Rolo compressor do Bayern sobre o Barcelona diz muito sobre o momento das duas equipes; entenda

Luiz Ferreira analisa a mágica atuação dos comandados de Hans-Dieter Flick e o ocaso da geração de Messi na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

O atropelamento sem dó nem piedade do Bayern de Munique sobre o Barcelona deixou duas coisas bem claras para quem acompanha a Liga dos Campeões da UEFA e as competições no Velho Continente. A primeira é que os comandados de Hans-Dieter Flick deram uma verdadeira aula de futebol naquele que era o confronto das camisas mais pesadas das quartas de final da competição. Intensidade e volume de jogo absurdos, trabalho coletivo de excelência e movimentação inteligente constante na frente da área adversária numa surra de 8 a 2 inapelável. E o segundo é aquele que parece ser o ocaso de uma geração inteira de jogadores no Barça. A equipe comandada (???) por Quique Setién foi totalmente dominada pelo Bayern no Estádio da Luz. E olha que o estrago deveria ser ainda maior, já que o escrete bávaro desperdiçou várias chances de ampliar o marcador.

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A grande verdade é que é extremamente complicado jogar contra o Bayern de Munique de Hans-Dieter Flick. A equipe (organizada num 4-2-3-1) sabe bem o que fazer com a bola e ataca com simplesmente todos os jogadores. Até mesmo o goleiro Manuel Neuer participa da criação das jogadas. Com Thomas Müller (talvez um dos jogadores mais subestimados do século na opinião deste que escreve) fazendo o que queria às costas de Busquets, com os pontas Perisic e Gnabry atacando o espaço deixado pela movimentação de Lewandowski no ataque e com Goretzka distribuindo o jogo como meia-armador à moda antiga, a equipe bávara usou e abusou da intensidade nas transições ofensivas e defensivas. Hans-Dieter Flick colheu todos os frutos por ter assumido o risco de apostar numa equipe que marcava no campo adversário e que atacava com um volume de jogo absurdo.

Barcelona vs Bayern de Munique - Football tactics and formations

Thomas Müller deitou e rolou às costas de De Jong e Busquets e foi um dos grandes nomes do Bayern de Munique na partida. A primeira etapa do jogo em Lisboa também deixava clara a superioridade técnica e tática do escrete bávaro sobre um Barcelona sem ideias e totalmente dependente de Messi.

É bem verdade que o Barça criou problemas no início de partida após o gol contra de Alaba e a oportunidade perdida por Messi na frente de Neuer. No entanto, tirando o belíssimo gol de Suárez no começo do segundo tempo, o time de Quique Setién não passou disso. O treinador blaugrana até que tentou alguma coisa apostando numa estratégia mais conservadora com uma segunda linha de quatro jogadores (Sergi Roberto, Busquets, De Jong e Vidal) à frente da sua defesa, mas sem nenhum sucesso. Primeiro porque sua equipe seguia extremamente pesada para encarar o volume de jogo insano de um Bayern de Munique inspiradíssimo. E depois pela clara e nítida dependência de Messi. Na prática, o 4-4-2 mais ortodoxo proposto por Quique Setién não conseguia marcar e nem criar diante de um adversário que jogava em alta velocidade no Estádio da Luz.

O segundo tempo começou com o golaço de Suárez e a (falsa) impressão de que o Barcelona inciaria a sua reação (muito por conta do relaxamento natural do Bayern de Munique após ir para o intervalo com três gols de vantagem). No entanto, o escrete bávaro voltou ao (insano) ritmo da primeira etapa e tratou de construir uma das maiores goleadas da história da UEFA Champions League com uma larga e surpreendente facilidade. Tudo dentro da estratégia montada pelo técnico Hans-Dieter Flick: intensidade nas transições, marcação alta e muita velocidade pra cima de um adversário que já dava sinais de extremo cansaço na metade do segundo tempo. Além disso, os números também evidenciam a superioridade clara do Bayern de Munique na partida: foram impressionantes 26 finalizações a gol sendo 13 na direção do gol de Ter Stegen (dados do ótimo SofaScore). É muita coisa.

Bayern de Munique vs Barcelona - Football tactics and formations

O Bayern de Munique não diminuiu a intensidade do seu jogo na segunda etapa. O golaço de Suárez no início da primeira etapa deu a impressão de que o Barcelona poderia reagir, mas o que eu e você vimos foi mais uma bela execução do 4-2-3-1 por parte do escrete comandado por Hans-Dieter Flick. Histórico.

A “cereja do bolo” e a cota final de humilhação do Barcelona veio com os dois gols de Philippe Coutinho marcados já no final da partida (numa das melhores demostrações da chamada “Lei do Ex” já vistas nesses últimos tempos). E não é exagero nenhum afirmar que os 8 a 2 saíram muito barato para a equipe comandada por Quique Setién. O placar final poderia ter apontado dez, onze ou até doze gols a favor do escrete bávaro. Assim como também não é equivocado afirmar que o Bayern de Munique assume o posto de principal favorito ao título desta UEFA Champions League. Ainda mais depois da incrível média de gols nessa edição do torneio: insanos 4,33 por jogo. Fora a fase iluminada de Thomas Müller, Levandowski (sério candidato ao prêmio FIFA The Best junto com Neymar), Kimmich, Neuer, Goretzka, Thiago Alcântara, Gnabry e Perisic. Mas, e o Barcelona?

As (duras) palavras de Piqué após o vexame em Lisboa resumem bem o que é o Barça hoje em dia. Um clube que se perdeu no tempo e numa ideia de jogo que precisa de renovação. Os avisos vieram nos últimos anos. O Barcelona perdeu para a Roma por 3 a 0 nas quartas de final da Liga dos Campeões dede 2017/18, por 4 a 0 para o Liverpool em 2018/19 e agora de 8 x 2 para o Bayern de Munique na atual edição. Fora isso, o clube sofre com as denúncias de corrupção e com o pedido de demissão de toda a diretoria comandada por Josep Bartomeu. E isso sem mencionar a cada vez mais provável saída de Messi para a Internazionale. O que acontece com o Barcelona é algo sem precedentes. E a pancada sofrida no Estádio da Luz também evidenciou a necessidade de renovação de um grupo vitorioso e o fato da atual diretoria ter contratado muito mal para essa temporada. A bola pune.

Enquanto o Barcelona sofre para se reerguer, o Bayern de Munique mostra mais uma vez o seu peso e o sucesso das suas ideias arrojadas com relação ao futebol. Seja quem for seu adversário nas semifinais da Liga dos Campeões (Manchester City ou Lyon), a equipe comandada por Hans-Dieter Flick entra como grande favorita pela campanha e pela maneira corajosa com a qual encara seus adversários. Quem segura o rolo compressor bávaro?

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