Garone: Pandemia matou jogadores e mudou o cenário do futebol carioca em 1918

Não é a primeira vez que a sociedade se vê em meio a uma pandemia. Como parte da sociedade, claro, o futebol também já sofreu em razão disso. Que tenhamos aprendido com o passado

Andre Schmidt
Colaborador do Torcedores

Crédito: Time do Fluminense teve vários casos de gripe espanhola (Foto: Reprodução)

Atualmente paralisado por conta da disseminação do coronavírus, o Campeonato Carioca foi um dos mais afetados pela gripe espanhola que chegou ao país em 1918. O primeiro registro de caso no Brasil ocorreu em Pernambuco, segundo registros, em setembro daquele ano. Mas não demoraria para chegar ao Rio.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

Em outubro, com o rápido avanço da doença na cidade, as autoridades já pensavam na paralisação do Estadual e do adiamento do Campeonato Sul-Americano de Seleções que seria realizado lá. Segundo reportagem do Jornal do Brasil na época, cerca de dois terços dos atletas teriam contraído o vírus.

Dois deles não sobreviveram à pandemia

O primeiro foi João Cantuária, ídolo e um dos fundadores do São Cristóvão, em 1909. Presença constante na Seleção Carioca e com jogos também pela nacional, Cantuária chegou a ser reserva do time estadual mesmo já debilitado por conta da doença. Esperavam que um homem atlético de 25 anos se recuperasse rápido da pandemia. Não foi o que ocorreu.

Cantuária, um dos maiores nomes do ‘São Cri Cri’, faleceu no dia 25 de outubro daquele ano, já com as competições paradas. O mesmo ocorreu com o inglês Archibald French, do Fluminense.

Destaque do Bangu entre 1915 e 1917, o atacante foi contratado pelo Tricolor em 18. Praticamente toda a equipe que liderava o Carioca contraiu a doença naquele período – estima-se que mais de 12 mil cariocas e 35 mil brasileiros morreram em poucos meses. French, que era titular do ataque junto do seu compatriota Henry Welfare – chegou inclusive a marcar no triunfo por 3 a 0 do time no Fla-Flu disputado em junho -, não resistiu.

O Carioca ficou parado entre outubro e dezembro, retornando apenas para as partidas finais. Com diversos atletas debilitados, o Fluminense se sagrou campeão mesmo perdendo por W.O o último duelo, contra o Carioca.

A 2ª divisão, onde o Vasco, em seu terceiro ano na modalidade, se encontrava, também paralisou. A equipe terminou na 3ª posição, sua melhor colocação até então – seria campeão em 22, subindo assim à elite.

Sul-Americano adiado

Com a gripe espanhola assolando o Rio de Janeiro – e grande parte do Brasil -, o Sul-Americano de Seleções, que seria disputado em novembro, também teve que ser adiado. Alguns países chegaram a propôr que a competição fosse realizada em Montevidéu, no Uruguai, onde a epidemia não chegou. O torneio, porém, foi mantido no Rio, mas apenas para maio de 1919.

Na estreia, o Brasil goleou o Chile por 6 a 0, dando início ao que seria o seu primeiro título internacional. O jogo ocorreu no Estádio das Laranjeiras, do Fluminense, construído exatamente para a disputa. A partida marcou também o retorno oficial do futebol na cidade, já que o Estadual seria disputado somente a partir de junho.

Depois disso, o futebol jamais parou no Rio de Janeiro. Se torno alma e vida do carioca. Um cartão postal da cidade e um abraço de boas-vindas aos que chegam.

Até agora. Fiquem em casa.

LEIA MAIS:
Coronavírus no esporte: siga AO VIVO as últimas atualizações