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Manchester City precisa jogar mais se quiser se livrar do “fantasma das quartas de final”; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação dos comandados de Pep Guardiola na vitória sofrida sobre o Borussia Dortmund

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / UEFA Champions League

Quem acompanha a coluna aqui no TORCEDORES.COM já sabe que a força mental é um dos pontos mais importantes do esporte de alto rendimento. Principalmente no nosso velho e rude esporte bretão. Diante disso, não é exagero nenhum afirmar que o Manchester City de Pep Guardiola pode ter sentido um pouco a pressão na partida de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA. A vitória por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund dá aos Citzens a vantagem do empate no jogo da volta, mas também nos apresentou uma equipe que tenta acabar com a série de eliminações seguidas nessa fase da competição europeia. Difícil não perceber que o estilo mais intenso e móvel de Guardiola não se encaixou como nas últimas partidas da equipe inglesa. Parte por conta da boa marcação do Borussia. E parte também por conta de toda essa pressão e da necessidade de se terminar de vez com essa maldição.

É bom que se diga que, apesar do Manchester City ter ficado mais com a bola (61% de posse contra 39% do Borussia Dortmund de acordo com o SofaScore), a equipe de Pep Guardiola não encontrou tanta facilidade para chegar na área adversária. O antes móvel e dinâmico 4-2-3-1/4-2-4 dos Citzens esbarrava no meio-campo congestionado pelo 4-1-4-1 de Edin Terzic no escrete aurinegro. Emre Can permanecia mais fixo na entrada da área com Reus e Knauff acelerando e buscando Haaland no comando de ataque. Numa das poucas falhas defensivas do Borussia em toda a partida, De Bruyne iniciou e terminou a jogada do primeiro gol do Manchester City executando bem os movimentos planejados por Pep Guardiola e seu “jogo de posição”. Mahrez avançava, Foden saía da esquerda para dentro e Berneando Silva arrastava a zaga adversária e abria espaços na área. Aliás, grande atuação do belga na partida.

Manchester City vs Borussia Dortmund - Football tactics and formations

Pep Gaurdiola apostou no seu 4-2-3-1/4-2-4 para vencer o Borussia Dortmund e acabar com a sina de eliminações seguidas nas quartas de final da Champions League. O problema é que o escrete de Edin Terzic se fechou na defesa e explorou bem os contra-ataques com bolas longas para Haaland.

As coisas poderiam ter ficado ainda mais complicadas para o Manchester City se o árbitro romeno Ovidiu Haţegan não tivesse assinalado falta de Bellingham em dividida com Ederson. Lance muito discutível e que poderia ter mudado o rumo da partida no Etihad Stadium. Ainda mais com o Borussia Dortmund colocando muita intensidade na marcação e buscando a saída rápida pelos lados do campo às costas de Walker e João Cancelo. Mesmo com a já conhecida movimentação dos seus jogadores, Pep Guardiola viu sua equipe encontrar sérias dificuldades para furar a barreira imposta pelo escrete aurinegro. Mesmo com Gündogan aparecendo na frente e recuando para abrir espaços. Mesmo com De Bruyne se revezando no comando de ataque com o “falso nove” Bernardo Silva. E mesmo com o ótimo João Cancelo chegando por dentro para se transformar em mais um jogador de meio-campo. Não estava nada fácil.

O Manchester City tentava chegar ao ataque na base do “jogo de posição” defendido e adaptado por Pep Guardiola. Só que a marcação do Borussia Dortumd era bastante eficiente. Além de conceder poucos espaços, o time alemão ainda levava perigo nos contra-ataques. Foto: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

A segunda etapa começou com o Manchester City voltando a oscilar. Tanto que Ederson fez defesa de cinema em chute de Haaland logo no primeiro minuto. A portura das duas equipes também não mudou. O Borussia Dortmund seguia fechado na frente da sua área e buscando o camisa 9 através das bolas longas nas costas de Stones e Rúben Dias. Do outro lado, os Citzens (já com o brasileiro Gabriel Jesus em campo no lugar de Bernardo Silva) mantinham suas linhas avançadas e tentando buscar espaços para chegar na área de Hitz. O meia Phil Foden parou no goleiro aurinegro duas vezes antes de Marco Reus empatar o jogo depois de belíssimo passe de Haaland aos 39 minutos. Só que o Manchester City conseguiu a vitória dentro de seus domínios depois de cruzamento de cinema de De Bruyne da direita. Gündogan ajeitou e o já citado Phil Foden chutou cruzado sem chances de defesa para o goleiro Hitz.

Borussia Dortmund vs Manchester City - Football tactics and formations

O Borussia Dortmund manteve a postura no segundo tempo e conseguiu o empate com Reus aproveitando bela assistência de Haaland. Com Gabriel Jesus em campo, o Manchester City teve que superar o próprio nervosismo para marcar o gol da vitória com Phil Foden no último minutode partida.

É lógico que o confronto ainda está aberto. Só que a vantagem mínima obtida no Etihad Stadium serve para deixar todo o elenco do Manchester City com os pés no chão e mais concentrados para o jogo da volta, na Alemanha. A partida desta terça-feira (6) também nos mostrou que todo o escrete de Pep Guardiola (incluindo o próprio técnico espanhol) ainda se incomodam demais com a sequência de três eliminações seguidas nas quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA. É por isso que o aspecto mental se fez tão presente na partida contra o Borussia Dortmund que, por sua vez, se mostrou muito mais relaxado e sem tanta pressão sob os ombros. E o gol de Marco Reus deixa o escrete de Edin Terzic com plenas condições de seguir na Champions League. Ainda mais com Haaland sendo decisivo balançando as redes adversárias e distribuindo assistências. Exatamente como fez na partida contra o City.

A força mental sempre esteve presente no futebol. Mas parece que esse aspecto tão ignorado por grande parte dos jornalistas parece ter influenciado diretamente na atuação do Manchester City. A sina de eliminações incomoda sim. Sem dúvidas. Só que isso não pode frear o ímpeto ofensivo de uma das equipes mais letais do planeta. Ainda mais contra um Borussia Dortmund doido para surpreender mais uma vez nessa temporada.

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