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Jogo entre Santos e Ferroviária é mais um ótimo exemplo do salto de qualidade do futebol feminino no Brasil

Luiz Ferreira analisa a vitória das Guerreiras Grenás sobre as Sereias da Vila na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Carolina Melo / Ferroviária SA

Muito se tem falado sobre a qualidade do nosso futebol nesses últimos anos. Fala-se na necessidade de exportar treinadores, de atualizar conhecimentos e de acabar com a mesmice dos nossos times, sempre mais preocupados em não perder do que em mostrar um bom jogo para o torcedor. Esse, meu amigo, é o panorama do futebol masculino com raras e meritórias exceções. Digo isso porque o futebol feminino brasileiro segue uma curva ascendente já tem um certo tempo. Um bom exemplo desse salto de qualidade é a vitória da Ferroviária sobre o Santos nesta segunda-feira (5), na Vila Belmiro. Boas ideias dos técnicos Guilherme Giudice e Tatiele Silveira, várias chances de gol, ótimo jogo coletivo e todos aqueles elementos que todos nós gostamos de ver no velho e rude esporte bretão. Guerreiras Grenás e Sereias da Vila fizeram bonito na Baixada Santista.

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É bem verdade que as duas equipes possuem estilos bem diferentes. Enquanto o Santos é mais propositivo e gosta de trabalhar a posse da bola num ataque mais posicional, a Ferroviária tende a ser mais reativa, mas igualmente intensa nas suas transições para o ataque. Sabendo disso, o técnico Guilherme Giudice avançou a marcação da sua equipe para criar dificuldades na saída de bola das Guerreiras Grenás. Não era raro ver Erikinha, Thaisinha, Ketlen e Larissa exercendo grande pressão ainda no campo adversário para provocar o erro das Guerreiras Grenás. As chances apareceram, mas as Sereias da Vila pecaram demais nas conclusões a gol e também pararam na grande atuação da goleira Luciana (talvez uma das melhores em campo na partida). Do outro lado, a Ferroviária mostrava que “sabia sofrer” e também chegava com as bolas longas para Sochor, Aline Milene e Chu.

As Sereias da Vila avançaram a marcação e pressionavam bastante a saída de bola das Guerreiras Grenás. A ideia era fechar as linhas de passe já no campo adversário para tentar recuperar a posse da redondinha e acelerar nos contra-ataques. Foto: Reprodução / Twitter BR Feminino / CBF TV

Acabou que quem abriu o placar foi a Ferroviária numa verdadeira pintura de Rafa Andrade aos 41 minutos do primeiro tempo. O gol fez com que o cenário ficasse completamente favorável às Guerreiras Grenás. As comandadas de Tatiele Silveira, inclusive, avançaram a marcação e criaram vários problemas para a goleira Michelle. Sempre com muita velocidade pelos lados do campo e acelerando ao máximo a partir da intermediária ofensiva. Do outro lado, Guilherme Giudice tentava reorganizar as Sereias da Vila e buscava meios de furar a bem postada defesa da Locomotiva de Araraquara. Ótima oportunidade para vermos dois grandes treinadores colocando suas ideias em práticas em equipes bem montadas e com propostas claras de jogo. É por causa desse e de vários outros motivos que tem sido muito agradável acompanhar o futebol feminino nesses últimos dias.

Com a vantagem no placar, a Ferroviária avançou as suas linhas e aproveitou bem os espaços deixados pela defesa do Santos. As Guerreiras Grenás aceleravam pelos lados e também se fechavam na frente da sua área quando era necessário. Foto: Reprodução / Twitter BR Feminino / CBF TV

Vale lembrar que as Sereias da Vila desperdiçaram um pênalti (com Larissa parando em Luciana) logo no primeiro minuto do segundo tempo e viam as Guerreiras Grenás ganhar ainda mais moral na partida. Aos 21 minutos, Chu cruzou da direita, Sochor escorou para o meio e Aline Milene completou para o gol vazio. O gol dava ainda mais tranquilidade para as comandadas de Tatiele Silveira trabalharem a bola e esperarem o tempo passar. Só que as Sereias da Vila retornariam para o jogo depois que Fê Palermo achou Thaisinha no meio da zaga da Ferroviária. A camisa 10 se livrou da marcação e da goleira Luciana antes de marcar o gol de honra do Santos. Mas foi só. A equipe de Guilherme Giudice levou perigo em mais duas oportunidades com Amanda Gutierrez e Ana Luísa, mas as duas pararam nas defesas de Luciana, o grande nome de um baita jogo de futebol na Vila Belmiro.

O Santos de Guilherme Giudice tentou pressionar a Ferroviária de Tatiele Silveira nos minutos finais abusando da velocidade num ataque posicional de grande mobilidade. As Sereias da Vila criavam chances, mas pararam na goleira Luciana. Foto: Reprodução / Twitter BR Feminino / CBF TV

O Santos já está garantido nas quartas de final do Brasileirão Feminino e a tendência é que a Ferroviária se junte às outras seis equipes que passam para a fase de mata-mata. Muito por conta do bom trabalho de reconstrução feito por Tatiele Silveira nas última semanas. As Guerreiras Grenás passaram por um período de irregularidade no retorno das atividades e já engataram uma sequência de seis partidas sem derrotas na competição. Tudo por conta do bom trabalho feito pela comissão técnica e pelo talento e dedicação das jogadoras que compraram as ideias da sua treinadora. O mesmo acontece no Santos de Guilherme Giudice. Mesmo com a derrota dentro de casa, as Sereias da Vila ainda jogam um futebol bonito de se ver, de valorização da posse de bola e de bons passes no terço final. E isso sem falar no talento de jogadoras como Thaisinha, Ketlen e Larissa.

Santos e Ferroviária são duas das equipes mais tradicionais do nosso futebol feminino e mostraram isso nesta segunda-feira (5). Boas ideias, ótimo jogo coletivo e execução quase perfeita dos conceitos dos seus treinadores. As Sereias da Vila e as Guerreiras Grenás provaram mais uma vez que o futebol feminino praticado por essas bandas merece mais atenção e mais espaço. Principalmente num tempo em que os homens parecem mais preocupados em não perder do que em vencer seus jogos.

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