Vasco de Ramon Menezes mostra bom padrão de jogo e não dá chances ao Macaé no retorno ao Cariocão 2020

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca os pontos positivos da estreia oficial do ex-jogador no comando do Trem Bala da Colina; Germán Cano (autor dos três gols do Vasco), Andrey e Vinícius foram os melhores em campo na vitória por 3 a 1 sobre o Macaé em São Januário

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rafael Ribeiro / Vasco

É bem verdade que qualquer análise de qualquer time de futebol do mundo deve ser o mais cuidadosa possível por conta do chamado “novo normal” imposto pela pandemia de COVID-19. E por mais que nossas autoridades e nossos dirigentes insistam na eficácia dos protocolos, a grande verdade é que sempre haverá uma incerteza, uma dúvida no ar. Esse foi o cenário da vitória do Vasco sobre o Macaé por 3 a 1 neste domingo (28), em São Januário. Além da ótima atuação do argentino Germán Cano, autor dos três gols do Gigante da Colina na partida (Jones descontou para o Alvianil Praiano), a grande atração do jogo estava no baco de reservas: Ramon Menezes fazia a sua estreia no comando do Vasco e nos mostrou um time competitivo, organizado e envolvente. Principalmente pelo lado direito de ataque, onde Vinícius e Yago Pikachu levaram a defesa do Macaé à loucura no primeiro tempo.

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Ramon Menezes organizou o Vasco num 4-2-3-1 básico com algumas novidades interessantes. A primeira delas estava na zaga: Ricardo Graça e Leandro Castán jogando juntos. vale lembrar que o jovem zagueiro mostrou bom futebol jogando no lado direito e não comprometeu. Mais à frente, Andrey e Felipe Bastos foram bem tanto na proteção da defesa como nas chegadas ao ataque. Mas o grande trunfo de Ramon estava no lado direito com a dupla formada por Yago Pikachu e Vinícius. Enquanto o lateral caía por dentro (como no lance que originou o pênalti bem convertido por Cano logo no início da partida), o jovem atacante abria o campo e esgarçava a defesa do Macaé. O único porém estava em Tales Magno. Talvez pela falta de alguém que aparecesse pelo seu lado ou até pela clara falta de ritmo de jogo. Mesmo assim, o camisa 11 não esteve bem e prendeu demais a bola em alguns momentos da partida.

Outro ponto positivo da atuação dos comandados de Ramon Menezes esteve na organização defensiva. Tirando um ou outro erro no posicionamento que (repetimos) é completamente natural num momento de retorno ao futebol depois de três meses sem jogos, a equipe vascaína se comportou bem. O único momento em que houve um certo desequilíbrio aconteceu no lance em que Fernando Miguel falhou feio na saída de bola e Jones diminuiu para o Macaé. O Vasco seguia com o jogo controlado e encontrava nos pés de Felipe Bastos, Andrey e Benítez (este um pouco abaixo dos dois primeiros) a qualidade no passe e visão de jogo que não via há muito tempo. Aos poucos, Ramon Menezes vai abandonando o estilo mais reativo e pragmático de Vanderlei Luxemburgo e Abel Braga e fazendo com que sua equipe tenha prazer em propôr o jogo e abusar da velocidade dos seus jogadores pelos lados do campo.

O Vasco diminuiu um pouco o ritmo no segundo tempo apesar de seguir muito superior ao seu adversário em todos os aspectos. O técnico Ramon Menezes também aproveitou para dar rodagem ao elenco e colocar dois jogadores em campo que podem ser muito úteis no futuro: Cláudio Winck e Bruno César. O primeiro entrou bem na lateral-direita e fez boa dupla com Yago Pikachu naquele setor além de não ter comprometido na defesa. Já o camisa 7 parecia bem mais fininho do que no ano passado e, mesmo esbarrando na clara falta de ritmo, distribuiu bem o jogo no meio-campo e deu bons passes. Mesmo com o técnico Charles Almeida demixando o Macaé mais leve no segundo tempo (principalmente após a entrada de Luquinha), a partida seguiu tranquila para o Vasco que, por sua vez, poderia até ter ampliado a vantagem no placar se Germán Cano e Yago Pikachu não tivessem desperdiçado chances cristalinas de marcar.

A atuação do Vasco contra o Macaé serviu para provar duas coisas. A primeira (e já amplamente defendida por este que escreve) é que o elenco nunca foi a tragédia que muitos colegas da imprensa esportiva pintavam. Há bons jogadores no time titular e no banco de reservas. E a segunda é que Ramon Menezes já conseguiu dar uma “cara” bem definida à sua equipe. As diferenças do Vasco deste domingo (28) com o do início do ano de 2020 chegam a ser gritantes. A equipe mostrou padrão tático, organização, captação e boas trocas de passe em velocidade. Como dissemos anteriormente, o Vasco está deixando de ser reativo para propôr o jogo e valorizar a posse da bola. E ainda há Guarín. Num time bem montado e com todas as adaptações necessárias ao seu estilo de jogo, a tendência é que o colombiano traga ainda mais qualidade ao esquema tático do comandante vascaíno.

O trabalho de Ramon Menezes ainda está no início e é preciso ter cautela com avaliações mais profundas. Ainda mais nesse cenário de volta forçada do Campeonato Carioca. Entretanto, aquilo que eu e você vimos neste domingo (28) em São Januário pode ser a continuidade de uma belíssima história iniciada nos anos 1990. Ramon tem todas as condições de dar muito certo como treinador. Basta que a torcida tenha paciência e apoie a equipe. Como sempre fez.

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