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E se Messi e Cristiano Ronaldo jogassem no mesmo time?

Luiz Ferreira analisa como seria o encaixe dos maiores jogadores do Século XXI numa mesma equipe na coluna Papo Tático; especulações sobre saída de Messi do Barcelona aumentaram as expecativas por um acerto do argentino com a Juventus de Cristiano Ronaldo

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

Sonhar não custa nada! O meu sonho é tão real! Mergulhei nessa magia! Era tudo que eu queria para esse carnaval!” Os versos do histórico samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel (vice-campeã do carnaval de 1992) resumem muito bem o desejo do torcedor amante do futebol. Assim que a rádio espanhola “Cadena SER” informou que Messi pode não renovar seu contrato com o Barcelona e deixar o clube em 2021, a internet simplesmente explodiu com a possibilidade do craque argentino acertar com a Juventus de Turim e jogar com Cristiano Ronaldo. Além da “Vecchia Signora”, clubes como o Manchester United, o Paris Saint-Germain, o Manchester City e a Internazionale também apareceram como possíveis interessados de acordo com a imprensa europeia. No entanto, o desejo do torcedor é ver os dois melhores jogadores de futebol do Século XXI atuando juntos e dividindo o protagonismo numa mesma equipe. Seria sonhar alto demais? Ou será que estamos falando de uma possibilidade real?

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Essa história toda começou no início do mês de julho, quando a rádio espanhola “Cadena SER” divulgou que a intenção de Lionel Messi era não renovar seu contrato com o Barcelona por estar cansado de ser apontado como o grande culpado pela má fase da equipe catalã nas últimas temporadas. De acordo com a emissora, o argentino teria paralisado as conversas para a renovação de seu vínculo com o clube (que se encerra em junho de 2021). Além disso, o jornal italiano La Gazetta dello Sport revelou nessa última semana que existe uma cláusula no contrato de Messi que permite que ele deixe o Barcelona de graça e a qualquer momento. Para que isso aconteça, basta que o camisa 10 blaugrana apenas avise formalmente a diretoria com um mês de antecedência. A saída de Ernesto Valverde, as eliminações na Liga dos Campeões da UEFA e o fracasso na negociação pelo retorno de Neymar também são fatores que teriam influenciado na decisão de Messi de acordo com o jornal italiano.

Embora a saída de Messi do Barcelona e um possível interesse da Juventus de Cristiano Ronaldo ainda não passem de especulação da imprensa e da mente agitada dos torcedores (inlcuindo este que escreve), é possível sim sonhar com os dois jogando juntos e dividindo o protagonismo tal como outras grandes duplas fizeram em mais de 150 anos de história do futebol. Impossível não pensar imediatamente em Pelé e Garrincha (na Seleção Brasileira), Di Stéfano e Puskás (no Real Madrid), Gullit e Van Basten (no Milan e na Seleção da Holanda) e outras duplas de ataque que marcaram para sempre o imaginário do torcedor. Um preparando e outro finalizando. E vice-versa. Mais do que se completar (como se faltasse alguma coisa em cada um dos citados acima), cada um jogava ainda mais magia nas proezas do companheiro de equipe. Ver Messi e Cristiano Ronaldo atuando juntos seria com toda a certeza a realização do sonho de toda uma geração de torcedores e (é claro) fãs incondicionais dos dois craques.

É interessante notar que tanto um como o outro começaram a carreira jogando como “wingers” nas suas equipes e, aos poucos, começaram a deixar o lado do campo e ocupar outras faixas do campo. Messi começou jogando à direita na linha de três atacantes do 4-3-3 básico de Frank Rijkaard. Quando Pep Guardiola assumiu o comando da equipe blaugrana em 2008, o argentino (que já usava a camisa 10) ainda jogava pelo lado do campo quando o Barça conquistou a Liga dos Campeões da UEFA de 2008/09 com vitória de 2 a 0 sobre o Manchester United de Sir Alex Ferguson e Cristiano Ronaldo. O auge aconteceria três anos depois, quando Messi passou a jogar como “falso nove” se movimentando por entre as linhas do adversário e abrindo espaços para as descidas de Pedro Rodríguez e David Villa em diagonal. A conquista da Liga dos Campeões de 2010/11 e a atuação do argentino na final (de novo) contra o Manchester United (vitória por 3 a 1) ainda são bastante lebradas pelos fãs do argentino até hoje.

