Vasco conquista ótimo resultado na Argentina, mas atuação pouco inspirada preocupa bastante; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do Trem Bala da Colina contra o Defensa Y Justicia

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Conmebol Sudamericana

É bem verdade que o que vale no final de tudo é o resultado. Por outro lado, a maneira como esse resultado foi construído ajuda a explica muita coisa sobre o contexto e a produção de uma determinada equipe de futebol. Até mesmo o mais fanático e apaixonado dos torcedores vascaínos sabe que a equipe não apresentou um bom futebol nessa quinta-feira (26). O empate em 1 a 1 contra o não mais do que aplicado e esforçado time do Defensa Y Justicia (em partida disputada no Estádio Norberto Tito Tomaghello) foi sim excelente por dar aos comandados de Ricardo Sá Pinto uma vantagem mínima para a partida de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Mas é preciso deixar bem claro que, se não fossem as defesas de Lucão (o melhor do Vasco na partida) e o oportunismo de Germán Cano, as coisas poderiam ter ficando muito mais complicadas para o Trem Bala da Colina.

Sob o comando do auxiliar Alexandre Grasseli (e cheio de desfalques), o Vasco entrou em campo armado no seu já costumeiro 3-4-2-1/5-4-1 que fechava a entrada da área com Léo Matos e Neto Borges se alinhando ao trio de zagueiros e contando com o apoio de Gustavo Torres e Yago Pikachu na marcação. Do outro lado, o técnico Hernán Crespo (aquele mesmo) organizou o Defensa Y Justicia num 4-3-3 que tentava manter a bola no ataque e que usava e abusava das linhas altas de marcação. A pressão exercida por Braian Romero, Benítez, Pizzini e Ciro Rius deu certo em três oportunidades na primeira etapa. No entanto, a arbitragem anulou os três gols marcados pela equipe argentina por impedimento. Mesmo compactado na frente da sua área, o Vasco ainda concedia espaços demais entre os zagueiros. E pra piorar a situação, Leandro Castán e Miranda não estavam numa lá muito noite boa.

Defensa YJusticia vs Vasco - Football tactics and formations

Alexandre Grasseli manteve o 3-4-2-1/5-4-1 de Ricardo Sá Pinto no Vasco e viu sua equipe sofrer com a pressão alta do Defensa Y Justicia. Se a defesa se posicionava muito mal lá atrás, o meio-campo sofria demais para fazer a bola chegar no ataque. Faltava mais movimentação e mais calma ao escrete de São Januário.

As exceções eram Lucão, Germán Cano e o jovem zagueiro Ricardo Graça (o que menos comprometeu na linha de cinco defensores vascaínos). Gustavo Torres poderia ter entrado nesse grupo se não tivesse desperdiçado oportunidade incrível na linha da pequena área ao chutar em cima do goleiro Unsain. Enquanto isso, o lado direito da defesa do Vasco concedia demais. Miranda (visivelmente inseguro nos botes e perdido nos posicionamentos) não conseguia fechar os espaços às costas de Léo Matos. Ao mesmo tempo, Marcos Júnior e Leonardo Gil sofriam com a boa marcação do Defensa Y Justicia já no campo de ataque. O resultado de todos esses processos e de todas essas situações é esse mostrado pelo SofaScore no tweet abaixo: a equipe de Florencio Varela (província de Buenos Aires) terminou a partida com 66% de posse de bola e com muito mais finalizações a gol do que o Vasco.

O gol do Vasco saiu numa das poucas jogadas bem trabalhadas pela equipe em todo o jogo. Miranda lançou Léo Matos e este cruzou na medida para Germán Cano acertar um lindo voleio e dedicar o feito a Diego Maradona. Mesmo assim, o camisa 14 seguia completamente isolado no ataque e a defesa ainda errava demais no posicionamento. Exatamente como aconteceu no gol de empate Miranda saiu errado na marcação e abriu o espaço que Braian Romero precisava para ajeitar o corpo e desferir um belo chute no canto direito de Lucão. Daí para o final da partida, o Vasco seguiu tentando se defender como podia. Foi com mais sorte que juízo. Mas o Vasco conquistou um bom resultado. Em tempo: este que escreve não teria sacado Gustavo Torres da partida. Apesar dos erros técnicos, o atacante colombiano era um dos poucos que ainda incomodava a defesa adversária com muita velocidade.

Vasco vs Defensa Y Justicia - Football tactics and formations

O auxiliar Alexandre Grasseli realizou uma série de mudanças para dar sangue novo ao Vasco e tentar (de alguma forma) aproveitar as descidas do Defensa Y Justicia para o ataque. No entanto, o escrete de São Januário acabou sofrendo demais para produzir algo de bom no seu meio-campo e penou com os problemas defensivos.

O resultado obtido na Argentina dá uma boa vantagem para o Vasco explorar melhor os espaços que irão surgir no campo adversário. Por outro lado, a atuação da equipe na noite desta quinta-feira (26) mostrou que as dores de cabeça de toda a comissão técnica ainda vão continuar por um certo tempo. É bem verdade que o elenco sofre com desfalques importantes de nomes como Fernando Miguel, Tiago Reis, Benítez, Talles Magno, Jadson, além do técnico Ricardo Sá Pinto, mas a equipe pode entregar muito mais do que vem entregando. Principalmente Yago Pikachu, jogador que vem colecionando atuações ruins nos últimos meses e que deveria ser a válvula de escape do escrete de São Januário contra o Defensa Y Justicia. No final das contas, o resultado é o que importa para o torcedor. Entretanto, o empate na Argentina foi conquistado com uma belíssima dose de sorte.

Independente do que acontecer na próxima quinta-feira (3) em São Januário, o Vasco já sabe que terá que “matar um leão por dia” para se manter vivo nas duas competições que vem disputando. Mesmo assim, elenco e comissão técnica precisam aprender as lições da atuação muito pouco inspirada que teve contra o Defensa Y Justicia. Até para que velhos erros não se repitam nos próximos jogos.

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