Pelé reclama de cobranças políticas, fala sobre ditadura e ressalta: “Não posso mudar a lei”

Em documentário sobre sua vida atrelada à política, Pelé revela que boicotou participação na Copa do Mundo de 1974 por conta da Ditadura Militar no Brasil

Rafael Brayan
Estudante de jornalismo. Colaborador especialista e editor-plantonista do Torcedores.

Crédito: Divulgação - FIFA

Considerado o maior jogador de todos os tempos, Pelé sempre foi criticado por sua imagem política durante a carreira e após pendurar as chuteiras. Usado como ferramenta de todos os presidentes da República e na Ditadura Militar, o ex-atacante do Santos e da seleção brasileira diz que teve problemas quando misturaram a política e o futebol na sua carreira.

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As falas de Pelé foram disponibilizadas no documentário que leva o seu nome e está na Netflix. O Rei do Futebol fala ainda sobre como sua imagem sempre foi usada politicamente desde 0s 17 anos de idade, quando venceu a primeira Copa do Mundo com a camisa da seleção brasileira, em 1958.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

“Eu quero o melhor para o Brasil. Não posso mudar a lei. Por que o pessoal às vezes confunde e vem cobrando coisas que não estão ao meu alcance. Eu posso até falar, como a gente defende o Brasil e às vezes critica alguns políticos, já criticamos vários governantes, agora resolver o problema nós não vamos”, diz o Rei do Futebol, que também revelou que boicotou participação na Copa do Mundo de 1974 pois “estava infeliz com a situação da Ditadura no país.”


Assista ao trailer do documentário: 


Recentemente, Pelé enviou uma camisa do Santos autografada a Jair Bolsonaro, atual presidente da República. Segundo o craque com a bola, ele sempre tentou tratar bem as pessoas. “Normalmente as pessoas esquecem que o ser humano também tem, às vezes, algum momento de emoção, alguma falha. E claro que eu sendo ser humano tive algumas surpresas, algumas falhas. Mas que me fizeram pensar na época na minha carreira, na minha vida, no meu futuro que estava por vir, em como respeitar e tratar as pessoas. E viajando no mundo todo, conheci presidentes da República, atletas, políticos famosos, cantores, mágicos, enfim”, afirma Pelé.

“Eu procurava nunca mostrar para ele que era o Pelé, isso aprendi com minha família. Eu nunca quis ser mais importante, nem melhor que ninguém. Eu era um excelente jogador de futebol, porque Deus me ajudava muito, e procurava passar isso para as pessoas. Acho que é por isso que hoje, em qualquer país do mundo que eu vá, eu tenho as portas abertas”, comenta.

Pelé e as cobranças por posicionamentos políticos

O Rei do Futebol, apesar da longa e vitoriosa carreira, é sempre cobrado posicionamentos políticos. Porém, Pelé ressalta que torce para o Brasil ter políticos honestos, mas ressalta: “Eu não sou político, sou brasileiro”.

“Em lugares que eu passo ou chego, em aeroporto, restaurante quando a gente vai almoçar, é uma coisa engraçada, porque os caras misturam as coisas, vêm me cobrando. Vem cá, eu era jogador de futebol, gostava de jogar, gostava muito, mas eu não sou político, eu sou brasileiro (…) porque a gente torce para que o povo não sofra, para que os políticos honestos estejam para administrar o país, mas infelizmente não podemos mudar”. 

“Tivemos alguns problemas durante a minha carreira porque os caras misturaram política com futebol (…) Quando aceitei trabalhar com Fernando Henrique Cardoso como ministro do Esporte eu aceitei porque achava que era momento de ajudar o Brasil e tal, e graças a Deus deu tudo certo, foi maravilhoso para mim. Então até nisso Deus me ajudou, mas é complicado para quem ama uma coisa e tem que defendê-la do lado de fora. Não é brincadeira”, completa Pelé.