Barcelona UCL 2010/11 - Football tactics and formations

Pep Guardiola revolucionou o futebol com Messi jogando como “falso nove” no seu 4-3-3/4-3-1-2 vencedor de praticamente tudo o que disputou no final dos anos 2000 e início da década de 2010. O camisa 10 abria espaços na frente da área ofensiva e contava com nomes como Xavi e Iniesta numa equipe que entrou para a história.

Processo semelhante se deu com Cristiano Ronaldo. O português (que foi descoberto por Sir Alex Ferguson no Sporting de Lisboa) jogava pelo lado do campo num já bem conhecido 4-4-2/4-4-1-1 quase imutável implementado pelo treinador escocês no Manchester United. Aos poucos, Ferguson foi percebendo que seu camisa 7 (e melhor jogador) rendia muito mais jogando sem tantas obrigações defensivas e com espaço para se lançar em direção ao gol. Tanto que a estratégia utilizada por Alex Ferguson na decisão da Liga dos Campeões da UEFA de 2007/08 (vencida na desição por pênaltis após 120 minutos de futebol contra o Chelsea) foi prender Hargreaves na direita para liberar o velocíssimo português pelo outro lado para encostar em Rooney e Tévez no setor ofensivo. Nesse tempo (um ano antes da histórica transferência para o Real Madrid), Cristiano Ronaldo ainda era mais “winger” do que que “striker”, mas já mostrava a sua face goleadora para quem quisesse ver na terra da rainha.

Manchester United UCL 2007/08 - Football tactics and formations

Cristiano Ronaldo se destacou jogando como “winger” no seu início de carreira no Sporting e no Manchester United. No entanto, o técnico Alex Ferguson percebeu a veia goleadora do então jovem português e fez adaptações no seu 4-4-2/4-4-1-1 para que o camisa 7 pudesse ficar sem tantas obrigações defensivas e com liberdade para marcar gols.

Com a saída de Pep Guardiola e a chegada de Luís Enrique, Messi também passou por mais mudanças no seu posicionamento. Diante da necessidade de se encaixar o brasileiro Neymar num trio que ainda contava com o argentino e o uruguaio Luís Suárez, o treinador blaugrana apostou num 4-3-3 que variava para um 4-4-2 quando o adversário tinha a posse da bola. Por mais simples que fosse o esquema de Luís Enrique, ele permitiu que o Barcelona pudesse se transformar em protagonista mais uma vez conquistando da Liga dos Campeões da UEFA de 2014/15 (com vitória convincente sobre a Juventus de Massimiliano Allegri) jogando um futebol vistoso e eficiente a partir do “Trio MSN”. Neymar fechava pelo lado esquerdo para que Messi pudesse se juntar a Suárez como um “segundo atacante”, um ponta de lança dos anos 1960 e 1970. Mais atrás, Iniesta e Rakitic fechavam o meio e liberavam o apoio constante de Daniel Alves e Jordi Alba. O que se via, no entanto, era mais uma mudança no posicionamento de Messi.

Barcelona UCL 2014/15 - Football tactics and formations

Messi se transformou em “segundo atacante” com a chegada de Neymar ao Barcelona. Para encaixar o “Trio MSN”, Luís Enrique apostou num 4-3-3/4-4-2 que sacrificava Neymar na recomposição para que o argentino pudesse ter liberdade para circular por todo o campo armando jogadas e fazendo gols decisivos naquela Liga dos Campeões de 2014/15.

