Prévia tática: o que esperar de Grêmio e Palmeiras na grande decisão da Copa do Brasil 2020

Luiz Ferreira analisa os pontos positivos e negativos das equipes comandadas por Renato Gaúcho e Abel Ferreira na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Este que escreve já lembrou em uma outra oportunidade que toda prévia tática requer um exercício muito grande de imaginação e até mesmo de adivinhação. E diante do que se viu em campo nessas últimas semanas, é praticamente impossível saber o que se passa na cabeça de Abel Ferreira e Renato Gaúcho às vésperas da decisão da Copa do Brasil. Palmeiras e Grêmio iniciam a disputa pelo título (e pela premiação) de uma das competições mais tradicionais do futebol brasileiro neste domingo (28), em Porto Alegre. Antes de mais nada, é preciso dizer que a fase dos dois finalistas não é lá muito boa e os últimos resultados comprovam essa tese. Enquanto o Palmeiras amargou a péssima campanha no Mundial de Clubes da FIFA, o Grêmio ainda tenta encontrar ânimo e confiança após a dura eliminação nas quartas de final da Libertadores para o Santos. Nesse sentido, o equilíbrio é evidente.

Por outro lado, estamos falando de duas equipes extremamente competitivas. O Grêmio de Renato Gaúcho mostrou isso com muita eficiência nas duas partidas contra o São Paulo (e isso num momento em que a equipe então comandada por Fernando Diniz liderava o Campeonato Brasileiro e era apontada como a que executava o melhor futebol do país). O estilo de jogo do Tricolor Gaúcho alia a forte marcação e o estilo mais pragmático do seu treinador com uma intensidade absurda nas transições para o ataque. Renato Gaúcho mantém a sua preferência pelo 4-2-3-1, mas costuma fazer experiências com o 4-1-4-1 com a entrada de Thaciano, Lucas Silva ou outro volante no lugar de Jean Pyerre (o meia central) para congestionar ainda mais o meio-campo e liberar Pepê para encostar em Diego Souza, este último um dos jogadores mais importantes de toda essa estratégia colocada pelo treinador gremista.

E também temos o Palmeiras de Abel Ferreira. Este que escreve já falou sobre a grande atuação coletiva na vitória por 3 a 0 sobre o River Plate de Marcelo Gallardo e sobre todos os méritos do treinador português na conquista da Libertadores apesar do estilo de jogo mais pragmático e sem muitas ideias (principalmente nas partidas do Mundial de Clubes da FIFA). Mesmo assim, Abel Ferreira já mostrou que tem o elenco na mão ao adaptar sua equipe às circunstâncias de cada partida. Marcos Rocha já foi zagueiro pela direita e Gabriel Menino foi ala pelo mesmo lado numa variação interessante do seu costumeiro 4-2-3-1 para um 3-4-2-1 com Gustavo Scarpa e Rony buscando Luiz Adriano no comando de ataque. Ao mesmo tempo, Raphael Veiga é quem dita o ritmo do meio-campo e o retorno de Felipe Melo agregou mais experiência num setor que vinha sendo ocupado pelos jogadores mais novos.

É bem possível que o título da Copa do Brasil seja decidido a partir dos duelos individuais. Não é absurdo pensar que Abel Ferreira pode reforçar mais o lado direito da defesa do Palmeiras por causa das investidas de Pepê por ali. Ao mesmo tempo, Renato Gaúcho pode mandar o Grêmio a campo com três volantes para tirar o espaço de atuação de Luiz Adriano e conter as arrancadas de Rony pelos lados do campo. E isso sem mencionar que Felipe Melo costuma sofrer quando enfrenta equipes mais leves e que sabem trabalhar a bola em velocidade como o Tricolor Gaúcho. No entanto, por mais variadas que seja as opções dos dois treinadores, este colunista espera um duelo com as duas equipes organizadas no 4-2-3-1 preferido e costumeiro de seus treinadores (pelo menos no papel), já que a margem de erro é um pouco maior nesse primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil. pelo menos em tese.

Gremio vs Palmeiras - Football tactics and formations

Palmeiras e Grêmio devem iniciar a decisão da Copa do Brasil jogando no 4-2-3-1 preferido de Abel Ferreira e Renato Gaúcho pelo menos num primeiro momento. Os duelos individuais devem marcar a briga pelo título ou (pelo menos) influenciar as estratégias dos dois treinadores nas duas partidas da finalíssima.

Difícil não notar que Grêmio e Palmeiras iniciam a luta pelo título procurando esquecer os momentos ruins dessa reta final de temporada. Aliás, vale lembrar que uma das críticas mais fortes da imprensa especializada ao trabalho realizado por Renato Gaúcho e Abel Ferreira é o excesso de cautela e a ausência de alternativas para fazer a bola chegar no ataque. Fora a falta de criatividade no meio-campo. A primeira partida da decisão deve ser um pouco mais estudada, é verdade. Por outro lado, este colunista não se surpreenderia se os dois treinadores resolvessem soltar mais suas equipes para obter a vantagem no confronto, ter paz para descansar seus principais jogadores durante a semana e pensar (um pouco) nos campeonatos estaduais. Não é nenhum absurdo esperar um jogo mais franco e mais aberto logo neste domingo (28) diante de todo o contexto envolvido no início da temporada de 2021.

A lamentar somente o calendário insano e completamente esquizofrênico que a CBF jogou no colo dos clubes. A decisão da Copa do Brasil de 2020 coincide com o início dos campeonatos estaduais de 2021 e com partidas importantes logo no meio da semana. Fica praticamente impossível realizar qualquer planejamento quando a própria entidade que comanda (???) o futebol aqui no Brasil estraga o seu principal produto.

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