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Ex-atleta Paralímpico cadeirante vira entregador de app no interior de SP

Ex -atleta Paralímpico, Caique Palma, tem que “se virar” em tempos de coronavírus

Carlos Lemes Jr
Colaborador do Torcedores.com.Jornalista formado, desde 2012, e no Torcedores, desde 2015. Matérias exclusivas pelo site publicadas nos portais IG, MSN e UOL.

Crédito: Caique Palma trabalhava em dois horários fazendo entregas (Arquivo Pessoal)

Os novos tempos de coronavírus estão fazendo com o que vários atletas ou ex-atletas das mais variadas modalidades tenham que se reinventar. E para um ex-atleta Paralímpico, a situação não é diferente.

Ex-atleta do atletismo, Caique Palma era um dos destaques da classe C54, categoria para atletas com falta de mobilidade nas pernas. Por isso, são necessárias cadeiras de rodas especiais nas provas.

“Conheci o esporte, através de um clube aqui da cidade”, conta Caique ao Torcedores.

A cidade é Paulínia, interior de SP, onde o rapaz de 23 anos vive com a mãe, Monica.

Dona Monica é auxiliar de limpeza na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) ela é responsável pela faxina das repúblicas. Mas, sem os alunos, as coisas na casa da família Palma, apertaram.

Foi aí, que Caique esqueceu os recordes da pista de atletismo, Seleção Brasileira e virou entregador de um aplicativo de comida. Com cadeira de rodas e tudo.

“Um dia, um amigo esqueceu a ‘bag’ (apelido dado à mochila que os entregadores usam) aqui em casa”, relata. “Como já tinha tentado de tudo, sabia que do aplicativo não ouviria o ‘não’, disse sobre o começo dessa nova “carreira” ao Estadão.

Para o Torcedores, ele disse mais: trabalhava das 11h às 15h e das 18h às 23h.

“Pegava ônibus adaptado para fazer as entregas em certos endereços. Descia, e tinha que encarar os buracos da rua e a falta de guia rebaixada”, nos conta.

Tanto “perrengue” fez com que a empresa do aplicativo se sensibilizasse e mudasse Caique de função. Agora, ele cadastra novos restaurantes na ferramenta, como dono de franquia.

“Com esse novo esquema, ganho uma porcentagem de cada novo estabelecimento que cadastro”, continua o ex-corredor ao nosso site.

Por fim, o menino fez e faz tudo isso, mas sem esquecer da paixão pelo esporte. Ele cursa o último ano de Educação Física em uma Universidade particular de Paulínia.

“O esporte me abriu a mente. Conheci outras deficiências (sic) e vi que era possível”, finaliza.

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