Ainda no Real Madrid, Cristiano Ronaldo fez parte do time que conquistou quatro títulos da Liga dos Campeões em apenas cinco anos. E isso já jogando praticamente como um ponta de lança que entra na área em diagonal para concluir a gol. As conquistas de 2016/17 e 2017/18 mostraram um CR7 com alto grau de eficiência jogando definitivamente como atacante no 4-3-1-2 de Zinedine Zidane. O trunfo para o sucesso merengue nessas últimas temporadas foi a entrada de Isco como “enganche” no lugar do então lesionado Gareth Bale. O time ganhou consistência defensiva com Casemiro à frente de Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo, criatividade no meio-campo com Modric e Kroos, mobilidade o já mencionado Isco logo atrás de Benzema, a referência ofensiva desse histórico Real Madrid. Cristiano Ronaldo era quem decidia, quem chamava a responsabilidade nos momentos mais tensos. CR7 não virou centroavante. Mas marca gols como um dos melhores finalizadores de todos os tempos.

Real Madrid UCL 2017/18 - Football tactics and formations

Cristiano Ronaldo passou a jogar ainda mais próximo da área no incrível Real Madrid de Zinedine Zidane. A conquista de quatro Ligas dos Campeões em cinco anos diz muito sobre uma das equipes mais vitoriosas da história da competição europeia em todos os tempos. E CR7 era o grande símbolo e o grande lider daquele time.

Não é difícil imaginar uma equipe que tenha Messi e Cristiano Ronaldo jogando juntos. É possível pensar num número quase infinitos de desenhos táticos, de formações das mais variadas e em estratégias das mais diversas possíveis. O argentino é o “camisa 10” de ofício. É quem recebe a bola na intermediária ofensiva e desarruma a defesa adversária. O português seria o “nove que veste a sete”, sempre se movimentando na diagonal em direção à área adversária com espaço suficiente para receber e concluir. Um prepara, o outro arremata. Mas nem precisa ser sempre assim. Estamos falando de dois jogadores extremamente inteligentes que poderiam muito bem mudar de posição conforme a necessidade de uma partida. E por mais que tanto um como o outro já sejam bastante experientes (Messi tem 33 anos e Cristiano Ronaldo tem 35), ambos saberiam muito bem como se completar no comando de ataque de uma equipe que (segundo as especulações) pode ser a Juventus. Mas que entraria para a história do futebol.

Messi e Cristiano Ronaldo jogando no mesmo time. Um prepara, o outro conclui e vice-versa. Impossível não se empolgar com a possibilidade dos dois maiores jogadores do século XXI atuarem juntos numa mesma equipe.

Tanto o Barcelona de Messi como a Juventus de Cristiano Ronaldo passam por fases complicadas que envolvem problemas nos bastidores, rusgas no relacionamento das duas estrelas com seus treinadores (Quique Setién e Maurizio Sarri respectivamente) e uma certa pressão para que ambos resolvam os problemas de cada um dos seus clubes. É nesse cenário que surgem os boatos de que o argentino estaria insatisfeito e o português teria pedido a sua contratação para a próxima temporada. Sem dúvida alguma, ver Messi e Cristiano Ronaldo jogando juntos seria como se Pelé tivesse se transferido para o Real Madrid para jogar com Di Stéfano e Puskás no início dos anos 1960. Como se Zico tivesse sido comprado pelo Barcelona para jogar junto com Maradona no início dos anos 1980. E como se Romário tivesse permanecido tempo suficiente no Barcelona para jogar com Ronaldo Fenômeno (apesar dos dois terem jogado juntos na Seleção Brasileira em 1997). É difícil que aconteça? Muito. Impossível? Claro que não.

Só os deuses do futebol sabem se Messi e Cristiano Ronaldo vão jogar juntos algum dia nem que seja numa daquelas partidas festivas. Mas o imaginário do torcedor já está mais do que aceso com essa possibilidade. Seria algo único. Algo que muita gente (incluindo este que escreve) contaria com brilho nos olhos para seus filhos e netos por muito tempo.

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