Garone: Giovinco e Balotelli no Vasco?! Não é hora disso…

Grandes nomes do futebol internacional surgiram na lista de reforços de um dos candidatos à presidência do Vasco. A realidade do clube, porém, é outra.

Andre Schmidt
Colaborador do Torcedores

Crédito: Giovinco e Balotelli disputaram a Copa das Confederações 2013 pela Itália (Foto: Getty Image)

Poucas coisas vendem tanto quanto sonhos.

Ninguém, obviamente, é contrário às grandes metas. E nem poderia, já que é sempre algo positivo e num ponto futuro, não no presente. Logo, um sonho, por mais que pareça distante, é algo rapidamente comprado por muitos.

Para alguns, é quase que apenas uma questão de otimismo x pessimismo. E é sempre melhor ser o primeiro.

É como vender esperança ou uma vaga no céu.

Não é nenhuma novidade ver candidatos, independente do cargo que disputam, compartilhando seus sonhos e desejos com os que quer agradar. Eu diria até que é função deles. É seu trabalho apresentar ideias e anseios, convencer de que quer o melhor e pensa igual a eles.

No futebol, pensar igual ao torcedor é pensar grande. E isso passa impreterivelmente pela contratação de reforços. Nesse caso, no interesse em contratar reforços.

Mas isso quem não tem?

Todo torcedor quer um clube organizado, salários em dia, uniforme bonito, um belo estádio, mas desde que se tenha um grande time em campo. Se tiver que abrir mão do último para se ter o resto, pergunte na rua, a resposta será unânime: não trocam. E é aí que mora o perigo.

Nos últimos dias, sem bola rolando, o que movimentou os vascaínos foi a possibilidade de contar com Giovinco e Balotelli no time. Falou-se até em Ibrahimovic. Souza e Alex Teixeira já comemoram até aniversário de especulação. Desde que saíram aguardam a volta.

No Vasco, é tanta especulação que até quem não saiu já quer voltar.

Mais alguns dias de quarentena e irão falar em Djalminha, Alex ou Giovanni para o meio-campo.

As últimas notícias surgiram após Leven Siano, pré-candidato à presidência do Vasco, confirmar o interesse nos atletas italianos. Fábio Cordella, empresário ligado ao presidenciável, confirmou as “negociações”.

Esse talvez seja o maior exemplo de proatividade da história do futebol.

Não se sabe quando e se o futebol voltará a ser disputado no Brasil e no mundo em 2020. Não se sabe quando e como serão realizadas as eleições no Vasco. Obviamente não se sabe também quem será o presidente eleito. Não se sabe ainda qual será o impacto financeiro no mercado da bola após a pandemia. Mas já há contratação que pode chegar apenas em 2022 – quando acaba o contrato de Giovinco com o Al Hilal. Como se os negócios no futebol não fossem mais dinâmicos que o Edmundo de 97.

Aliás, se tem uma coisa que o coronavírus tem ensinado a todos nós é que é preciso ter cuidado com os planos futuros e olhar mais para o presente.

O Vasco imaginário de 2021 – ou 2022 – não tem presidente, treinador, ideia de jogo – nem o de 2020 tem ainda -, calendário – idem -, divisão definida e nem orçamento, mas já conhece as suas primeiras especulações. É, talvez, um feito inédito no futebol mundial.

Eu, particularmente, não duvido que haja essa possibilidade. O que é diferente de ser provável e, principalmente, rentável. Contratações, no entanto, são a ponta do iceberg, não a base.

Mais importante do que jogar nomes ao vento, é fundamental que os candidatos expliquem como viabilizarão a melhora do clube. E de maneira sustentável. Parceiros vem e vão, é preciso ser autossuficiente. Até porque, não existe investidor que coloque R$ 10 pra não tirar menos que R$ 20.

Um jogo e tudo muda – vide Vasco x Boca Juniors de 2001. Uma bola perdida e o projeto encerra (quantas vezes você se lamentou por Diego Souza?). Não dá para viver sempre no limite, na dependência de terceiros.

Em 2000, o time do Vasco teve Hélton, Mauro Galvão, Jorginho, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Ramon, Euller, Edmundo, Romário, Viola, Pedrinho, Alexandre Torres e eu ainda poderia gastar mais umas duas linhas aqui com bons jogadores. Dois anos depois, os reforços foram Jaiminho, Haroldo, Fabão, Wellington Jacaré, Léo Guerra, Luciano Viana, Zé Carlos, Washington…

O futebol muda muito rápido. Mesmo com dinheiro, não é difícil trocar os pés pelas mãos.

Contratar jogadores estrangeiros com carreiras perto do fim não é algo tão incomum. Guarín mesmo é um exemplo disso. Assim como Honda, no Botafogo, e Juanfran, no São Paulo. O complicado é fazer isso de maneira responsável, onde o clube ganha a curto e a longo prazo. O que, no momento atual, significa não ser sequer tema de uma discussão séria sobre planejamento. Não em público.