, ainda busca o entrosamento necessário entre as atletas que chegaram nesta temporada. Coisa que as comandadas de Arhtur Elias já possuem. Tanto que o Timão não chegou às suas incríveis 46 partidas de invencibilidade por acaso. É muito por conta disso que o Corinthians segue como a equipe a ser batida nessa temporada de 2020 do futebol feminino. E a tendência é que equipes como Santos, Ferroviária, Grêmio, Internacional, Flamengo, Cruzeiro e Kindermann venham ainda mais fortes. E o futebol feminino só tem a crescer em qualidade com todo esse processo.

Mais do que o resultado, Corinthians e Palmeiras mostraram que o futebol feminino vem com tudo em 2020. Boas ideias dentro de campo, ótimas jogadoras, profissionais qualificados no banco de reservas. Exatamente o que a modalidade precisa para se manter viva, atuante e sempre em crescimento.

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