Vitória conta com o oportunismo de Léo Ceará e muita aplicação tática para somar três pontos importantíssimos

Luiz Ferreira analisa o triunfo do Leão sobre o Guarani em jogo válido pelo Brasileirão da Série B

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Letícia Martins / Esporte Clube Vitória

É bem verdade que a equipe do Vitória não tem vivido dias lá muito felizes. A diretoria fez um péssimo planejamento para a temporada, a montagem da equipe foi cercada de equívocos e (como era de se esperar) a campanha do Leão no Campeonato Brasileiro da Série B está bem abaixo das expectativas. Mesmo assim, os comandados de Rodrigo Chagas (lateral da lendária equipe vice-campeã nacional em 1993) tirou forças sabem os deuses do velho e rude esporte bretão de onde para vencer o Guarani por 2 a 1 nesta quarta-feira (20), no Brinco de Ouro da Princesa. E para conquistar esses três pontos importantíssimos, o Vitória teve muita aplicação tática (apesar dos erros na recomposição) e contou com a estrela de Léo Ceará (vice-artilheiro da Série B com 16 gols). As coisas podem estar bem longe do ideal. Mas fato é que o Leão Baiano provou que tem condições de se livrar do rebaixamento.

O interessante da partida desta quarta-feira (26) é que Guarani e Vitória mostraram alguns problemas na execução do plano de jogo dos seus treinadores. E quem mais errava nesse ponto nos primeiros minutos era o Bugre de Felipe Conceição. Principalmente por permitir tanta movimentação na frente da linha defensiva e não fazer a conhecida pressão no portador da bola. O lance do primeiro gol do Vitória mostra bem isso. Matheus Frizzo recebe na intermediária, passa por Lucas Crispim com extrema facilidade e percebe Mateusinho atacando o espaço às costas do lateral-esquerdo Erick Daltro. O camisa 21 apenas ajeitou de cabeça para Léo Ceará (em posição legal) acertar o canto esquerdo de Gabriel Mesquita. Mesmo cometendo erros, o Vitória conseguia a vantagem no placar por ter percebido antes do seu adversário que existiam espaços esperando para serem explorados.

Matheus Frizzo passa por Lucas Crispim, vê Mateusinho se lançando no espaço vazio e faz o passe longo. O camisa 21 apenas escora a bola para Léo Ceará abrir o placar no Brinco de Ouro da Princesa. O Vitória foi melhor do que o Guarani porque soube explorar esses espaços. Foto: Reprodução / Premiere

Só que o Vitória também errava demais. Lucas Cândido e Matheus Frizzo não conseguiam fechar o espaço entre as linhas, Fernando Neto não fechava seu setor e os pontas Mateusinho e Alisson Farias sobrecarregavam os laterais Edvan e Rafael Carioca na marcação. E com espaços para serem explorados, qualquer equipe do mundo vai crescer numa partida de futebol. Rodrigo Chagas só foi corrigir esse problema na sua equipe depois que Marcelo aproveitou um verdadeiro apagão na zaga do escrete baiano para empatar o jogo após cobrança de escanteio aos 17 minutos do primeiro tempo. Depois disso, o Vitória ficou mais ligado, melhorou a sua compactação defensiva, teve mais a bola e rondou mais o gol defendido por Gabriel Mesquita. É verdade que a equipe ainda errava demais nas tomadas de decisões, mas fez o suficiente para conquistar três pontos importantíssimos jogando em Campinas.

Assim como o Guarani, o Vitória também concedia espaços demais na frente da sua defesa e sobrecarregava demais os seus zagueiros. O time comandado por Rodrigo Chagas só melhorou depois de levar o gol de empate (marcado por Marcelo) aos 17 minutos da primeira etapa. Foto: Reprodução / Premiere

Além da aplicação tática dos seus jogadores, o time do Vitória contou com o oportunismo de Léo Ceará para vencer a partida desta quarta-feira (20). O camisa 9 do Leão foi um tormento constante para a defesa do Guarani ao dar profundidade às jogadas de ataque e sempre se posicionar no espaço vazio para receber o passe. Ele e Fernando Neto desperdiçaram boas chances de fazer o segundo gol antes de Lucas Crispim derrubar Wallace dentro da área e levar o cartão vermelho. O já citado Léo Ceará bateu o pênalti com firmeza e chegou ao seu 16º gol no Brasileirão da Série B, coroando a sua boa atuação no jogo diante do Guarani. E o que se viu na partida foi um Vitória que controlou melhor os espaços e que esteve muito mais próximo de marcar o terceiro do que levar o empate do Bugre de Felipe Conceição. Os três pontos acabaram ficando com o time que errou menos dentro de campo.

Na situação em que o Vitória se encontra no Brasileirão da Série B, era fundamental que a equipe de Rodrigo Chagas acabasse com essa sequência negativa na competição. Foram seis rodadas sem vencer e vendo a zona do rebaixamento se aproximando mais e mais. É verdade que a defesa ainda falha demais, que o meio-campo concede espaços demais e que o ataque depende do oportunismo e da estrela de Léo Ceará. Mas fato é que o Vitória conseguiu competir e provou que tem totais condições de se afastar do Z4. Já o Guarani de Felipe Conceição chega ao seu quinto jogo sem vitória na Série B e viu as (remotas) chances que tinha de “beliscar” uma vaga no G4 se esvair por entre os dedos. Mesmo assim, diante de todas as dificuldades, o trabalho do jovem treinador tem seu valor e merece iniciar uma temporada à frente do Bugre. Há coisas boas que podem ser aproveitadas e melhoradas.

O Vitória depende apenas de si para se livrar de um rebaixamento que seria fatal para um clube do seu tamanho. Por mais que a equipe esteja bem longe do ideal, que a diretoria rubro-negra ainda erre demais (seja por incompetência ou ignorância) e que a campanha na Série B não seja motivo de orgulho, o Leão mostrou que pode jogar mais do que vem jogando. E isso é um verdadeiro alento numa temporada cheia de equívocos.

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