Náutico mostra aplicação tática e organização defensiva na boa vitória sobre o Sampaio Corrêa; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o triunfo dos comandados de Hélio dos Anjos e a luta do Timbu contra o rebaixamento

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Caio Falcão / Clube Náutico Capibaribe

Quarto jogo seguido sem derrota e oito pontos conquistados em doze disputados. A vitória de um aplicado e organizado Náutico (que ainda luta para se livrar da zona do rebaixamento para a Série C) contra um Sampaio Corrêa inerte e sem muitas ideias foi mais uma prova de que a equipe pernanbucana vem conseguindo reagir aos poucos na tabela do Brasileirão da Série B. Se a vitória por 1 a 0 (com gol de Camutanga após cobrança de escanteio de Jean Carlos) ainda não conseguiu tirar o Timbu do Z4 (é o 17º colocado com 32 pontos), pelo menos ajudou a dar fôlego e confiança aos comandados de Hélio dos Anjos. É verdade que ainda há muitos ajustes a serem feitos, mas o Náutico merece (e muito) os três pontos conquistados nos Aflitos por conta da postura ofensiva e do bom jogo coletivo diante de um Sampaio Corrêa (em tese) mais forte e mais qualificado tecnicamente.

É bem verdade que o primeiro tempo ficou marcado pelos poucos lances de perigo. Armados por seus treinadores num já tradicional 4-2-3-1, Náutico e Sampaio Corrêa pareciam se estudar e esperar pelo melhor momento de chegar ao campo adversário. A equipe comandada por Léo Condé bloqueava espaços e jogava bem fechada no seu campo para sair para o ataque com Caio Dantas segurando a bola mais à frente para as chegadas de Marcinho, Roney e Robson. Só que a Bolívia Querida pecava demais pela falta de velocidade nas suas transições. Aos poucos, o Timbu foi ganhando terreno e ocupando melhor os espaços que encontrava. Principalmente através da movimentação constante do seu quarteto ofensivo. Faltava, no entanto, capricho nas conclusões na direção do gol defendido por Gustavo (o melhor do Sampaio Corrêa em campo na humilde opinião deste que escreve) e atenção no último passe.

É bem verdade que a tabela do Brasileirão da Série B mostra com clareza o momento das duas equipes na temporada. Mas parecia que era o Náutico quem lutava para entrar ou pelo menos permanecer próximo ao G4 e não o Sampaio Corrêa. Ainda mais com a postura extremamente reativa e pela quase que total ausência de criatividade dos comandados de Léo Condé. É bem verdade que a equipe maranhense sofria com oito desfalques para a partida deste sábado (19). Ainda mais na defesa, com as suspensões de Paulo Sérgio e Luís Gustavo, e no ataque, com as ausências de Diego Tavares e Pimentinha, ambos lesionados. Mesmo assim, faltou à Bolívia Querida um pouco mais de contundência na construção das jogadas ofensivas sabendo que jogariam contra um adversário que precisaria atacar e, consequentemente, abriria espaços. O gráfico abaixo (tirado do SofaScore) mostra como o Sampaio Corrêa atacou pouco durante os noventa minutos.

O gol marcado por Camutanga após cruzamento de Jean Carlos (na bola parada que descomplica as coisas no velho e rude esporte bretão desde o tempo em que Dondon jogava no já extinto Andarahy) deixou o panorama totalmente favorável ao Náutico. E vale muito destacar o trabalho e as orientações de Hélio dos Anjos após o intervalo. O treinador de 62 anos organizou o Timbu dentro de campo, adiantou as linhas de marcação antes de abrir o placar e aproveitou bem a falta de criatividade do Sampaio Corrêa para fechar espaços e explorar os contra-ataques. A postura da equipe pernambucana após a metade do segundo tempo disputada nos Aflitos também escancarou a falta de ideias (e de peças de reposição) de Léo Condé num Sampaio Corrêa que tentou chegar ao empate num “abafa” que não funcionou. Mesmo colocando o time para jogar numa espécie de 4-2-4 já nos minutos finais da partida.

Ainda houve tempo para Hélio dos Anjos reforçar o sistema defensivo com a entrada de Foguinho e Dadá Belmonte (este último com a missão de vigiar as subidas de Joazi ao ataque e fechar o lado esquerdo) e também apostar no veterano Jorge Henrique para segurar a bola e cadenciar o jogo. Vitória justa (se é que existe justiça no velho e rude esporte bretão) da equipe que procurou mais o ataque e que não se conformou com o empate dentro dos seus domínios. O Sampaio Corrêa de Léo Condé sofreu demais com os desfalques, mas pecou demais pela falta de intensidade nas transições e por ter adotado uma postura reativa e cautelosa demais. E isso sem falar na na tarde/noite pouco inspirada de Caio Dantas, artilheiro do Brasileirão da Série B com 17 gols marcados em trinta rodadas. O escrete maranhense encontrou espaços na defesa do Timbu e não os aproveitou da forma mais adequada.

Na sua terceira passagem pelo Náutico, Hélio dos Anjos disputou nove partidas com três vitórias, três empates e três derrotas, com seis gols a favor e seis contra. Números modestos, é verdade, mas apresentam uma melhora considerável do rendimento da equipe pernambucana no Brasileirão da Série B. E o caminho para se livrar da degola é esse: organização, aplicação tática e intensidade. Bem ao estilo do Timbu.

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