Mbappé desequilibra, Paris Saint-Germain dá show de jogo coletivo e Barcelona vai morrendo abraçado com seus veteranos

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa os 4 a 1 do PSG de Mauricio Pochettino sobre o time de Messi, Piqué, Busquets e companhia

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Fotos Públicas / C. Gavelle / PSG

Este que escreve confessa que esperava um Barcelona muito mais competitivo e consistente na partida contra o Paris Saint-Germain. Ainda mais diante com as ausências Neymar e Di María. No entanto, o que se viu no Camp Nou nesta terça-feira (16) foi mais um vexame da equipe catalã. Nem tanto pela sólida atuação coletiva do PSG e pela noite mágica de Mbappé (autor de três dos quatro gols da equipe francesa e o melhor em campo disparado), mas pela maneira como o escrete de Ronald Koeman tentou competir. É praticamente impossível não perceber que veteranos como Piqué, Busquets e Jordi Alba já não conseguem entregar o mesmo desempenho dos “anos de ouro” e que Messi já não consegue mais carregar a equipe nas costas como antes. Enquanto o PSG de Mbappé conquistava uma bela vitória fora de casa nas oitavas de final da Liga dos Campeões, o Barcelona ia se afundando ainda mais numa crise gigante.

É bem verdade que o Barcelona começou melhor o jogo, se impondo no campo de ataque (através do 4-3-3 proposto por Koeman) e conseguindo abrir o placar com Messi convertendo penalidade no mínimo duvidosa em cima de Frenkie de Jong. A partir do momento em que o Paris Saint-Germain percebeu que poderia mais avançar as linhas do 4-1-4-1 montado por Mauricio Pochettino, as fragilidades do escrete catalão foram expostas. Mais uma vez. Kean e Mbappé voltavam pelos lados junto com os laterais Dest e Jordi Alba, mas o camisa 7 desequilibrou quando começou a circular entre Busquets e a dupla de zaga formada por Piqué e Lenglet saindo da esquerda e buscando Icardi no meio. Do outro lado, Kean vigiava as descidas de Jordi Alba e também abria o corredor para o lateral italiano Florenzi apoiar o ataque. O PSG tinha mais volume de jogo e mostrava muito mais consistência que seu adversário.

Barcelona vs Paris Saint-Germain - Football tactics and formations

Sem Neymar e sem Di María, Mauricio Pochettino apostou num 4-1-4-1/4-3-3 que liberava Mbappé para circular por todo o campo de ataque e fechava bem as laterais. Depois do gol de Messi, o PSG passou a explorar as fragilidades do Barcelona e a lentidão dos veteranos Piqué e Busquets. Deu certo.

O Paris Saint-Germain marcava forte no meio-campo e saía para o ataque com muita velocidade com passes precisos de Verratti e Paredes buscando Mbappé saindo da esquerda. Já na segunda etapa, Florenzi passou a ser mais acionado na direita em passes longos às costas de Jordi Alba e Mbappé desequilibrou. Principalmente aparecendo no espaço entre Dest e o veterano Piqué. Bastava colocar um pouco de intensidade nas transições ofensivas para que o atropelamento começasse a tomar forma. E o camisa 7 do PSG sempre faz estragos consideráveis nas defesas adversárias quando tem espaço para atacar. Ainda mais com Icardi prendendo a atenção de Lenglet e aproveitando a lentidão de Busquets na cobertura. A grande verdade é que os 52% de posse de bola e as 12 finalizações a gol (quatro no alvo) representaram muito pouco diante do volume de jogo de um Paris Saint-Germain veloz e envolvente.

Quando Mbappé aproveitou bela assistência de Draxler para marcar seu terceiro gol na partida (e o quarto do PSG), Ronald Koeman já havia desmontado completamente seu 4-3-3 com as entradas de Pjanic, Riqui Puig, Trincão, Braithwaite e Mingueza. A equipe catalã se organizou numa espécie de 3-3-4 que abriu ainda mais espaços na sua defesa e não conseguiu um mínimo de organização para tentar fazer a bola chegar nos pés de Messi com um mínimo de qualidade. Do outro lado, Mauricio Pochettino apenas descansou seus principais jogadores, manteve seu 4-1-4-1 básico e apenas administrou o resultado até o apito final. A goleada do PSG foi construída em cima da qualidade de Mbappé, Verratti, Icardi e Florenzi e das enormes fragilidades de um Barcelona que ainda tem a cabeça nos tempos áureos do clube. Impossível não notar as dificuldades extremas dos mais veteranos em jogos de alto nível.

Paris Saint-Germain vs Barcelona - Football tactics and formations

Ronald Koeman desarrumou ainda mais o Barcelona com as substituições e viu o Paris Saint-Germain ganhar mais espaço para atacar e construir a goleada em pleno Camp Nou. Do outro lado, Mauricio Pochettino manteve seu desenho tático e viu Mbappé se transformar no melhor em campo com um “hat-trick” de respeito.

Este colunista entende muito bem a (enorme) importância que nomes como Piqué, Busquets e Jordi Alba no elenco do Barcelona. São verdadeiras lendas, craques e lideranças na equipe catalã. O ponto aqui é simples. Sempre que o escrete de Ronald Koeman precisa aumentar a intensidade e o volume de jogo contra oponentes mais qualificados (caso do PSG), todos os pontos fracos da equipe são expostos com rapidez e fragilidade. Este que escreve questiona se o retorno de Piqué (afastado por três meses por conta de uma lesão no joelho) era realmente necessário. Ainda mais sabendo que o lado forte do Paris Saint-Germain é o esquerdo (e que Mbappé gosta de jogar por ali). Ao mesmo tempo, falta espaço para jovens promissores como Dest, Pedri, Trincão e vários outros jogarem e adquirirem experiência. O Barcelona está se transformando numa verdadeira “carne assada” na elite do futebol europeu.

Já o Paris Saint-Germain vem mostrando um futebol eficiente e consolidando de vez seu lugar nesse primeiro escalão. Principalmente pelo fato de Mauricio Pochettino ter mostrado que sua equipe pode sim se virar muito bem sem Di María e Neymar. Ao mesmo tempo, Mbappé vai ganhando cada vez mais destaque. Não somente pelos gols, mas por jogar para o time, marcando e aparecendo no ataque. Tudo com muita qualidade.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Jogo coletivo, competitividade e atuação mágica de Gündogan: entenda como o Manchester City colocou o Tottenham na roda

Mesmo sem brilho, sem muito interesse (e com um gol ilegal), Bayern de Munique conquista o mundo pela quarta vez