As lições que ficam da doída eliminação do Fortaleza na Copa Sul-Americana

Leão do Pici chegou a abrir dois gols de vantagem no placar, mas Independiente marcou com lateral Bustos nos acréscimos; Fortaleza faz bom jogo e mostra que pode sonhar com vôos ainda mais altos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Fortaleza Esporte Clube

Impossível não se encantar com o cenário visto na Arena Castelão nesta quinta-feira (27). Impossível não se compadecer com o torcedor do Fortaleza que empurrou seu time durante os noventa e poucos minutos de partida contra o tradicionalíssimo Independiente. Impossível não se emocionar com a grande atuação do Leão do Pici e a doída eliminação na Copa Sul-Americana. É preciso dizer que o Fortaleza foi superior ao escrete comandado por Lucas Pusineri nos dois tempos, pressionou bastante o adversário e chegou a abrir dois gols de vantagem contra o Rey de Copas para delírio dos mais de 52 mil presentes no Castelão. Infelizmente, o gol marcado por Bustos aos 47 minutos da segunda etapa foi um tremendo balde d’água fria em quem via a vaga na segunda fase da Copa Sul-Americana bem de perto. Coisas de um esporte que nem sempre premia os preferidos do nosso coração. O Fortaleza foi gigante. Mas não foi suficiente.

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Precisando da vitória por dois gols de diferença para se garantir na próxima fase, Rogério Ceni armou o Fortaleza como bem gosta: o seu costumeiro 4-2-3-1 (que se desdobrava num ofensivo 4-2-4 em determinados momentos do jogo) com linhas adiantadas, boas trocas de passe, velocidade pelos lados do campo e muita intensidade nas transições. As melhores jogadas saíam pelo lado esquerdo, com Osvaldo levando o lado direito da defesa do Independiente à loucura. Foi o camisa 11 quem sofreu o pênalti bem convertido por Juninho, aos 27 minutos da primeira etapa. E isso num momento em que a equipe argentina equilibrava o jogo no meio-campo e fazia o (ótimo) goleiro Felipe Alves trabalhar na Arena Castelão apesar de mostrar claras preocupações defensivas ao posicionar cinco jogadores na frente da área do goleiro Campaña. De acordo com o SofaScore, foram 72 por centro de posse de bola de um Fortaleza ligado no 220 contra um Independiente mais cauteloso e mais pragmático nessa primeira etapa, mas que não abdicou do ataque e levou certo perigo jogando no 4-4-2 de Lucas Pusineri.

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Osvaldo seguia como o principal nome do Fortaleza no segundo tempo ao criar três chances de gol em menos de dez minutos. Do outro lado, o Independiente aumentou a intensidade nas transições e levou perigo ao gol de Felipe Alves em chutes de Fernández e Silvio Romero. Logo depois que David desperdiçou duas boas chances de marcar, Rogério Ceni sacou Romarinho para a entrada do meia Marlon (com o objetivo de melhorar a produção ofensiva da sua equipe) e viu o homem da sua confiança marcar um belo gol em chute da entrada da área aos 32 minutos da segunda etapa. No entanto, mesmo com a vantagem de dois gols no placar, faltou ao Fortaleza a “casca” e a experiência necessária para segurar mais o jogo no ataque, buscar ampliar o marcador e não ceder tanto para o Independiente, clube muito mais acostumado a disputar competições internacionais. O gol marcado pelo lateral Bustos aos 47 minutos foi um tremendo castigo para os torcedores do Leão do Pici, que viram a inédita classificação na Copa Sul-Americana escapar por entre os dedos. Uma pena.

O Fortaleza fez sim uma boa partida na Arena Castelão, mas a pouquíssima rodagem internacional da equipe e o (polêmico) critério do gol qualificado acabaram com as esperanças da equipe de Rogério Ceni. A eliminação é doída, mas também traz ensinamentos para o restante da temporada. É possível dizer que o Leão do Pici já está pronto para ir mais longe. Tanto que Rogério Ceni não exagerou quando disse que sua equipe foi superior ao Indepenidente no jogo desta quinta-feira (27). Faltou sim experiência para aproveitar os espaços que surgiram na defesa do Rey de Copas e uma certa dose de malícia para cozinhar o jogo e administrar ou até aumentar a vantagem no Castelão. E essa experiência só pode ser adquirida jogando, disputando competições e batendo de frente com os principais times do país. O Fortaleza já se consolidou a nível regional e pode ir muito mais longe a nível nacional. O trabalho nos bastidores é sério e a equipe cearense tem condições de retornar para a Copa Sul-Americana em 2021.

Toda derrota e toda eliminação trazem lições que devem ser aprendidas por aqueles que saíram derrotados. E se o Fortaleza quiser disputar mais competições internacionais daqui pra frente, precisa assimilar aquilo que vivenciou e corrigir erros. É assim que os gigantes se mantém no topo. E o Leão do Pici pode chegar lá.

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