Garone: “Cano é um oásis no deserto ofensivo do Vasco; Vinícius pede passagem”

O alto volume ofensivo do Vasco com baixa quantidade de gols diz mais sobre a incapacidade técnica do time do que da qualidade tática da equipe.

Andre Schmidt
Colaborador do Torcedores

Crédito: Rafael Ribeiro/Vasco

Abel Braga deixou o gramado do Albertão, no Piauí, após o empate em 1 a 1 com o Altos, afirmando que foi um ‘resultado injusto’. Para o treinador, pelo volume ofensivo produzido pela equipe, uma vitória teria sido mais justa. Ele tem razão. Foram 25 conclusões em gol, a maior marca registrada pelo Footstats nos jogos já realizados na Copa do Brasil deste ano. Em nenhuma rodada do Brasileiro 2019 o time alcançou essa marca.

É significativo, porém, cabe ao treinador entender o porquê da bola não estar entrando. Mesmo contra um adversário tão frágil.

O volume de criação engana e nem sempre configura qualidade. Pelo contrário.

Além de maior finalizador da Copa do Brasil, o Cruz-Maltino é também o líder no Carioca – sem transmissão, os jogos do Flamengo não vêm tendo as estatísticas computadas -, com 77. Dessas, no entanto, 38 foram de fora da área. De longe, apenas sete certas. Na Sul-Americana, contra o Oriente Petrolero, foram outras 14 – quatro de fora.

Ou seja, nos sete jogos com scout em 2020 – o duelo com o Rubro-Negro não foi contabilizado -, o Vasco arrematou 116 vezes e marcou apenas seis gols. Um rendimento de quase um tento a cada 20 conclusões. No Brasileirão, onde o desempenho ofensivo já foi péssimo – o artilheiro do time, Yago Pikachu, fez apenas 5 – a média foi de um gol a cada 12 tentativas.

Não é ao acaso. Não é azar. É qualidade.

Um oásis em meio a esse deserto ofensivo que se tornou o Vasco é Germán Cano. Autor de quatro dos seis gols anotados na temporada – os outros dois foram do zagueiro Werley -, o argentino é responsável por 17 das 41 finalizações certas da equipe no ano. Isso significa 41,4% da produtividade do time – mesmo sem ter atuado contra o Botafogo.

Cano tentou 26 vezes e acertou 17, um aproveitamento de 65,3%. Marrony finalizou em 21 oportunidades e mandou apenas quatro no alvo (19%). Talles Magno, somente três em 14 (21,4%). Juntos, Marrony e Talles não acertaram metade das conclusões de Cano. Não à toa ainda não marcaram no ano.

Depois do trio ofensivo, quem mais arriscou foi Yago Pikachu, com 10, e Werley, com oito. Ambos acertaram quatro. E cadê o meio-campo?

Sem meias com qualidade para criar, quase todo o jogo vascaíno transcorre pelos lados. Pikachu, além de um dos principais finalizadores, é também o líder em assistências para finalização no time, com 20. Com 12, o lateral-esquerdo Henrique é o segundo. Só depois aparecem Raul e Andrey, com nove.

Talles Magno e Marrony, que na teoria deveriam abastecer Germán Cano, deram apenas sete e seis passes para conclusão, respectivamente. Muito pouco para quem ter o dever de criar – já que na finalização também vêm pecando.

Seis é também o número de assistências de Vinícius, de 18 anos. O garoto, no entanto, esteve em campo por apenas 267 minutos, enquanto que Talles jogou em 440 e Marrony, 497. Praticamente a mesma produtividade da dupla em metade do tempo. De quebra, acertou três das cinco finalizações que tentou (60%), sendo duas na trave – uma de letra – e é o maior driblador do Cruz-Maltino, com 11. Magno vem em 2º, com 9. Marrony tem apenas quatro.

Lembrando: com menos de 300 minutos em campo.

Vinícius não é a solução definitiva do Vasco. Como todo jovem oscilará – vide Talles e Marrony. Hoje, porém, é inegavelmente uma opção mais interessante que o camisa 7. E os números comprovam isso.

O menino cria, supera adversários, muda o ritmo e conclui com mais eficiência que o atual titular. Num time pobre ofensivamente e improdutivo – inclusive tecnicamente -, ele pede passagem.

* Com números do Footstats

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