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Seleção de Portugal mostra oscilações preocupantes na sua despedida da Liga das Nações; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a vitória dos comandados de Fernando Santos sobre a Croácia

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Seleções de Portugal

A Seleção de Portugal entrou em campo nesta terça-feira (17) já eliminada da Liga das Nações (por conta da derrota para a França no último final de semana), mas com o claro desejo de fazer uma despedida honrosa da competição. O objetivo foi alcançado com a vitória por 3 a 2 sobre a Croácia, mas não sem sofrer um pouco com as mesmas oscilações apresentadas na rodada anterior. Por mais que o volume de jogo do escrete comandado por Fernando Santos seja surpreendente, a equipe lusitana apresentou sérios problemas nas transições para a defesa e na marcação do 4-3-1-2 de Zlatko Dalic. A explusão de Marko Rog no início da segunda etapa (além do toque de mão de Diogo Jota no lance do gol de João Félix) contribuíram e muito para que os portugueses saíssem de Split com o resultado positivo. No entanto, existem pontos na Seleção das Quinas que precisam de ajustes

Impossível não olhar Portugal com uma equipe extremamente ofensiva. Ainda mais quando Fernando Santos organiza o time num 4-3-3 que tinha Danilo Pereira, João Moutinho e Bruno Fernandes no meio-campo, Diogo Jota pela direita e João Félix e Cristiano Ronaldo se revezando entre o comando de ataque e o lado esquerdo. Fora isso, Nélson Semedo e Mário Rui eram presença constante no campo ofensivo, seja por dentro ou dando amplitude às tramas ofensivas. O grande problema estava na grande dificuldade de vencer o goleiro Livakovic e a forte marcação da Croácia. As chances de gol apareciam, mas Portugal não conseguia transformar seu volume de jogo em gols e isso ia minando o moral da equipe. E sem concentração para fazer os movimentos certos, as transições defensivas começaram a sofrer com as falhas de posicionamento de jogadores como João Moutinho e Bruno Fernandes.

Danilo Pereira protegia a defesa, Semedo e Mário Rui subiam para o ataque, Bruno Fernandes e João Moutinho organizavam o jogo e Diogo Jota, Cristiano Ronaldo e João Félix se movimentavam bastante na frente da área da Croácia. Portugal tinha ótimo volume de jogo, mas pecava nas finalizações. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

Do outro lado, a Croácia se organizava bem num 4-3-1-2 móvel e rápido nos contra-ataques. Pasalic era o “enganche” da equipe de Zlatko Dalic e contava com o apoio constante de Modric e Kovacic como os volantes que fechavam os espaços no meio e apareciam na frente para as tabelas ou até mesmo para concluir a gol. Exatamente como aconteceu no lance do primeiro gol croata. Vlasic recebe na direita e cruza para a área Rúben Semedo rebate mal e Pasalic leva a bola até a linha de fundo. É de lá que ele cruza no espaço vazio para Kovacic parar em Rui Patrício da primeira vez, mas balançar as redes no rebote. Vale destacar também a atuação dos laterais Juranovic (que perdeu um gol incrível no final do primeiro tempo) e Bradaric aproveitando os corredores abertos na defesa portuguesa para chegar no ataque com bastante intensidade. A Croácia fazia bom jogo.

Zlatko Dalic organizou a Croácia num 4-3-1-2 que tinha Pasalic como “enganche”, Perisic e Vlasic abrindo espaços, Modric e Kovacic marcando e organizando as jogadas e muita intensidade nas transições ofensivas. O primeiro tempo dos donos da casa foi marcado pelo bom jogo coletivo. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

A desvantagem no placar obrigou Fernando Santos a desfazer seu 4-3-3 com a entrada de Francisco Trincão no lugar de Bruno Fernandes e passar para um 4-4-2/4-2-4 com Cristiano Ronaldo e João Félix mais centralizados. A vida de Portugal ficou mais fácil quando Marko Rog levou o segundo cartão amarelo após falta feia em CR7 (um minutos antes de Rúben Dias empatar a partida em bela cabeçada) e quando a arbitragem não viu toque de mão claro de Diogo Jota no lance que originou o gol da virada (marcado por João Félix). Mesmo assim, o escrete lusitano oscilava demais e pecava nas transições defensivas. Tal como aconteceu no segundo gol da Croácia (marcado novamente por Kovacic). Bernardo Silva ainda perderia oportunidade incrível de marcar antes do goleiro Livakovic soltar bola fácil nos pés de Rúben Dias. Portugal venceu, mas todo o time ficou devendo bastante.

Trincão entrou no lugar de Bruno Fernandes e a Seleção de Portugal se organizou num 4-4-2 que tinha Cristiano Ronaldo e João Félix mais por dentro e muita presença ofensiva na frente da área da Croácia. No entanto, os espaços só apareceram depois que Marko Rog foi expulso no início da segunda etapa. Foto: Reprodução / Esporte Interativo

Impossível não perceber a maneira como os gols perdidos no primeiro tempo afetaram a concentração da equipe de Fernando Santos. Os números do excelente SofaScore mostram que Portugal teve 60% de posse de bola e finalizou 17 vezes (sendo oito no alvo) em toda a partida. É preciso notar também que o escrete lusitano apresentou os mesmos problemas na derrota para a França (resultado que eliminou os portugueses da Liga das Nações de maneira antecipada). O time chegava bem no ataque, tinha volume de jogo, mas sentia muito as oportunidades desperdiçadas. Nem mesmo a presença de Cristiano Ronaldo e João Moutinho conseguiram devolver um pouco de tranquilidade aos demais jogadores. Tudo bem que estamos falando de apenas dois jogos e que Portugal ainda não havia perdido em 2020. Mas a equipe acabaria pecando justamente nos dois jogos contra a França.

Fernando Santos e companhia terão a oportunidade de consolidar ainda mais a presença do escrete português entre os grandes do continente na Eurocopa. Ainda há muita coisa para acontecer até 2021 (e nem sabemos mesmo se haverá competição até lá). Mas certo é que toda a equipe precisa aprender com os erros cometidos nos momentos decisivos dessa Liga das Nações. Ainda mais quando o foco é uma competição de “tiro curto” como é a UEFA Euro 2020.

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