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Por que Caju? Apelido de ídolo do Botafogo e campeão do mundo em 1970 é mais representativo do que muitos pensam

Jogador ganhou apelido quando já era profissional

Matheus Camargo
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), colaborador do Torcedores.com desde 2016, radialista na Paiquerê 91,7.

Crédito: Reprodução/Youtube/Museu da Pelada

O ex-meia e ponta Paulo Cézar Caju foi um dos maiores jogadores do futebol brasileiro na década de 70 e foi campeão do mundo com a Seleção Brasileira no México. Mas o que poucos sabem é de onde veio o apelido que se tornou praticamente seu sobrenome.

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Craque dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, mas ligado diretamente ao Botafogo, clube que o revelou, Paulo Cézar Lima foi um simpatizante do movimento dos Panteras Negras desde o início da juventude. O grupo lutava pela igualdade racial nos Estados Unidos e o então jovem jogador quis conhecer a fundo o que era aquilo.

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Caju na época de Botafogo (Divulgação/Botafogo)

Seu primeiro contato foi em 1968, quando foi aos Estados Unidos. Seu apelido, porém, veio após a Copa do Mundo de 1970, quando participou de uma excursão com o Botafogo em Los Angeles e saiu com amigos para conhecer o movimento.

“Estávamos em Los Angeles a convite do Sérgio, o Jairzinho e eu em uma limusine junto com uma cantora negra maravilhosa que cantava com ele”, disse Caju em entrevista recente ao Diário Catarinense.

“Ela nos levou aos bairros dos negros da cidade. Foi uma pancada. Via os caras com black power, vestidos de diferentes cores, calça boca de sino. Eu entrei em uma loja e gastei uma fortuna. Entrei em um salão e fiz o penteado black panther (penteado black power tingido). Quando cheguei ao hotel o treinador não entendeu nada.”

O jogador, então, explicou que o apelido com o nome da fruta avermelhada foi dado já no Brasil por conta do cabelo tingido. O ex-atleta não aceitou muito bem.

“Quando voltei ninguém entendeu nada no Brasil. Os paulistas passaram a me chamar de Caju. P*** nenhuma”, explicou na entrevista.

“Nada a ver com caju. Não entenderam nada. Foi por causa do movimento negro, dos Panteras Negras. Não apenas a cor de cabelo. Um ato meu para mostrar aos negros brasileiros que tínhamos de correr atrás, que não devíamos depender de ninguém. Eu dava minha opinião. Acho que isso é por causa da pele. Hoje na televisão tem poucos negros, inclusive no jornalismo esportivo.”

Caju mantinha uma coluna no jornal O Globo até dezembro de 2019, mas foi demitido e atualmente é colunista da revista Placar.

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