Seminário da CBV debate cenário mundial da arbitragem de praia e prevenção de lesões no vôlei

Discussão a respeito do esporte foi promovida por José Casanova, secretário da Comissão de Arbitragem da FIVB

Luciana Pires
Jornalista, jogadora de vôlei e são-paulina.

Crédito: Divulgação/CBV

José Casanova, secretário da Comissão de Arbitragem da Federação Internacional de Voleibol, apresentou em um debate o cenário mundial da arbitragem do vôlei de praia. E outro seminário foi realizado com a fisioterapeuta Natália Bittencourt, pós Doutorado no Centro de Pesquisa do Comitê Olímpico Internacional (COI) Amsterdam.

A palestra foi mediada pela árbitra internacional e membro da Comissão de Arbitragem da Fivb, Maria Amélia Villas-Bôas. No bate-papo, o profissional mostrou que para se dar bem na profissão, é preciso atenção também aos aspectos sociais e humanos. “Os árbitros de sucesso são pessoas que precisam ter esse conjunto de técnica, social e humana”, afirmou.

Siga o Torcedores no Facebook para acompanhar as melhores notícias de futebol, games e outros esportes

Outro ponto debatido pelo secretário de vôlei foi a condição física. De acordo com ele, existem pontos que se complementam nesse aspecto, principalmente em partidas mais longas e desgastantes. Entre eles está o domínio gestual, linguagem corporal e domínio do inglês

“Tudo isso também é fundamental no exercício da função nos dias de hoje. Quando sabemos explicar a razão de nossas decisões, os atletas ficam muito mais abertos para aceitar e acatar a decisão dos árbitros”, comentou Casanova a respeito de aspectos do esporte..

Casanova também destacou a qualidade técnica da arbitragem brasileira, lembrando que o Circuito Brasileiro de vôlei de praia é responsável por ‘testar’ muitos profissionais que posteriormente se consolidam nos torneios internacionais.

“O Brasil possui um torneio nacional de nível elevado, muitas vezes mais elevado que alguns torneios do Circuito Mundial. Claro que não existe a demanda do inglês e algumas questões de tecnologia, mas os profissionais brasileiros são solicitados para contribuir nos mais elevados níveis de competições mundiais. O Brasil provavelmente está no mais alto nível”, afirmou.

Revolução na arbitragem do vôlei

Casanova iniciou carreira como árbitro indoor. Só que migrou para a arbitragem do vôlei de praia em 1993, participando em diversas edições dos Jogos Olímpicos. Em 2001, assumiu posição de comissário de arbitragem da FIVB. Ele também participou ativamente da revolução da tecnologia na arbitragem, com a chegada do árbitro de vídeo.

“O árbitro de vídeo não pode ser o árbitro de quadra ao mesmo tempo. É preciso que seja alguém separado, distante das emoções da partida e que possa apontar a correção da marcação. E a questão da experiencia e especialização. Alguém que realiza essa função tem que ter treinamento específico. Conseguimos aprovar isso e realizar cursos”, declarou.

Prevenção no esporte

Também foi debatido a prevenção de lesões no esporte com a participação da fisioterapeuta Natália Bittencourt, pós Doutorada no Centro de Pesquisa do Comitê Olímpico Internacional (COI) Amsterdam. Ela apresentou a palestra sobre o tema “É possível prevenir lesões no voleibol”?

De acordo ela, cerca de 50% das lesões no vôlei acontecem no joelho. Outros 31% são entorses de tornozelo e com 19% lesões no ombro. Participaram da conferência: Carlos Rios, presidente da Comissão Nacional de Treinadores (Conat), Márcia Albergaria, da Universidade Corporativa de Voleibol (UCV).

Durante a conversa, a fisioterapeuta destacou três pontos principais para se evitar uma lesão: avaliação para definir o perfil de risco do grupo, prevenção coletiva e individual e monitoramento de carga em equipe.

“O fisioterapeuta precisa fazer parte de todo o processo de trabalho como monitoramento e tomada de decisões. O treinador deve escutar o fisioterapeuta e tem um outro lado de também ouvir os atletas. Acredito que todo grande treinador tem um excelente fisioterapeuta ao seu lado. A lógica é montar uma equipe onde todos estão remando juntos”, disse.

Entre as principais funções da avaliação fisioterápica no vôlei, Natália destacou a identificação do perfil de risco, informações de base, intervenções precoces, guiar o treinamento baseado na individualidade biológica e a criação de confiança entre o fisioterapeuta e o atleta.

“”s lesões no esporte podem e devem ser prevenidas. Pequenas ações contínuas podem nos ajudar a reduzir as lesões. O fisioterapeuta tem um papel muito importante na identificação de pontos fracos nos corpos dos atletas, o que pode ajudar na prevenção das lesões. É um trabalho conectado com o preparador físico, porque a partir das avaliações fisioterapêuticas conseguimos individualizar os treinamentos físicos, além de gerar uma intervenção específica nos fatores que criam dores e lesões”, completou.

LEIA MAIS:
VÔLEI DE PRAIA: CBV ANUNCIA DATAS DE RETORNO DO CIRCUITO NACIONAL