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Empate entre Holanda e Espanha mostra que renovar seleções não é tão fácil como parece; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca as estratégias de Frank de Boer e Luis Enrique no amistoso desta quarta-feira (11)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Selección Española de Fútbol

Holanda e Espanha fazem parte de escolas muito específicas quando o assunto é a prática do velho e rude esporte bretão. As mudanças na maneira como suas equipes se comportam dentro de campo mudaram muito pouco nos últimos 20 anos. No entanto, holandeses e espanhóis passam por um problema bastante recorrente em quase todos os times do futebol mundial: a renovação das suas seleções. É preciso dizer que Frank de Boer e Luis Enrique possuem sim estilos de jogo e conceitos bem específicos, mas sofrem para dar consistência aos seus times por conta dessa “passagem de bastão” entre uma geração e outra. Apesar de todos os problemas, Holanda e Espanha fizeram uma partida bem movimentada na Johan Cruyff Arena, em Amsterdã, com boas ideias de jogo, lances de perigo, propostas consistentes e ótima organização tática. Principalmente a “La Roja” de Luis Enrique.

A grande questão da renovação de ideias e de peças pode ser mais complicada na Holanda de Frank de Boer. Principalmente por conta do seu 4-2-3-1/4-4-2 que concedeu espaços demais para o rápido time da Espanha. Morata se movimentava bastante no comando de ataque enquanto Moreno e Asensio davam a amplitude necessária para que Canales e Koke pudessem explorar os buracos entre os laterais e zagueiros. Não foi por acaso que o gol da Espanha (marcado pelo meio-campo do Bétis) nasceu dessa dinâmica. É bem verdade que a Laranja Mecânica fez um péssimo primeiro tempo justamente por não conseguir se livrar da boa marcação de “La Roja” ainda no campo defensivo. Wijnaldum e Frenkie de Jong também se mostraram sobrecarregados na cobertura dos laterais em determinados momentos. A falta de compactação entre as linhas do escrete holandês era constante e preocupante.

Um dos grandes problemas da Holanda de Frank de Boer notados no amistoso dessa quarta-feira (11) foram os espaços generosos entre a defesa e o meio-campo. Morata, Asensio e Moreno abriam a defesa laranja com bastante movimentação e ainda contavam com as chegadas constantes de Canales e Koke por dentro. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

Do outro lado, a Espanha de Luis Enrique se organizava num 4-3-3/4-1-4-1 com marcação adiantada e saída de bola por baixo desde a defesa (estilo de jogo típico dos tempos do “tiki-taka” de Vicente del Bosque). Ao invés da famosa “posse de bola estéril”, objetividade, intensidade nos movimentos e muita mobilidade a partir de Morata no comando de ataque diante de um adversário mais estático e sem tanta força ofensiva (ou pelo menos não como o esperado). Um dos poucos cochilos de “La Roja” em toda a partir aconteceu justo no primeiro minuto da segunda etapa, quando a defesa apenas observou o lateral-esquerdo Wijndal cruzar para a área e a bola sobrar para Van de Beek tocar na saída de Simón. Memphis Depay ainda desperdiçaria chance incrível de marcar o gol da virada holandesa aos 23 minutos da segunda etapa. Mesmo assim, a Holanda ficou devendo bastante.

A Espanha jogou com a marcação adiantada, fechou espaços e abusou das triangulações a partir do 4-3-3 de Luis Enrique. Morata (atacante da Juventus de Turim) se movimentava bastante no ataque e ainda contava com as chegadas constantes de volantes, laterais e “pontas” de “La Roja”. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

Por mais que as duas seleções tenham apresentado boas ideias na partida desta quarta-feira (11), a realidade nos mostra que Frank de Boer e Luis Enrique ainda buscam os substitutos para jogadores que tiveram muita importância em tempos não tão longínquos assim. Ou pelo menos os atletas que consigam exercer as funções que julgam necessárias dentro das suas seleções. Impossível não notar que a Holanda ainda sente muito a falta de um nome confiável para organizar o meio-campo e para assumir a responsabilidade no ataque (tal como Robben e Sneijder faziam muito bem no início da década). Mesmo com os bons nomes revelados pelo Ajax nas últimas temporadas. Já a Espanha ainda procura os jogadores corretos para substituir (num futuro próximo) os vitoriosos Sergio Ramos e Busquets, verdadeiros pilares da geração bicampeã europeia e campeã da Copa do Mundo de 2010.

Vale lembrar que nomes como Daley Blind, Wijnaldum e Luuk de Jong já estão na casa dos 30 anos, fato que coloca ainda mais responsabilidade sobre os ombros de Van de Beek e Memphis Depay. Do lado espanhol, Luis Enrique já começa a buscar atletas mais novos e com condições de colocar intensidade em “La Roja”. Por isso a confiança e o investimento em jogadores mais jovens como Ferrán Torres, Adama Traoré e no lesionado Ansu Fati. Renovar uma equipe de futebol não é fácil. E esse trabalho fica ainda mais complicado quando falamos de seleções nacionais. Não somente pela mudança neste ou naquele atleta, mas por todo o cenário envolvido. Se os espanhois tem jogadores que compreendem bem os métodos de Luis Enrique, o técnico Frank de Boer ainda procura os nomes que podem dar a confiança e consistência necessária para o escrete holandês. E isso nesse contexto de pandemia de COVID-19.

O resultado final do amistoso foi justo diante das chances criadas e de tudo que as duas equipes produziram durante os noventa e poucos minutos. Mesmo assim, Frank de Boer e Luis Enrique seguem em busca de mais consistência para suas equipes. Ainda mais diante da importância que Espanha e Holanda possuem no cenário do futebol mundial.

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