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Real Madrid vence “El Clasico” abusando da velocidade nas transições e travando as saídas do Barcelona

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do time de Zidane sobre o desorganizado e apagado escrete de Ronald Koeman

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Real Madrid CF

Impossível não notar o “dedo” de Zinedine Zidane na vitória da sua equipe sobre o Barcelona neste sábado (10), em jogo válido pela 30ª rodada do Campeonato Espanhol. O Real Madrid soube travar as saídas e explorar os pontos fracos da equipe de Ronald Koeman com uma atuação coletiva bastante consistente no primeiro tempo da partida no Estádio Alfredo di Stéfano. Destaque para as grandes atuações de Casemiro (mesmo levando um cartão vermelho justo no final do jogo), Nacho Fernández, Mendy e Éder Militão, quase perfeitos na marcação de Messi, Dembelé, Jordi Alba e companhia. O grande mérito de Zidane na vitória que deixa o Real Madrid na liderança (provisória) do “Espanholão” é a leitura correta do adversário e a escolha dos jogadores que mais tinham condição de bloquear as principais válvulas de escape de um Barcelona que vinha subindo bastante de produção nos últimos dias.

Tudo começa com Federico Valverde. Assim que as escalações foram divulgadas, Muita gente pensou (incluindo este que escreve) que o camisa 15 fosse se somar a Casemiro, Modric e Kroos num 4-4-2 mais nítido. Só que o uruguaio fez muito mais do que isso. Ele fechava o lado direito da defesa como um quinto defensor e ainda puxava os contra-ataques com muita velocidade quase como um meia-atacante na variação para o 4-3-3 desejada por Zidane. Exatamente como aconteceu no (belíssimo) gol de letra marcado por Benzema aos 12 minutos de jogo. Valverde escapou pelo meio e abriu o corredor para Lucas Vázquez subir e deixar o camisa nove em plenas condições de abrir o placar. E a situação do Barcelona ficaria ainda mais complicada com Vinícius Júnior voando pela esquerda (e atormentando a vida de Mingueza) e com o segundo gol dos merengues, marcado após cobrança de falta de Toni Kroos aos 27 minutos.

Real Madrid vs Barcelona - Football tactics and formations

Valverde fechava a defesa pelo lado direito como um quinto defensor e ainda se lançava ao ataque como um meia-atacante no 4-3-3 inicial de Zidane no Real Madrid. O camisa 15 foi importantíssimo no combate a Jordi Alba e na organização dos contra-ataques da equipe merengue.

Do outro lado, Ronald Koeman optou pela entrada de mais um zagueiro (de ofício) no Barcelona num 3-1-4-2 que não deu muita liga por dois motivos. O primeiro estava no trio de zagueiros. Mingueza, Ronald Araújo e Lenglet não tinham a velocidade necessária para conter os avanços de Benzema e Vinícius Júnior e nem qualidade suficiente nos passes para “quebrar as linhas” do Real Madrid. O resultado era uma saída de bola extremamente previsível, fato que sobrecarregava Busquets e De Jong no meio-campo blaugrana. Ao mesmo tempo, Nacho, Mendy, Casemiro e Éder Militão vigiavam Messi de perto e bloqueavam muito bem o espaço onde o camisa 10 se sente mais confortável. Tudo era feito de maneira meticulosa e estudada para travar as saídas de um Barcelona que só começou a se achar em campo no segundo tempo, com a entrada de Griezmann no lugar de Dest e o gol de canela do zagueiro Mingueza.

Mesmo assim, a equipe catalã mais abria espaços do que criava chances de gol. A impressão deste que escreve é que Ronald Koeman engatou um modo meio aleatório no seu plano de jogo e só conseguiu organizar as coisas quando sacou Busquets e Ronald Araújo para as entradas de Sergi Roberto e Moriba e reorganizou sua equipe numa espécie de 4-3-3 com Messi se movimentando muito entre Dembelé e Griezmann. Mesmo assim, ainda faltava organização. Do outro lado, Zidane reforçava o sistema defensivo transformando seu 4-3-3 definitivamente num 4-1-4-1 com Asensio, Marcelo, Isco e Mariano Díaz (sendo que Odriozola já estava em campo desde o final da primeira etapa) nos lugares de Valverde, Benzema, Kroos e Vinícius Júnior. Embora ainda abrisse mão da posse da bola, o Real Madrid seguia explorando bem os espaços que iam surgindo às costas da defesa do Barcelona e levando perigo ao gol de Ter Stegen.

Barcelona vs Away team - Football tactics and formations

Koeman desfez seu 3-1-4-2 e mandou o Barcelona para o ataque com as entradas de Griezmann, Moriba, Sergi Roberto, Trincão e Braithwaite. Na prática, um 4-2-3-1 que afastou Messi da área e que pecava pela falta de organização e de ideias para vencer o forte bloqueio defensivo do Real Madrid.

Este que escreve também não marcaria o pênalti em cima de Braithwaite. A impressão que fica é a de que o dinamarquês sentiu o contato de Mendy e tentou cavar a falta dentro da área. Fato esse que acaba sendo um perfeito retrato do que foi o Barcelona de Ronald Koeman na partida deste sábado (10). A equipe blaugrana até melhorou de produção quando Mingueza virou lateral e apareceu com frequência no campo de ataque. O problema é que essa foi a única jogada “diferente” do escrete catalão. De resto, um “abafa” confuso e que abusou das bolas levantadas na área. Quando Casemiro foi expulso nos minutos finais, Moriba acertou o travessão após cruzamento de Messi. Aliás,  Barcelona segue extremamente dependente do seu principal jogador e do “acaso” nas suas partidas. Zidane explorou bem essas deficiências do seu adversário e fez o Real Madrid vencer um duelo tático dos mais disputados dos últimos dias.

Eu e você vimos um grande jogo no Estádio Alfredo di Stéfano. A única nota triste é que esse pode ter sido o último “El Clasico” de Messi. Com as (muitas) incertezas sobre a sua permanência no Barcelona para a próxima temporada, a tendência é vermos mais um capítulo da história riquíssima do futebol se acabando. Mas para que o argentino brilhe mais uma vez, é preciso que Koeman saiba sair das armadilhas impostas pelos seus adversários. E nesse ponto, Zidane foi simplesmente perfeito.

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